
“Mulher, quem disser que eu sou perfeita não me conhece”, disse ela ao AT2, durante coletiva ontem. “O rótulo de perfeita é cruel e desumaniza a pessoa. Eu não quero esse rótulo de perfeita. Eu não aceito”, completou.
A paraibana de 31 anos ainda ressaltou que o que ela mais quer é que as pessoas a vejam com sua humanidade. “Eu erro todos os dias, eu brigo com o povo, eu sou chata, metódica, ansiosa, sou mil coisas. E eu falo besteira, eu me antecipo. Eu faço tanta coisa errada…”, assumiu, aos risos.
Mas esse não parece ter sido o caso de “Juliette”, EP com 6 canções lançado na sexta-feira (3), que teve 5,9 milhões de plays em sua estreia no Spotify, a segunda maior da história da plataforma, perdendo apenas para o disco “Chromatica”, da americana Lady Gaga.
“Eu pensei que as pessoas iam me ver como uma menina afinada e só. Quando eu vi que elas me enxergavam como uma cantora, foi um susto, eu fiquei surpresa”, diz a advogada, maquiadora e, agora, cantora.
“Diferença Mara”, o primeiro clipe, é assinado por Giovanni Bianco, o mesmo que trabalha com Madonna, Ivete Sangalo e Anitta.
Lançado na segunda-feira (6), conquistou mais de 150 mil visualizações em duas horas. Nele, Juliette canta para um “boy do Sul” que “A nossa química é rara / Nossa diferença é mara”.
Paquera
E o tal boy, existe? “Mulher, não faz isso comigo! Eu tenho uns paqueras. Aliás, um paquera. Estou dando sentido para a música. Quando der certo, a gente faz uma outra coletiva e revela”, falou, às gargalhadas.
“Ser uma artista não é só ser amada”
Seu EP transmite muita doçura e leveza. Pretende seguir nesse mesmo estilo?
Juliette Freire Eu fiquei muito feliz com o resultado, porque as músicas têm o meu jeito, foram feitas com expressões que eu falo. Isso me deixou leve para cantar algo que eu acredito.
Eu penso em cada dia melhorar. Sei que estou no início e que nunca estudei para ser uma cantora, que tenho muito o que aprender. E o que eu mais quero é escrever as letras das músicas junto com essa equipe talentosa que está comigo. Quando eu estiver preparada, quero fazer isso.
Em seu documentário, disse que é muito grata por tudo o que está acontecendo, mas que perdeu um pedaço de si.
Quando eu falo que eu perdi um pedaço de mim, de forma alguma eu quero reclamar do que está acontecendo comigo, porque tudo isso é um sonho.
Mas, quando a gente não é famosa, a gente tem autonomia de liberdade de escolhas. E hoje eu não penso só em mim. Penso em como eu vou influenciar as pessoas, como ser um bom exemplo, o quanto eu posso machucar alguém. Fora que é uma agenda muito louca.
Como aconteceu a escolha de “Diferença Mara” para o primeiro clipe?
Essa música é mais pop, é uma mistura, porque tem um apelo regional, que é a minha origem e que eu amo muito. Mas eu também gosto de funk, pop, várias coisas. E essa música abraça o Brasil inteiro e todos os estilos.
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Esperava ser um dos maiores lançamentos do Spotify? Você barrou até Anitta…
Eu não imaginava nem ganhar o BBB! Eu não imaginava nada. Eu fico muito assustada. A minha equipe ia me falando quantos acessos e eu perguntava: “Isso é muito?”. Sou muito grata. Estou me construindo como artista. Eu acho muito chique dizer que eu sou artista. (Risos)
Tinha algumas ressalvas em ser cantora. O que a fez mudar de ideia?
Eu tenho até hoje, dá um frio na barriga… (Risos) O que me fez decidir pela música é que, de tudo o que eu estava fazendo, a música era onde eu encontrava mais sentido. A música era o que me trazia paz. Ainda encontrei artistas maravilhosos, tive sonhos, mensagens muito bonitas sobre música… Então, eu só acreditei no que o meu coração já falava.
Pensa em fazer shows?
A gente está lançando nessa pandemia e eu não esperava essa quantidade de gente me ouvindo. Vou ficar ainda mais assustada quando isso passar e eu puder ver as pessoas. E estou me planejando para sonhar com isso. Quando tudo isso passar, voltar cantando a minha música, com as pessoas podendo se abraçar, vai ser muito mágico! Um sonho.
Terá um feat com Anitta?
Minha relação com a Anitta é muito bonita. Eu a tinha como uma referência feminina. O que essa menina precisou enfrentar no mercado, na garra… No Nordeste, a gente fala que ela tirou leite de pedra. A gente tem que respeitar a história dela, que é uma das maiores artistas do País.
E depois eu vi o quanto ela se doou ao EP. Ela fez coisas que não precisava fazer. Como passar horas comigo no estúdio ou quando eu estava mal, dizer que tudo ia dar certo. Ou me mostrar a rotina de um artista. Ser uma artista não é só ser amada, é muito difícil. Mas agora não vai ter feat, não. Ela está focada na carreira internacional e eu estou focada em construir a minha carreira.
Como foram os ensaios?
Uma loucura! A minha agenda estava cheia. Felizmente, eu moro com a minha equipe e eles decoraram as músicas antes de mim. E eles passavam o dia todo cantando. Mas foi muito difícil. E eu não decoro letra fácil. Vocês vão ver que qualquer dia vou errar letra por aí. Aí vira meme, e felizes para sempre. (Risos)
Como foi cantar com grandes nomes da MPB?
Mulher, eu tô no modo que eu finjo costume. Porque eu conheci artistas que eu admirei a minha vida inteira. E eu ficava assustada. Eu encontrei o Gilberto Gil. Meu Deus, eu chorava! E eu fiquei com medo de cair, a minha perna ficava dormente. Mas aí eu vi que eu preciso conseguir cantar, agir. Então, eu fico “Calma, Juliette” e fico só honrada e agradecendo a Deus.
Para quem mostrou primeiro o EP?
À minha mãe, e ela ficou bestinha com a música “Bença”. À minha família. Pedi para os fãs verem e me falarem o que eles sentiam. Vi vídeos deles chorando e, para mim, foi especial. Porque foi para eles e eu queria saber como eles se sentiam.
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