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Pelo segundo mês consecutivo, a Petrobras afirmou que pode não atender a 100% dos pedidos de combustíveis para o mercado interno, e representantes das empresas distribuidoras não descartam impactos no abastecimento.
Segundo a companhia, a dificuldade se dá devido a uma demanda atípica, o que afetará a entrega de pedidos para dezembro.
“Assim como no mês de novembro, os pedidos de diesel encaminhados pelas distribuidoras para o mês de dezembro foram atípicos e superiores ao mercado esperado para este período”, comunicou a Petrobras.
De acordo com a Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), em outubro a Petrobras já havia comunicado cortes de distribuição diversos.
As restrições valeram para a gasolina e diesel e as reduções na entrega das encomendas chegam, em alguns casos, a mais de 50%, segundo a entidade.
“Os cortes colocam o País em situação de potencial desabastecimento, haja vista a impossibilidade de compensar essas reduções de fornecimento por meio de contratos de importação, considerando a diferença atual entre os preços do mercado internacional, que estão em patamares bem superiores aos praticados no Brasil”, afirma a Brasilcom.
A Petrobras, por sua vez, diz que “o atendimento do mercado segue normal, sem notícias de desabastecimento”. A estatal destacou ainda que há outras empresas no mercado que podem realizar a importação.
Por nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos-ES) afirmou que “os postos do Espírito Santo já estão habituados com a falta de combustíveis por problemas logísticos que passam pela dificuldade de atracação de navios à limitação de capacidade de estocagem. Agora é a primeira vez que corremos o risco de ficar sem produto por problemas na produção”.
Segundo o sindicato, o problema de desabastecimento já foi tratado em diversos momentos junto às distribuidoras e autoridades competentes, ainda sem uma solução para essa vulnerabilidade. Uma das soluções indicadas pela entidade é a instalação de uma nova base no Porto de Vitória.
Possibilidade de mais alta no preço
A falta de capacidade da Petrobras em atender à demanda do mercado interno de combustíveis pode ter como reflexo preços ainda mais caros nas bombas.
Isso porque o Brasil não produz o volume de combustíveis necessário para abastecer o País, dependendo de importações, que são desestimuladas pela política de preços da estatal.
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), somente no diesel, a defasagem praticada pela Petrobras é de 22 centavos por litro.
“Devido ao fato da Petrobras não acatar 100% dos pedidos feitos pelas distribuidoras, haverá a necessidade de as distribuidoras comprarem produto importado com preço mais alto, tendo como consequência o aumento dos preços nas bombas”, afirma o órgão.
O economista José Márcio de Barros avaliou que a Petrobras não conseguirá praticar preços defasados por muito tempo, o que pode levar a reajustes maiores no futuro.
“Se a Petrobras faz isso, ela está segurando o preço artificialmente. Se não há reajuste, os acionistas estão sendo prejudicados. Uma hora ou outra, terá que ser reposto. Embora tenha parte do governo, a Petrobras é uma empresa de capital aberto”, afirmou.