A prática médica exige diariamente a sensibilidade para lidar com dilemas. Ter a responsabilidade sobre a vida de um paciente demanda decisões difíceis na rotina do médico.
Apesar de toda preparação durante a faculdade, residência e diversas especializações, ainda assim há histórias que marcam a carreira de um médico. O Dia do Médico é comemorado nesta segunda-feira (18).
Durante o combate à covid, a médica intensivista e pneumologista Dyanne Moysés Dalcomune, 49, da Rede Meridional, acompanhou diversas histórias, entre elas de um paciente de São Paulo.
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“Foi bem marcante para mim, ainda me lembro dos olhos dele e ele falando: ‘queria falar com minha mãe’, foi muito doído para a gente, porque ele morreu sem ver a família”, relembra.
Outras histórias tiveram final feliz. “Tivemos um paciente que ficou três meses no hospital e uns 50 dias na UTI (unidade de terapia intensiva). E algumas vezes ligamos para a esposa dele falando que talvez ele não passaria daquela noite. Ele conseguiu se recuperar e teve alta. Foi muito emocionante para todos nós”, contou.
Coordenador das unidades de tratamento intensivo (UTI’s) do Hospital Evangélico de Vila Velha, Gedealvares Júnior lembrou o caso de um paciente de 28 anos, do interior do Estado, que não estava podendo ser acompanhado pela família.
“Ele estava com 75% do pulmão tomado e a mulher dele pediu que salvasse o marido dela porque eles tinham uma filha de 4 anos que perguntava pelo pai todos os dias. Ia fazer uma traqueostomia nele naquele dia, mas decidi colocá-lo na posição prona novamente (paciente é virado para baixo) e ele melhorou”.
O cardiologista Vinicius Xavier destaca que perder um paciente, apesar de fazer parte da rotina, nunca será uma situação fácil. “Sempre me coloco no lugar dos familiares e do próprio paciente. Atuo com o intuito de aliviar o sofrimento de todos”.
Período de desafio e aprendizado
Médico da linha de frente do combate à pandemia do coronavírus, o intensivista Gedealvares Júnior, 43 anos, contou que, em meio aos diversos desafios do período, acredita estar saindo mais fortalecido no exercício da profissão.
Gedealvares, que é coordenador das unidades de tratamento intensivo (UTI’s) do Hospital Evangélico de Vila Velha, afirmou que, dos 19 anos de formação, os últimos 19 meses foram os mais desafiadores da carreira.
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Experiências
“Enfrentamos uma pandemia de alcance mundial que, para nós, foi uma experiência inigualável. Infelizmente tivemos experiências negativas, mas estamos saindo fortalecidos”.
O médico contou ainda que, durante este período, teve momentos em que o corpo já não dava conta da demanda que o trabalho estava trazendo. “Tinha dias de eu chegar ao hospital bem cedo, às 5 horas, e só sair à noite, às 22 horas, 23 horas”, lembrou.
Apesar de toda exposição, o médico conta que foi o desejo de ajudar os pacientes, principalmente aqueles que estavam em estado crítico, que o levou a se especializar em terapia intensiva.
“Quando fiz estágio na terapia intensiva, me encantei pelos resultados, por ver a evolução dos pacientes e por poder fazer alguma coisa por aqueles que estão em uma situação ruim”, afirmou.
Emoção ao ver doentes se recuperarem na UTI
O desejo por tratar pacientes desenganados fez com que os médicos Rodrigo Conti e Thiago Bissoli, do Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas”, se tornassem intensivistas.
Com 41 anos, Rodrigo conta que a Medicina era um sonho de infância. “Quando criança, todas as vezes que minha família e eu precisamos de um médico, fomos bem acolhidos e pensava que queria fazer o mesmo um dia por outras pessoas, por isso vejo a medicina como um sacerdócio”.
Logo que iniciou a faculdade, Rodrigo lembra que não pensava em ser intensivista. Foi no internato que sua visão mudou.
“Passei então a ver a terapia intensiva como essência da medicina, pois pessoas entravam desenganadas ou com baixas expectativas de sobrevivência e, após tratamento intensivo, melhoravam e voltavam para sua vida e para suas famílias. Não há nada que seja tão gratificante quanto isso”.
Médico há 14 anos, Thiago relata que escolheu a medicina como profissão e projeto de vida, pois sempre gostou de cuidar da saúde das pessoas.
“Escolhi a medicina intensiva como especialização, pois os desafios do paciente gravemente enfermo sempre me motivaram muito. Dentro da UTI (unidade de terapia intensiva) posso vivenciar os milagres de Deus diariamente, e poder devolver para a família um paciente que esteve tão grave, com risco de morte, não tem preço. Nem é possível descrever esta emoção”.