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ALTA DE PREÇOS

Gasolina a R$ 7,50 e greve dos caminhoneiros na segunda-feira

Preço do diesel também subiu, reforçando na categoria o desejo de paralisação na próxima semana. ICMS está congelado e segue igual

Jeferson Calistrato

Última atualização

Depois de sucessivos reajustes nos preços do combustível, com gasolina que deve chegar a R$ 7,50 no Estado e alta também do litro do diesel, caminhoneiros anunciaram greve a partir de segunda-feira (1).

Com a alta, o litro da gasolina vendido às distribuidoras passará de R$ 2,98 para R$ 3,19, o que representa um reajuste médio de R$ 0,21 por litro (alta de 7,04%). Já o litro do diesel passará de R$ 3,06 para R$ 3,34, refletindo reajuste médio de R$ 0,28 por litro (alta de 9,15%).

A estimativa sobre o valor da gasolina é do economista Eduardo Araújo, considerando valores médios. Segundo ele, a gasolina mais cara deverá ser vendida em alguns postos do Sul do Estado. Na Grande Vitória, o litro poderá  custar R$ 7,15. Já na região Norte, R$ 7,25. 

O reajuste está liberado para ser repassado para o consumidor a partir de hoje, mas ele observa que alguns postos que possuem estoque poderão segurar por mais alguns dias, a depender da demanda.

Já a Secretaria de Estado da  Fazenda reforçou que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços  (ICMS)  não é a razão dos recentes aumentos  e seguirá com a política de congelamento do Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) utilizado como base para o cálculo do imposto sobre os combustíveis.

Sobre a greve no Estado, o transportador autônomo Francisco Bezerra, o Chicão, acredita que a paralisação  por tempo indeterminado terá quase 100% de adesão. 

“No boca-a-boca e em grupos de WhatsApp estamos convocando  todos. De cada 10, oito garantem que irão cruzar os braços a partir da zero hora do dia 1º”, assegurou.

Ele contou que a orientação é não parar às margens das rodovias e sim em casa ou em pátios de postos de combustível.

A reportagem também conversou  com Marcelo Aparecido Santos da Paz, representante dos motoristas autônomos do Porto de Santos (SP). Ele  confirmou a adesão de caminhoneiros do Espírito Santo. “Aqui não entra e não sai cargas, com exceção de medicamentos destinados a hospitais. Essa é a orientação para outros estados”.

Os ânimos ficaram mais acirrados após reajuste do diesel e do cancelamento de última hora pelo governo federal de uma reunião com líderes dos caminhoneiros, marcada para quinta-feira (28).


Gasto de R$ 2 mil por mês no posto

 













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“De novo”? Questionou o representante comercial Jeferson Calistrato, 57 anos, ao ser informado pela reportagem sobre o novo reajuste no preço da gasolina enquanto abastecia na segunda (25).

Ele diz que o que dá um “pouco de alívio” é que o Brasil não é o único com valor elevado. “Somos o 90º país com gasolina mais cara do mundo”, disse, enquanto completava o tanque, e pagava quase R$ 240.

Devido a sua atividade comercial, por mês ele gasta aproximadamente R$ 2 mil para abastecer dois carros.

 “E agora, quanto vou desembolsar com esse novo reajuste? O jeito é aguardar”, lamentou.


Ônibus em vez de carro

 













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O valor do combustível,  a ameaça de greve e o desabastecimento levaram a  administradora Elisangela Cruz, 48 anos, e o marido, o técnico em telecomunicações João Cruz, 57, a deixarem o carro na  garagem e viajarem  de ônibus na sexta-feira para  Coronel Fabriciano, Minas Gerais.

 “Se fôssemos de carro, iríamos gastar cerca de R$ 600 ida e volta. De ônibus, o gasto será de R$ 220”, comparou Elisangela, que ontem, sabendo do novo reajuste, colocou R$ 100 de gasolina.


Decisão sobre paralisação da entrega de combustíveis

Depois de dar uma trégua na última quinta-feira, o futuro da greve dos tanqueiros poderá ser decidido hoje após reunião com representantes da categoria no Ministério da Economia. 

Na semana passada, tanqueiros de   Minas     e do Rio  cruzaram os braços em   protesto  devido aumentos no  preço do diesel e do ICMS.  

O   presidente da Associação das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados do Petróleo do Rio de Janeiro (Associtanque-RJ), Ailton Gomes,  disse que a reunião  será  às 17 horas. 

Caso não haja acordo, a  previsão é de  bloqueios à saída de caminhões-tanque em dois locais: Carapina, na Serra, e São Torquato, Vila Velha. 

O presidente da Associação das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado (Asstanques-ES), José Alves de Oliveira Júnior, frisou  que  só é possível falar sobre novos rumos após a reunião.

Já o  Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos-ES) diz que é preciso aguardar mais informações sobre o movimento para fazer qualquer previsão. A polícia, por sua vez, está de prontidão para evitar bloqueios.

Gás não sobe, mas aposta é em reajuste  no mês que vem

Depois do aumento no reajuste da gasolina e diesel, o consumidor se depara com  outra preocupação:  será que o gás de cozinha também vai aumentar?

 Sem citar datas, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gás Liquefeito de Petróleo do Estado (Sinregas-ES), Clistiano do Vale, diz que o  reajuste provavelmente deverá  ocorrer,  mas a partir do   mês que vem.

“O gás, no momento, não vai subir, mas provavelmente no mês que vem pode ter algum reajuste. Isso ainda deverá ser anunciado, mas já há comentários”, disse.

 De acordo com ele, o aumento deve ser entre 7% a 8%. “Hoje o gás está em torno de R$ 120 a R$ 130, mas ele deve chegar a  R$ 140”. 

Em alguns locais pontuais, o botijão já ultrapassa esse valor.

 













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Alimentos e itens do lar vão ficar mais caros

Os impactos no bolso do consumidor também serão percebidos na hora de comprar alimentos, materiais  de limpeza e itens do lar.  É que esses produtos  vão ficar ainda mais caros em todo o mundo. 

Uma das razões é que as  empresas estão enfrentando uma difícil combinação de desafios na cadeia de suprimentos e custos mais elevados de energia, matérias-primas, embalagens e transporte. 

O economista Eduardo Araújo, que também é membro do Conselho Federal de Economia, disse que o peso  maior será  sentido no bolso dos consumidores às vésperas das festas de fim de ano.

A falta de produtos nas cadeias de abastecimento das quais o setor corporativo dos Estados Unidos depende está causando pressão inflacionária generalizada.

A pressão em todos os elos da cadeia de abastecimento, desde o fechamento de fábricas  até a dificuldade para encontrar trabalhadores para descarregar caminhões, está se espalhando entre os setores,   segundo a Agência Folha.

Isso vem  intensificando a ameaça que a inflação representa para os gastos dos consumidores e recuperação dos ganhos corporativos.

Em entrevista à Rádio Caçula (MS),  o presidente Jair Bolsonaro falou da alta nos preços. “Alguns me criticam: o preço do combustível, o preço do gás. Eu não sou malvadão, não quero aumentar o preço de nada. Mas não posso interferir no mercado”, disse.

“Quando se fala em aumento de combustível, isso é uma correia de transmissão para a inflação, tudo sobe”, avaliou o Presidente.

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