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OBESIDADE

Anvisa diz que remédio para emagrecer pode continuar a ser vendido

Agência diz que a sibutramina foi regulamentada após constatação de que seus benefícios são maiores que os riscos

Renato Vietchesky, gerente de farmácia, mostra remédios para emagrecer

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Usados no tratamento de doenças crônicas como a obesidade, os quatro remédios que tiveram a comercialização suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira, estão entre os mais vendidos no Estado, segundo médicos e farmácias. 

Entre as medicações bloqueadas, a única que pode ainda ser comercializada, pelo menos por enquanto, é a sibutramina. Das quatro,   somente ela  foi regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  em  2011.

“Quando a sibutramina foi reavaliada ficou demonstrado que o seu benefício era maior do que o   risco. Neste momento,  a sibutramina tem registro no País”, explicou a  Anvisa, em nota, nesta sexta-feira (15).   

O anfepramona, o femproporex e o mazindol  já tinham sido proibidos pelo órgão em 2011 e não possuíam registro. Esses remédios só foram autorizados  em 2017  por meio  de um projeto de lei.  

 O nutrólogo e professor Roger Bongestab pontua que a sibutramina está entre as mais indicadas e vendidas atualmente para tratamento da obesidade. Segundo ele, esse tipo de remédio, quando prescrito por especialistas que possuem conhecimento farmacêutico, traz muitos benefícios. 

“Temos o saxenda como o mais vendido, seguido do orlistat e a sibutramina. São medicações que ajudaram muitas pessoas a tratar obesidade e doenças gravíssimas”, disse. 

O também nutrólogo  Mario Sergio Zen concorda com Bongestab e explica que as medicações bloqueadas pelo Supremo possuem um custo-benefício interessante e, por isso, sempre foram muito prescritas. “São medicações mais baratas e que trazem resultados. Lamento que saia do mercado”.

A alta na venda desses remédios foi observada também nas farmácias. O gerente comercial da rede   Mônica, Renato Vietchesky, informou que a sibutramina é a substância mais vendida para o tratamento da obesidade.

 “Temos uma média de 1.800 unidades vendidas por mês. A nível de manipulação, percebemos que a  anfepramona e femproporex são itens de alta demanda”, disse.

Nas farmácias de manipulação, a procura pelo anfepramona e pelo femproporex é grande, segundo a farmacêutica da Pharmapele Vila Velha, Juliana Mattos. 

“A procura sempre é grande, mas nós estamos informando sobre essa decisão do STF”, frisou Juliana.

ENTENDA

2011

A  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou do mercado as medicações  mazindol, femproporex e anfepramona. Já a venda e produção de sibutramina  no Brasil foi regulamentada pelo órgão com uma série de regras e restrições.

2017

  • Com base em  parecer técnico de entidades médicas, foi preparado um projeto de lei   permitindo a manipulação e comercialização do femproporex,  anfepramona e a sibutramina. 

Em 23 junho, foi sancionada a Lei  13.454, liberando produção,  comercialização e consumo dos remédios.   

2021

Alegando efeitos colaterais  das substâncias,  a  Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) entrou com ação   contra a Lei 13.454/2017.  

Quinta e sexta-feira (14 e 15) 

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por 7 votos a 3, a Lei 13.454, que permitia a produção, venda e consumo de 4 remédios para emagrer: sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol.

A Anvisa disse ontem que  a sibutramina pode continuar a ser vendida. 

Fonte:  Médicos consultados e pesquisa AT. 


Aumento de 300% na procura por  medicamentos naturais

A procura por remédios naturais para  emagrecimento cresceu em mais de 300% nas farmácias da Grande Vitória, segundo os responsáveis pelos estabelecimentos. Para eles, a alta na demanda tem relação com o tempo em que consultórios médicos  ficaram fechados por conta da pandemia.

“Pessoas que usavam medicações para obesidade e dependiam de receitas médicas começaram a optar pelos   naturais, à base de cafeína, óleo de coco e de cártamo”, disse o gerente comercial da rede de farmácias Mônica, Renato Vietchesky.

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diz que  ainda não é possível antecipar quais alterações  e medidas serão tomadas a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A Anvisa vai tomar conhecimento do teor da decisão, para avaliar a repercussão do resultado e verificar a regulamentação vigente e as adequações necessárias nas normas”, diz a nota.


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