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Saúde

Pacientes esperam mais de 2 anos por exame e cirurgia

Procedimentos foram afetados no Espírito Santo por causa da pandemia da covid-19. Problema atinge várias especialidades médicas

Natalia Loureiro com a filha Kaylanne, de 11 anos: a menina aguarda há dois anos pela cirurgia de adenoide

Última atualização

A pandemia da covid-19 tem impactado na saúde não apenas de quem é infectado pela doença, mas também de quem precisa de exames, cirurgias e consultas sem urgência. A fila para quem aguarda por um procedimento ou atendimento eletivo chega a mais de dois anos.

A dona de casa Natalia Loureiro, 33 anos, aguarda há dois anos pela cirurgia de adenoide para a filha Kaylanne Vitoria Loureiro, 11. “Antes da pandemia, estava para ser feita, mas até agora nada.”

Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que, ao comparar os atendimentos registrados no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS entre março e dezembro de 2020, com o mesmo período de 2019, houve redução de 16 milhões de exames diagnósticos no País.

 













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Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontam que houve uma redução de 27% nas cirurgias, comparado com 2019.

A oftalmologista Marilia Vilas Boas, do Hospital dos Olhos de Vitória, destaca que muitos pacientes que estavam com consultas e cirurgias marcadas de catarata e retina, por exemplo, por conta da pandemia, mesmo com todos os cuidados, faltavam às consultas.

“Estamos sentindo o peso dos pacientes que não puderam ser bem acompanhados, com doenças mais descontroladas e agravadas”.

A presidente da Sociedade de Cardiologia no Estado, Tatiane Emerich, frisa que pacientes que suspenderam tratamentos na pandemia podem ter ganhado peso, estar sedentários, com taxas descontroladas e com medicações com dose desajustada. “Isso pode levar à descompensação da doença”.

O coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital das Clínicas, Gustavo Peixoto Miguel, ressaltou que no ano passado foi feito um terço das cirurgias realizadas anualmente. “Este ano, devemos chegar à metade. Os gargalos são os exames pré-operatórios, já que há dificuldade de marcar  ultrassom, ecocardiograma, endoscopia e outros. A fila só aumenta.”

O CFM constatou ainda que mais de 1,5 milhão de mamografias deixaram de ser feitas em 2020. 

“É um número muito grande. Estamos deixando de ter a possibilidade de diagnosticar o câncer de mama no estágio inicial. Vamos diagnosticar em um estágio mais avançado, com menos chance de cura”, afirmou a oncologista Edelweiss Soares, do Neon.

Erro faz aumentar espera

Há quatro anos, o aposentado Orlando Moura, de 78 anos, tenta retirar uma pedra da bexiga. Segundo a filha do idoso, Andressa Moura, desde 2017 a família busca por uma cirurgia.

“Em 2019, ele passou por uma nova consulta. O médico verificou que o pedido de cirurgia havia sido feito para retirar pedra na vesícula. Por causa do erro, demos entrada em um novo processo”.

De acordo com Andressa, em novembro do ano passado, o pai foi chamado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para passar por consulta e fazer os exames pré-operatórios, no Hospital Evangélico de Vila Velha, finalizados em março deste ano.

A filha do aposentado contou que por conta do problema, às vezes, ele urina sangue. “Entrei em contato com o hospital em agosto e fui informada que tinham 68 pessoas na frente dele”.

Por nota, o Hospital Evangélico informou que “o paciente vem recebendo assistência da equipe médica que indicou cirurgia de prostatectomia suprapúbica e deverá ser realizada até o final de outubro deste ano”.

 













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Solução foi pagar

A doméstica Margareth Silva, 56, esperou por  dois anos e meio por uma consulta com oftalmologista na rede pública. “Consegui em julho deste ano fazer o exame de vista.”

Ela ainda contou que a dificuldade foi grande também para realizar uma mamografia. “Esperei por oito meses, mas acabei optando por pagar em uma clínica, pois não dava para esperar mais.”

SAIBA MAIS

Procedimentos

Somente no Espírito Santo, 490.743 procedimentos ambulatoriais – aqueles que não exigem a permanência do paciente na unidade de saúde por mais de 24 horas – deixaram de ser realizados no ano passado, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). Uma redução de 36% se comparado com 2019.

O cfm constatou ainda  a redução de pelo menos 1,2 milhão de pequenas cirurgias.

Mamografia

No país, exames preventivos contra o câncer, por exemplo, também estão entre os que sofreram significativa queda no período. 

A mamografia bilateral para rastreamento, exame realizado nas duas mamas, passou de 3,2 milhões, entre março e dezembro de 2019, para 1,7 milhão no mesmo período de 2020.

Oftalmologia

dados apurados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) apontam que 3,7 milhões de consultas deixaram de ser realizadas no Brasil no ano passado, uma queda de 35%, comparado com 2019. 

No caso das cirurgias, houve uma redução de 390 mil procedimentos, queda de 27%.

Fonte: CFM e CBO.

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