Um medicamento antiviral produzido pela farmacêutica norte-americana Merck Sharp & Dohme (MSD), chamado de molnupiravir, pode reduzir em cerca de 50% o risco de hospitalizações e mortes pela covid-19.
É o que afirma a farmacêutica, que divulgou ontem o remédio, após resultados de testes clínicos. Ela solicitou o uso emergencial nos Estados Unidos e fará o mesmo com outras agências reguladoras do mundo. Mas ainda não houve publicações científicas e revisões dos resultados por pares qualificados.
A proposta da farmacêutica é que o remédio seja administrado via oral, por meio de pílulas, no início da infecção pela covid-19. No corpo, a substância age de forma a inibir a replicação do vírus no organismo.
“Caso seja autorizado o uso, o molnupiravir poderia ser o primeiro medicamento antiviral de uso oral contra a covid-19”, afirmou a Merck, em comunicado.
O fato de poder ser administrado por via oral é visto de forma positiva pelo infectologista Paulo Peçanha, porque é um diferencial diante dos outros remédios no mercado.
“O tratamento por via oral de um medicamento bem tolerado é muito mais fácil do que os antivirais que nós já dispomos hoje, que são todos injetáveis, de alto custo e que precisam ser ministrados em ambiente hospitalar”, destacou.
O infectologista destacou que o medicamento, se aprovado, será complementar à vacinação, e que juntos poderão atuar no combate à pandemia. “É muito importante que a gente continue vacinando”.
Atualmente, no Brasil, os remédios já aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o tratamento da covid-19 são o remdesivir, banlanivimabe e etesevimabe (usados em conjunto); casirivimabe e imdevimabe (usados em conjunto); regdanvimabe e o sotrovimabe. Mas todos são restritos ao ambiente hospitalar.
Os testes da farmacêutica contaram com a participação de 775 pessoas, que tinham sintomas da doença e não estavam vacinadas. Do total, 7,3% dos pacientes que fizeram uso do remédio foram hospitalizados nos 29 dias seguintes.