Em agosto, a Polícia Federal no Estado contará com um novo superintendente: Eugênio Ricas, delegado que atuou por três anos nos Estados Unidos.
Nascido em Belo Horizonte, mas capixaba de coração, Ricas promete linha dura contra os criminosos. “O Espírito Santo precisa combater o crime violento.”
A Tribuna – Quais serão os pilares da nova administração para combater a criminalidade no Espírito Santo?

Qual o outro?
O segundo motivo é de que a corrupção é um dos crimes mais graves para a sociedade. Porque subtrai o dinheiro que poderia ser investido em saúde, educação, segurança, então a Polícia Federal jamais pode se afastar disso. Mas acho também, que a Polícia Federal também precisa combater o crime violento. O Espírito Santo tem sofrido muito com uma enxurrada de armas de grosso calibre, tem sido noticiada com frequência a guerra entre traficantes em morros rivais, e a Polícia Federal precisa focar nesse armamento de grosso calibre e no macro tráfico de drogas porque isso causa muita violência, produz muito homicídio e isso afeta diretamente a vida da população. Aí se você me perguntar os dois pilares, eu diria que é o combate à corrupção, que é a nossa vocação, e também auxiliar a segurança pública.
O que é o macro tráfico?
O Espírito Santo não faz divisa com nenhum país produtor, o Brasil não produz cocaína. A cocaína que entra no Estado, falo dela porque junto com o crack são os grandes problemas da segurança pública, os dois são produzidos na Colômbia, no Peru e na Bolívia. Então, essa droga que chega ao Espírito Santo, a entrada dela precisa ser combatida tanto na fronteira, como na entrada do Espírito Santo. Ela passa pela fronteira do Brasil, mas vai passar depois também pela divisa do Espírito Santo com os demais estados e normalmente essa droga entra por via rodoviária. Então é papel da PF impedir que essa droga chegue aos morros para abastecer e fornecer aos usuários. O tráfico de drogas é que causa o grande número de homicídios no Espírito Santo. Tem que fechar a torneira das armas e das drogas.
Esse serviço já não é feito? Ele tem que ser intensificado?
Ele é feito. Está na nossa atribuição constitucional e precisa continuar sendo feito. A entrada de um novo superintendente não muda a atribuição, mas um detalhe ou outro na gestão, sim, uma coisa ou outra a gente chega com uma ideia de fora. O meu DRCOR, que será o delegado responsável pelo combate ao crime organizado, está vindo comigo dos EUA. É um delegado extremamente profissional, experiente, passou dois anos em El Paso, na fronteira do México, é um policial que tem uma extrema expertise no combate ao tráfico de drogas e de seres humanos, então a gente adequa um pouco com ideias novas, com um ajuste ou outro na gestão, mas a atribuição constitucional da PF se mantém.
Em relação às armas, como elas chegam?
Os dados da PF mostram que em se tratando de armas curtas, elas vêm do Paraguai, claro que existem exceções. E as armas longas vêm pelos EUA. Os fuzis, por exemplo, que são um grande problema para a segurança pública, vêm dos EUA. Entram no Brasil ou por modo aéreo ou por modo marítimo, através dos portos. E a gente precisa identificar esses focos, fazer operações contra a entrada dessas armas no Brasil, no Espírito Santo e depois continuar perseguindo elas nos morros da Grande Vitória, principalmente porque um fuzil tem uma vida útil de 40, 50 anos. Esse trabalho precisa continuar sendo feito depois que o armamento chegou ao traficante.
A Polícia Federal vai então atuar mais nos morros?
Ela vai auxiliar com investigações que vão atacar os armamentos, o patrimônio dos traficantes e o macro tráfico.
Pretende atuar em parceria com PM, PC e Guardas?
Nunca acreditei em trabalho sozinho, principalmente quando se trata de combate ao crime. Juntos, conseguimos resultados melhores. Nos três anos que passei nos EUA, isso virou uma certeza absoluta. Não dá para combater o crime de forma isolada. Nos EUA, após o 11 de setembro, são muito comuns as forças-tarefas. Importante a troca de informações de inteligência e até num futuro próximo, criarmos um modelo de força-tarefa, eu acredito nisso.
O senhor será linha dura contra o crime no Estado? O que acha da Lei de Execução?
Como órgão de aplicação da lei, tem que aplicá-la, não pode se afastar disso. É uma opinião pessoal minha, mas acho que a Lei de Execução Penal tem que ser mudada. Não dá para a gente continuar convivendo com saidinhas, com indivíduo que é condenado a 12 anos de prisão porque cometeu homicídio e sai com quatro. Isso é um incentivo à impunidade, à prática de novos crimes. Isso tem que mudar.
O senhor tem aspirações políticas para o futuro?
Não tenho. Nunca fui filiado a partido político, o superintendente da PF é uma função impedida de participar de qualquer pleito eleitoral. Para mim, estar liderando uma equipe de policiais federais no Espírito Santo ultra qualificada é uma alegria, uma honra gigantesca. Não poderia querer mais para a minha carreira do que isso.
PERFIL
Eugênio Ricas
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Delegado da Polícia Federal, Eugênio Ricas tem 45 anos, sendo três deles atuando como adido, espécie de representante diplomático da PF nos EUA.
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Nascido em Belo Horizonte, mas capixaba de coração, ele já foi secretário de Justiça no primeiro governo de Renato Casagrande (PSB) e secretário de Controle e Transparência no último mandato de Paulo Hartung (sem partido).
- Ricas assume o lugar de Jairo Souza da Silva.