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Mesmo curados da Covid, 493 mil no Estado precisam fazer exames

Entrar para as estatísticas de quem venceu a batalha contra a Covid-19 certamente é uma vitória e uma sensação de alívio. Só que, após vencer essa ...

Mesmo curados da Covid, 493 mil no Estado precisam fazer exames
- Governo avalia dar auxílio financeiro para órfãos da Covid-19

Última atualização

Muitas pessoas têm enfrentado as sequelas deixadas pela doença (Foto: Freepik)

Entrar para as estatísticas de quem venceu a batalha contra a Covid-19 certamente é uma vitória e uma sensação de alívio. Só que, após vencer essa etapa, muitas pessoas têm enfrentado um novo desafio: as sequelas deixadas pela doença.

No Estado, 493.135 já se recuperaram da Covid-19, mas médicos orientam, por precaução e até mesmo para tratar das sequelas, que sejam monitorados e submetidos a exames, independente dos sintomas. O tempo vai depender de cada caso, mas, em média, pode variar de três meses a um ano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada 10 pessoas que contrai a Covid-19 desenvolve a chamada síndrome pós-Covid, ou seja, 10% dos curados, o que equivale a cerca de 49 mil no Estado.

Entre as queixas mais frequentes e “achados nos exames”, estão dor no peito, tontura, depressão e ansiedade, hipertensão, pré-diabetes, queda de cabelo, entre outras.

Pacientes que tiveram Covid-19 também podem sofrer com trombose semanas ou meses após a infecção, de modo que a incidência chega a ser três vezes maior em quem experimentou casos severos da doença, como destaca a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Carolina Conopca, oncologista da Medquimheo, expõe as principais sequelas apresentadas, seja por aqueles que tiveram a forma grave da doença e precisaram de internação, ou para os casos mais leves e assintomáticos.

“Em estudos clínicos, os sintomas mais comuns são fadiga, recuperação incompleta da função olfativa, alteração do paladar, problemas para respirar durante atividades que exigem maior esforço, lapsos de memória, insônia. Sem contar que problemas crônicos ou sequelas em outros órgãos não são notados tão facilmente e podem se agravar ao longo do tempo.”

Para ela, algumas sequelas podem não apresentar sintomas evidentes, como as relacionadas à saúde mental, que inclui estresse pós-traumático, ansiedade e depressão. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Sociedade de Neuro-Oncologia da América Latina, também chama a atenção para as sequelas neurológicas.

Um estudo com 44 pacientes curados da Covid-19, sendo 32 homens e 12 mulheres com idade média de 51 anos, mostrou que variadas comorbidades podem surgir no organismo de quem enfrentou a doença na forma grave.
Coordenado pelo professor da Universidade Federal do Estado, José Geraldo Mill, e realizado pela médica e professora do Departamento de Clínica Médica da Ufes, Jéssica Polese, o estudo, iniciado em setembro de 2020, avaliou a função pulmonar na pós-recuperação. Porém, outros sintomas foram detectados nos exames realizados 30, 90 e 180 dias após a alta hospitalar.

Sintomas por mais de seis meses

 (Foto: Kadidja Fernandes - 27/04/2021)

Em agosto do ano passado, a estudante Ana Francisca do Nascimento Dias, de 20 anos, foi diagnosticada com Covid-19 e os sintomas persistiram por mais de seis meses. “Os primeiros cinco meses foram terríveis. De setembro a fevereiro, eu senti as sequelas”.

Após a Covid, passou a apresentar episódios frequentes de dor de garganta e de cabeça, tontura e lapsos de memória. Ana cita que fez uma receita na cozinha e, pouco tempo depois, quando foi reproduzi-la, já não lembrava dos ingredientes. Após quase um ano do diagnóstico, ela relata que, vez ou outra, ainda sente fadiga.

Estudo da Ufes aponta sequelas da Covid-19

A médica Jessica Polese diz que as preocupações do dia a dia afetam a qualidade do sono (Foto: Thiago Coutinho/AT (23/04/2019))“Nos primeiros 30 dias, os pacientes estavam com muitas lesões. Após seis meses, apresentaram melhora, mas ainda com muitas queixas que não sabemos se vão resultar em sequelas definitivas ou não”, disse Jéssica Polese.

Nos exames dos 180 dias, pelo menos 25% apresentaram alguma queixa relacionada a dores musculares, 17% relataram dispneia, 13%, tosse, 7%, dores de cabeça e 10%, dores generalizadas no corpo.

A saúde mental também foi avaliada: preencheram critérios de depressão 28%, de ansiedade, 36%, de fadiga, 44%, e afirmaram que dormem mal 44% do total.

Os exames laboratoriais mostraram prevalência significativa de hiperglicemia. Alguns pacientes que não tinham histórico da doença ao final de seis meses estavam no estágio de pré-diabetes, o que poderá resultar em grande número de diabéticos no pós-pandemia.

Para avaliar a função pulmonar, foram excluídas pessoas com problemas respiratórios e fumantes. Dos que participaram dos testes, 15% ainda apresentaram algum grau de disfunção pulmonar leve, seis meses após a cura da Covid-19.


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Os números

A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que uma em cada 10 pessoas que contrai a Covid-19 desenvolve a chamada síndrome pós-Covid, ou seja, 10% dos curados.

493.135 pessoas estão curadas da doença, segundo dados do Painel Covid-19, da Secretária de Estado da Saúde (Sesa), mas, independente de sintomas, devem ser avaliadas por médicos por causas de eventuais sequelas;

49 mil aproximadamente, tiveram sequelas.

Algumas sequelas

Doenças cardíacas

  • A infecção pela Covid-19 pode afetar diretamente o coração, causando uma inflamação no músculo do órgão, que é a miocardite, tanto em pacientes que não apresentaram um quadro grave e até os assintomáticos, segundo o cardiologista André Brandão.
  • Como esse músculo é responsável pela contração do coração, a inflamação acaba prejudicando o bombeamento do sangue pelo corpo. Com isso, ele predispõe a formação de insuficiência cardíaca de forma aguda, levando a uma complicação grave da doença.
  • Outros sintomas podem se manifestar, como a arritmia cardíaca, além de complicações como a piora da hipertensão arterial e o surgimento de hipertensão devido à Covid-19.

Pré-diabetes

  • Exames realizados em pacientes que entraram nas estatísticas de curados da Covid-19 e não tinham histórico da doença mostraram que, ao final de seis meses, estavam no estágio de pré-diabetes.
  • “Podemos ter um problema de saúde pública no pós-pandemia, com grande número de diabéticos”, alertou a médica e professora do Departamento de Clínica Médica da Ufes, Jéssica Polese.

Problemas neurológicos

  • Entre as queixas mais comuns de quem teve Covid-19 estão cefaleia, tontura frequente, perda de memória (geralmente em fração de segundos), dificuldades de concentração e insônia, entre outras.

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