Mais um capítulo histórico para o Brasil nos Jogos Olímpicos: a atleta Rebeca Andrade conquistou, nesta quinta-feira (29), a inédita medalha de prata na Ginástica individual geral. A nota geral dela foi 43.632.
Ao som de “Baile de Favela”, que conquistou os torcedores na fase classificatória, Rebeca passou pelo solo na última etapa cometendo erros. Chegou a pisar duas vezes fora da marcação e perdeu décimos por isto, mas não o suficiente para fazer com que ela perdesse a medalha.
Rebeca chegou a liderar o ranking após as provas da trave.
A medalha de Ouro ficou com a norte-americana Sunisa Lee (43.733). Já o bronze ficou com a russa Vladislava Urazova (43.566 pontos).
A brasileira, que nos Jogos do Rio tinha ficado na 11ª posição no individual geral, totalizou 57.298 pontos na soma dos quatro aparelhos, ficando na segunda posição. Rebeca ainda vai atrás de mais dois pódios no Japão porque está nas finais de salto e do solo.
Quem é Rebeca Andrade?
A paulista de Guarulhos, de 22 anos, pareceu não ter sentido a pressão por um bom desempenho, que aumentou depois de a favorita Simone Biles desistir de competir para cuidar de sua saúde mental. Mesmo sem a melhor ginasta da atualidade na disputa, Rebeca deu um show de talento e conquistou um resultado histórico no Centro de Ginástica de Ariake.
O resultado em Tóquio coroa uma atleta que sempre foi muito talentosa, mas teve problemas de lesão que a tiraram de eventos importantes. Mas agora, bem fisicamente, mostrou ao mundo suas qualidades e ganhou aplausos ao se apresentar no salto, barras assimétricas, trave e no solo ao som instrumental de “Baile de Favela”.
Rebeca poderia ter tido uma projeção maior antes não fossem as graves lesões que sofreu. Em 2019 ela foi submetida a uma terceira cirurgia no joelho direito (ligamento cruzado anterior) que a deixou fora do Mundial. Por causa de uma lesão idêntica dois anos antes, ela também perdeu o Mundial e os Jogos Pan-Americanos de Lima.
Por causa da pandemia de covid-19, veio o adiamento para os Jogos de Tóquio e isso para ela foi bom, porque ela pôde se recuperar ainda mais da lesão e ganhar ritmo de competição. Acabou se classificando para a Olimpíada no Campeonato Pan-Americano, realizado no Rio, mostrando séries boas nos aparelhos.
Rebeca começou na ginástica artística em Guarulhos. Sua tia estava trabalhando no Ginásio Bonifácio Cardoso e descobriu que haveria um teste. A mãe da garota permitiu que ela fizesse o teste e foi aprovada logo quando tinha 4 anos. Por ser forte e veloz, logo mostrou que tinha aptidão para aquilo.
Ela treinou por cinco anos lá, entre 2005 e 2010. Mas passou por muitas dificuldades. De família humilde, muitas vezes não tinha como ir até o local para treinar. A mãe trabalhava como empregada doméstica para cuidar dos oito filhos. Mas desde o início ela recebeu bastante ajuda, tanto dos treinadores quanto dos familiares.

