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Empresária sobrevive após coração parar por 16 minutos: “Deus tem algo para mim”

Quantos minutos uma pessoa pode sobreviver sem batimento cardíaco? Médicos acreditam que a partir dos três minutos algumas sequelas podem ser ...

Cintia Schiavini desmaiou em um local onde estavam três médicos

Última atualização

Quantos minutos uma pessoa pode sobreviver sem batimento cardíaco? Médicos acreditam que a partir dos três minutos algumas sequelas podem ser graves.

Pois em Cachoeiro de Itapemirim, uma empresária conseguiu sobreviver sem comprometimento na saúde, apesar do coração ficar parado por 16 minutos.

Era para ser mais um dia de trabalho para a profissional de educação física e empresária Cintia Schiavini, de 47 anos. Ela acordou cedo, às 5h30, e chegou ao trabalho às 6 horas. Só que, sem nenhum sintoma, às 7h15, sofreu uma morte súbita abortada, uma arritmia cardíaca que impede o coração de bombear o sangue para o cérebro e para órgãos vitais.

O fato ocorreu no dia 13 de julho. No momento que desmaiou havia três médicos no estúdio dela, o Centro de Treinamento e Avaliação Cintia Schiavini. Eles iniciaram imediatamente o procedimento de reanimação, com massagem cardíaca. Foram 16 minutos, até que os batimentos cardíacos retornaram.

Uma equipe do Samu 192 socorreu a empresária e a levou para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Unimed. Cintia foi intubada e só foi acordar dois dias depois. Ela ficou internada no hospital e passou por uma cirurgia para implante de cardiodesfibrilador interno subcutâneo, na quarta-feira passada.

O procedimento, que introduz o aparelho na região do tórax, logo abaixo na pele, ocorreu pela primeira vez no Sul do Estado. De acordo com a equipe médica, esta é uma alternativa menos invasiva.

Cintia Schiavini desmaiou em um local onde estavam três médicos (Foto: Acervo Pessoal)Em recuperação da cirurgia, Cíntia ressalta que está se sentindo bem, com vontade de retornar ao trabalho. “Alimento-me normalmente, durmo. Não tomo medicação alguma, apenas remédio para dor em virtude da cirurgia. Quero retornar à minha vida normal”, disse.

A empresária reconhece que ainda não conseguiu assimilar o que aconteceu e que seu caso pode ser considerado um verdadeiro milagre.

“Eu fiquei muitos minutos em morte súbita. Por ser educadora física e estudar a área da neurociência, tenho consciência de que tive anjos e que o milagre maior foi eu ter saído disso tudo sem sequelas”, afirmou.

“Acredito que meu caso foi um milagre”

A Tribuna – O que você consegue se lembrar daquele dia?
Cintia Schiavini – Foi uma terça-feira normal. Lembro-me de sentar-me em frente ao computador e daí só me recordo de acordar no hospital, na quinta-feira.

O que fez com que saísse sem sequelas após o coração parar por 16 minutos?
A ciência não explica. No mínimo, eu estaria com alguma sequela neurológica. Então acredito que foi um milagre mesmo. Deus tem alguma coisa para mim aqui ainda. Cuido de pessoas, trabalho com educação física para a promoção da saúde e acredito que ainda tenho muita coisa para fazer. No mínimo, não estaria aqui hoje falando com você. Tenho duas datas de aniversário agora, dia 5 de outubro, quando nasci, e no dia 13 de julho.

Cintia: felicidade ao lado da família (Foto: Acervo Pessoal)Nesse momento, como está se sentindo?
Estou bem. Alimento-me normalmente, durmo. Não tomo medicação alguma, pois não tenho problema cardíaco, apenas remédio para dor em virtude da cirurgia. Não me lembro de todas as coisas, minha memória ainda está um pouco perdida. Mas não é nada, frente ao que passei.

E quanto ao trabalho?
Estou afastada porque tenho de voltar ao cirurgião para retirar os pontos e ao médico para ver se o aparelho está funcionando bem. Até semana que vem estarei em casa, quieta. Mas pretendo retornar o mais rápido possível. Voltar às minhas atividades, trabalhar, ter minha vida social e profissional, voltar a viajar, seguir minha vida.

O que você pode dizer sobre a ação dos três médicos que te atenderam?
Deus colocou os três médicos naquele momento. Foram decisivos. Apesar de eu ter ficado 16 minutos parada, eles não desistiram de mim. Por isso que falo que são meus anjos.

Essa experiência de alguma forma vai mudar sua vida?
Minha vida é maravilhosa. Trabalho com o que amo. Tenho uma família por quem sou apaixonada. Minha rotina de trabalho é de 14 horas diárias, mas amo o que faço. Minha vida não vai mudar em nada. Sei que tenho um aparelho dentro de mim, é como se fosse um air-bag, se eu precisar, ele vai acionar. Pode ser que precise amanhã ou daqui a 40 anos.

O que pode dizer disso tudo que passou?
Uma das coisas pelas quais me propus a falar é para que as pessoas entendam que minha melhora tão rápida, além do contexto envolvido, dos médicos, é por eu ser uma pessoa saudável, que pratica exercícios, que se alimenta bem. Isso é um ponto que me fez recuperar rapidamente. E também quero alertar sobre a importância de empresas, como supermercados, escolas, universidades, terem um desfibrilador, pois ocorre muita morte súbita no Brasil.

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