Depois de apresentar reajuste de 100% para o gás canalizado, a Petrobras reviu suas propostas e vai deixar o aumento em 50% em cima dos preços para as distribuidoras. Embora a estatal tenha reduzido o reajuste, o percentual ainda é elevado.
No Estado, por exemplo, o preço desse insumo deve ficar 10% mais alto, de acordo com o presidente da Companhia de Gás do Espírito Santo (ES Gás), Heber Resende. Com isso, mais de 65 mil pessoas – entre motoristas, condôminos, empresários e comerciantes – serão afetadas pelo aumento do combustível.
“Esse é um reajuste que nos preocupa, pois comprar a molécula de gás em um valor alto pode acarretar tarifas maiores para os clientes, já que a tarifa da companhia é composta por quatro fatores, sendo o mais relevante deles a molécula de gás, atualmente responsável por 53,67% do valor praticado”, disse Resende.
Ele explicou que no contrato de concessão com a Petrobras, a ES Gás prevê mecanismos de controle, cujos objetivos são buscar as melhores condições para os clientes, além de ganhos de eficiência, como é o caso da chamada pública para a aquisição de gás.
“Por isso, toda alteração nas condições de aquisição merece nossa atenção, para que possamos assegurar aos capixabas uma tarifa competitiva”, alertou.
Segundo Heber, dois aspectos essenciais na formação do preço da molécula estão em uma situação desfavorável: o preço do petróleo brent e o câmbio. Dessa forma, acontece um repasse de situações adversas de um agente para outro da cadeia.
“Por isso, estamos negociando, junto à Associação Brasileira de Gás (Abegás), uma melhor condição de aquisição, questionando as práticas da Petrobras junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, disse.
Repasse
Em relação ao aumento de 50% previsto para janeiro, Resende disse que, junto às outras distribuidoras, está buscando a melhor solução antes do repasse efetivo da Petrobras.
“Estamos, como as demais distribuidoras de gás natural do Brasil, preocupados, considerando que a Petrobras ainda é o principal supridor desta fonte energética. Envidamos esforços para garantir as melhores condições de aquisição, a fim de que a oferta seja igualmente competitiva”, enfatizou Resende.
|
Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Estilo:
Distribuidoras entram com ação contra o aumento
Após receber o repasse da Petrobras na semana passada, a Associação Brasileira de Gás (Abegás), que reúne distribuidoras de todo o País, mantém uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando a petrolífera de práticas que ferem a concorrência.
Por meio de nota, a Abegás informou que “a nova proposta ainda gera forte impacto para o mercado, que convive com um cenário de retomada econômica abaixo do ritmo esperado. Além disso, o mercado ainda encontra barreiras para uma abertura efetiva, o que vem afetando as condições de competitividade de preço da molécula”.
A associação disse ainda que mantém, junto ao Cade, “o requerimento de manutenção das condições contratuais vigentes até a devida análise de todas as questões de mercado e de possíveis ações anticompetitivas do agente dominante para impedir que outros agentes possam oferecer a molécula de gás”.
E completa: “As distribuidoras de gás canalizado reiteram seu empenho em preservar a segurança energética do País, com a solução de continuidade do suprimento e a abertura do mercado de gás natural”.
Restaurantes promete esforço
O presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares), Rodrigo Vervloet, afirmou que os proprietários de bares e restaurantes serão duramente afetados com a alta no preço do gás encanado, mas que vão se reinventar para garantir a clientela.
“Apostaremos em promoções para incentivar o consumo. Cozinhar está muito caro e o preço do gás já está nas alturas. Esse novo aumento vai exigir um pouco mais do nosso setor”, afirmou.
Vervloet disse ainda que cabe agora uma mudança de comportamento ao cozinhar, como a concentração no preparo de alimentos similares e em maior escala, em poucos períodos do dia, em vez de cozinhar quantidades pequenas várias vezes.
“Também é preciso dimensionar melhor a quantidade de alimentos que precisam ser preparados, reduzindo a quantidade de utilização do gás”, detalhou o presidente, que deu ainda um aviso extra sobre o consumo do gás.
“Também vamos verificar a quantidade de comida servida e fazer ajuste nas porções que julgarmos com excesso de quantidade”.
Entenda
Primeiro aumento
- Em abril, a Petrobras anunciou aumento de 39% no preço do gás natural.
- Esse ajuste começou a valer a partir de 1º de maio deste ano.
- Recentemente, a estatal propos que dobraria o preço do gás natural.
Reajuste
- Na manhã de terça (30), a empresa recuou e ofereceu reajuste de 50% aos distribuidores.
- No Estado, o insumo deve ficar 10% mais caro a partir de janeiro de 2022.
- Esse aumento deve afetar mais de 65 mil pessoas (entre motoristas, condôminos, empresários e comerciantes).
Ação administrativa
- Após receber o repasse da Petrobras, a Associação Brasileira de Gás (Abegás), que reúne distribuidoras de todo o País, mantém uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando a petrolífera de práticas que ferem a concorrência.
- A ES Gás está negociando, junto à Associação Brasileira de Gás (Abegás), uma melhor condição de aquisição do insumo.
Fonte: Pesquisa AT.