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O que poderia unir um país tão polarizado politicamente, ainda mais após período de isolamento social? O cantor e compositor capixaba Douglas Lopes, 38, tem uma resposta: “A Fogueira”, seu 1º disco solo, com oito canções otimistas e sentimentais.
“Desde os primórdios, a fogueira é símbolo de união. O conceito vem desse desejo de provocar essa união que tanto perdemos por tantos motivos. Esse álbum vem para aquecer os corações e trazer todo mundo para perto novamente”, explica, ao AT2, uma das promessas da nova MPB, que conta com mais de 270 mil ouvintes no Spotify.
A partir da ideia, obtida após assistir a uma palestra do ex-executivo da indústria fonográfica Pena Schmidt, ele começou o resgate de composições escritas durante sua trajetória musical, iniciada há duas décadas.
“Escolhi canções que pudessem ser tocadas em volta de uma fogueira e que traziam mensagens otimistas, que conversam com o momento atual”, lembra ele, que é natural de Jerônimo Monteiro.
“Depois que o Mundo Acabar” estava entre essas músicas guardadas. “Compus há nove anos, quando nem imaginava que isso tudo fosse acontecer no mundo”, revela.
Tão esperançosas quanto, estão os singles “Abra As Cortinas” e “Pra Sorrir”, interpretada ao lado de Nano Vianna. “Recebo mensagens muito fortes sobre ‘Pra Sorrir’, de pessoas que só se levantam da cama para viver ouvindo essa canção. Fico lisonjeado, mas também assustado por conta dessa conexão”.
Nano aparece mais uma vez no álbum, mas como coautor da faixa-título, junto de Douglas e Amaro Lima. A música foi a única escrita durante o processo de produção do projeto. “Ela fala justamente sobre esse fogo que clareia e, ao mesmo tempo, esquenta os corações”.
Após a concretização do sonho de lançar seu 1º disco solo, o capixaba se prepara para realizar mais um desejo: a montagem de um show baseado no trabalho.
“O espetáculo terá dois formatos: um com banda e outro mais intimista. É um show roteirizado, temático, que vai celebrar essa minha jornada musical. Pensamos em lançar no primeiro trimestre de 2022, estamos nessa expectativa”, salienta.
ENTREVISTA – DOUGLAS LOPES
AT2 – Qual é a sensação de ver seu 1º disco solo no mundo?
Douglas Lopes – Estou flutuando ainda, tentando entender. Lancei muitos singles, um EP, mas o álbum é o momento em que você consegue contar uma história mais completa, com conceito. É um grande sonho, estou realizado!
Sua carreira solo é marcada por músicas que tratam de causas sociais.
Apesar de ser músico há 20 anos, comecei a carreira solo em 2019. Quando pensei nesse recomeço como Douglas Lopes, decidi começar por canções que abordassem questões sociais, de inclusão social e preocupação ambiental. Sou sensível a essas questões. Então, isso acabou virando uma marca que me orgulha muito.
Mas, em “A Fogueira”, falo de forma mais ampla, de sentimentos, sejam eles leves ou não, relacionados à união das pessoas.
Gosta de juntar sua tribo para ouvir suas letras?
Demais! Não sou um cara de muitos amigos, mas os que tenho são muito fiéis, e a gente já se reuniu para ouvir histórias e canções. Ainda não rolou com “A Fogueira”, por conta da pandemia, mas vai acontecer.
Prefere trabalhar entre amigos?
Sempre escolho trabalhar com pessoas próximas. Mas há muitas pessoas envolvidas nesse CD. Tive a honra de receber músicos que sou fã, como o guitarrista Thiago Arruda, que acompanha Ed Motta, além de Chico Chagas, um mestre do acordeon, e Gabriel Ruy e Oziel Netto, que tocam com o Silva.
E existem dois convidados muito queridos: Nano Vianna e Heviny Moura. São dois artistas gigantes, maravilhosos. Quando estamos juntos, é sempre uma alegria!
Também me aproximei muito do produtor musical Leonardo Chamoun. Começamos a produção do álbum na pandemia, em março deste ano, e é um processo complexo. Havia semanas que o encontrava, praticamente, todos os dias.
Tem contrato com a ONErpm, uma das maiores distribuidoras digitais do mundo, mas ainda é um artista independente. O que faz a chama da paixão pela música não se apagar?
Só tenho uma definição: propósito. Entendi que o meu é usar a música para mudar esse mundo para melhor. E, de fato, é uma batalha diária ser artista no Brasil, ainda mais independente, com todas as limitações financeiras e de reconhecimento.
Às vezes, me sinto pouco abraçado pelo Espírito Santo, e muitos colegas se sentem assim também. A maioria da minha audiência é de fora do Estado. Sinto muito por isso, porque tenho tanto orgulho de ser capixaba, e é um abraço tão acalentador, que nos dá tanta força…
Onde nasceu?
Nasci em Jerônimo Monteiro e morei em Vitória por 20 anos. Agora, na pandemia, me mudei para Anchieta, cidade que frequento desde novo. Na pandemia, eu e minha família ficamos muito sufocados e decidimos ir para um lugar mais calmo. Inclusive, estávamos com vontade de voltar para Vitória agora, mas acho que vamos adiar…
“Nada melhor que um dia após o outro”, como canta em “Sufoco”?
Essa música fala que dias melhores estão vindo. E eu acho isso. Tomara que tudo isso seja só um sufoco e a gente possa seguir adiante.