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“Não foi fácil, mas eu tenho sonhos e isso me motivou”. A afirmação é de Vitor Nunes Alvarenga, de 29 anos, que driblou as dificuldades impostas pela pandemia e conquistou o sonhado diploma de Engenharia Civil.
Ele foi personagem de uma matéria que A Tribuna fez no ano passado. Perdeu o estágio por conta da crise e resolveu investir na produção de pães e pizzas para conseguir pagar a mensalidade da faculdade. A colação de grau foi na última sexta-feira (24), depois de sete anos de curso.
Vitor é morador de Vitória. Ele conta que a Engenharia Civil surgiu em sua vida após crescer ajudando tios, que eram pedreiros, em obras de casa.
“Me despertou por conta disso. Por ver surgir uma casa a partir desse processo de construção, dessa ciência da Engenharia Civil, eu quis esse curso”, disse Vitor.
Ele começou a cursar Engenharia Civil em 2014 e era contemplado pelo Fies, mas perdeu o benefício ao reprovar em algumas disciplinas. “O curso não é fácil. Eu reprovei em algumas disciplinas e acabei perdendo o financiamento”, relatou.
Ele já estagiava na área e precisou ir para outra universidade, em que a mensalidade era menor, e conseguiu pagar com o salário do trabalho. No entanto, no caminho de Vitor apareceu a pandemia e ele perdeu o estágio.
Auxílio
Em vez de desistir, o universitário utilizou o auxílio emergencial do governo federal para empreender e criou a “Vitão – Padaria Artesanal”. Ele já havia feito curso de panificação pelo programa Qualificar ES e aprendeu a fazer pizza em outro curso do Senai.
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Com o dinheiro das vendas dos produtos, conseguiu voltar à primeira faculdade e, pegando poucas disciplinas em cada semestre, terminou o curso.
“Fui pegando poucas disciplinas para a mensalidade não ficar alta. Minha rotina era difícil. Às vezes, dormia às 3 horas e acordava às 5 para produzir os pães. Ainda tinha que conciliar com o curso”, relatou.
Desde março, Vitor trabalha como auxiliar de almoxarifado em um hospital de Vila Velha e busca oportunidade na área de formação.
“Até para adquirir experiência e futuramente abrir minha própria consultoria. A pandemia me ensinou o quão importante é superar nossos obstáculos”, afirmou.
“Dormia às 3 e acordava às 5 horas”, diz Vitor
Em busca do sonhado diploma do curso de Engenharia Civil, Vitor Alvarenga Nunes, de 29 anos, encontrou obstáculos em seu caminho, mas conseguiu vencer.
Vendendo pães e pizzas para pagar a faculdade, ele conseguiu se formar.
A Tribuna – Por que escolheu a Engenharia Civil?
Vitor Alvarenga — Cresci ajudando familiares em construções de casas. Me despertou por conta disso. Por ver surgir uma casa a partir desse processo de construção, dessa ciência da engenharia civil, eu quis esse curso.
Como foi esse processo de entrar na faculdade e cursar engenharia?
Não foi nada fácil. De início fiz pelo Fies, mas, pela dificuldade do curso, acabei perdendo o financiamento. Tive que pedir transferência para outra instituição, onde a mensalidade estava mais em conta. Depois, resolvi pagar a faculdade com o estágio. Com a pandemia, o estágio acabou me dispensando. A partir disso, passei a empreender para conseguir pagar a mensalidade.
Dormia às 3 horas e acordava às 5 para produzir os pães. Anunciava no grupo do bairro e fui conseguindo pagar meu curso. Voltei para a minha primeira faculdade e pegando poucas disciplinas, para não ficar muito caro. Fui conseguindo pagar o curso.
Qual foi sua rotina durante esse período?
Eu tinha que conciliar faculdade e vendas de pães e pizzas e nem sempre era fácil. No início, pensei que talvez não daria certo, mas acabou que consegui vender.
Onde aprendeu a fazer pães e pizzas?
Havia feito curso de panificação pelo programa Qualificar ES e aprendi a fazer pizza em outro curso do Senai. Mas também sou curioso. Assistia a muitos vídeos no Youtube, onde aprendi muita coisa na cozinha.
Continua produzindo os pães e pizzas?
Não. Em abril, consegui um emprego e passei a pagar a faculdade com esse salário.
Quais os planos e sonhos?
Continuo em busca de oportunidade de emprego na minha área, para adquirir experiência para futuramente abrir minha própria consultoria.
O que aprendeu com tudo isso?
Me mostrou que, quando você quer alcançar seus objetivos, nada te impede. É possível realizar seus sonhos.
Foi um aprendizado gigante diante de uma pandemia, nessa crise que estamos passando.
Me ensinou também em como você pode gerenciar seu próprio negócio. Me formei na semana passada e foi um peso que tirei das minhas costas. Foi muito emocionante, gratificante.