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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

“Muitos pais transmitem o que viveram na infância”, diz especialista

Segundo a polícia, a maioria dos casos graves de violência doméstica contra crianças e adolescentes é cometida pelos próprios pais das vítimas

Psiquiatra Valber Dias Pinto: “Trata-se de uma verdadeira covardia”

Última atualização

É difícil acreditar que pai ou mãe sejam capazes de agredir ou até mesmo matar o filho, ainda mais se tratando de uma criança. Mas, segundo a polícia, a maioria dos casos graves de violência doméstica contra crianças e adolescentes é cometida, infelizmente, pelos próprios pais das vítimas.

Mas o que leva uma mãe ou um pai a agredir tanto um filho a ponto de tirar a vida dele? Para especialistas, muitos dos agressores carregam consigo traumas vividos na infância. 

De acordo com a Polícia Civil, parte dos autores das lesões corporais cometidas contra crianças e adolescentes afirma, na delegacia, que agrediu o filho para educá-lo.

“O pai usa essa fala, mas a única verdade nisso é que realmente eles repetem uma história de agressão que vivenciaram na infância e que vai se repetindo na vida do filho”, afirmou o psiquiatra Valber Dias Pinto.

 













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Além dos traumas vividos na fase infantil, o psiquiatra lembra que outros fatores também contribuem para um possível exagero na hora da disciplina.

“Às vezes, a pessoa está enfrentando problemas emocionais e acaba descontando isso em  crianças, mulheres e idosos, que são as partes mais frágeis. Trata-se de uma verdadeira covardia”, disse o especialista.

Para o advogado criminalista Leonardo Barbieri, a redução nos casos de violência contra crianças e adolescentes está ligada às questões sociais e de educação. Ele também acredita que muitos pais acabam trazendo consigo o que viveram na infância.  

“Muitos vivenciaram essa situação, com um sistema mais rígido e intolerável, e querem  transmitir isso a seus filhos, o que não se admite mais  hoje em dia”. 

Para ele, a educação e o acompanhamento familiar, inclusive pelos membros da escola, possibilitam uma visualização mais de perto dos casos que acontecem dentro do lar.

“Toda e qualquer violência cometida contra essas vítimas deveriam ser agravadas em seu tipo penal, principalmente com modificação legislativa possibilitando a perda dos benefícios permitidos por lei”, disse. 

Advogado criminalista e especialista em criminologia, Flavio Fabiano lembrou que o Estatuto da Criança e do Adolescente já traz muitas medidas de proteção a  crianças e  adolescentes. 

“No entanto, na prática, a sua aplicação não é muito efetiva quanto aos direitos, à proteção em si, executando-se, única e tão somente, em relação aos menores infratores”, disse o especialista.

Estupro lidera entre adolescentes

A maioria dos crimes denunciados na Delegacia Especializada de Proteção  à Criança e ao  Adolescente (DPCA) está relacionada à dignidade sexual. E entre as principais vítimas, segundo a Polícia Civil, estão adolescentes de até 12 anos. 

“Os crimes que envolvem lesão corporal e maus-tratos também acontecem com frequência contra este tipo de público”, disse o delegado adjunto da DPCA, Diego Bermond.

Familiares

Sobre os autores dos crimes, o delegado informou que são pessoas próximas das vítimas ou que moram em suas casas, como padrastos, avôs, tios, entre outros graus de parentesco.

De janeiro a novembro deste ano, pelo menos 1.379 casos de estupro, envolvendo mulheres adultas, crianças e adolescentes, foram registrados no Estado. O levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) equivale a quase quatro casos por dia.

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