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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, participou do Encontro Nacional dos Juristas da Justiça Eleitoral, em Vitória, na manhã desta sexta-feira (3), e, durante uma coletiva de imprensa, afirmou que tem compartilhado os meses finais de sua gestão com seu sucessor Edson Fachin e com o ministro Alexandre de Moraes.
“Nós estamos renovando parcerias que fizemos em 2020 com todas as plataformas tecnológicas e com todas as mídias sociais, com previsões específicas de enfrentamento a comportamentos coordenados inautênticos, que basicamente significa o uso de robôs, de perfis falsos e de “trolls”, que é uma maneira de replicar a desinformação e o ódio. Esse deve ser o principal instrumento de combate à desinformação, você reprimir os comportamentos inautênticos, em que robôs tentam amplificar a notícia falsa ou o discurso de ódio. Isso é relativamente fácil de controlar por meio tecnológicos. Portanto se deve dar preferência a essa via porque ela não envolve o controle de conteúdo”, disse o presidente do TSE.
Ainda de acordo com Barroso, alguns conteúdos devem ser controlados porque a rede social não pode ser um espaço para “para pedofilia, para discursos de ódio racial”. No entanto, segundo ele, o debate político deve ser “livre e robusto e ninguém pensa em censurá-lo, portanto precisa se traçar uma linha adequada de onde começa o ódio e a desinformação deliberada para não afetarmos a liberdade de expressão”.
“Página virada”
Questionado sobre os ataques ao sistema eleitoral utilizado no Brasil, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso afirmou que acredita ser uma “página virada”, mas que todo o investimento feito para recuperar a imagem e credibilidade das urnas eletrônicas poderia ter sido voltado para temas mais importantes dentro da esfera eleitoral.
“Eu acho que o sistema (eleitoral) esteve sobre um ataque diário, durante meses, portanto, algum abalo sofreu na sua credibilidade. Injusto, com acusações falsas, porém uma pesquisa do Datafolha revelou que cerca de 20%(da população tinham dúvida. Felizmente é bastante pouco tendo em vista a virulência da campanha com a difusão de informações falsas e de especulações totalmente irresponsáveis. Quando o Tribunal exigiu que se apresentassem provas, não apareceram provas, mas algum abalo teve e nós fizemos um grande investimento na recuperação da imagem e da credibilidade”, afirmou.
Barroso ainda continuou: “Constituí uma comissão de transparência com toda a sociedade civil lá dentro para ver que não tem nada para esconder. Acho que felizmente, essa é uma página virada, mas infelizmente, no Brasil, a gente gasta muita energia com as causas erradas, tanta coisa importante acontecendo, mesmo em matéria eleitoral. Nós queríamos ter discutido questões como o aumento da participação feminina nos órgãos dirigentes dos partidos, por exemplo, mas tivemos que gastar energia com um falso problema”.