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"PÃO DO ANJO"

Fazer pãozinho vira terapia após câncer

A cozinheira Daniela Ribeiro de Assunção, de 52 anos, encontrou na preparação de pães a motivação para a luta contra a doença

Daniela na preparação dos pães artesanais: “A resposta positiva dos clientes mexe com minha parte afetiva”, diz

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Força de vontade, dedicação e uma pitada de amor. São esses os ingredientes que a cozinheira Daniela Ribeiro de Assunção, de 52 anos, usa na preparação do “Pão do Anjo”, que a tem ajudado a enfrentar o câncer de mama, descoberto há dois anos.

Em 2019, quando tinha 50 anos, ela foi diagnosticada com o tumor e, desde então, essa receita artesanal tem funcionado como uma terapia e tem auxiliado no combate à doença.  

“Preparar pãezinhos artesanais faz eu me sentir útil e funciona como uma terapia, que me ajuda a esquecer a doença”, explicou Daniela.

“A resposta positiva dos clientes que já tenho e só me fazem elogios é muito gratificante e mexe com minha parte afetiva. Isso me dá motivação para seguir em frente. É uma válvula de escape da doença e dos problemas exteriores”, comentou.

 Além de uma tarefa terapêutica, fazer pães virou também uma fonte de renda para a cozinheira. “Ainda falta muita gente conhecer meu trabalho, mas tenho certeza que, aos poucos, a clientela vai aumentar”, disse.

Daniela, que é baiana, conta que levou um susto quando recebeu a notícia do câncer de mama.

“Foi um choque muito grande, pois me cuido desde os 30 anos”, afirmou.  

Segundo ela, a mãe também foi diagnosticada com câncer aos 49 anos. “Isso tem 26 anos, e a medicina não era tão moderna como é hoje. Diferente da minha mãe, a médica descobriu meu câncer no início. Eu consegui operar e continuo em tratamento”. 

Para ela, a prevenção e o autocuidado devem caminhar juntos. “Na minha opinião, tudo o que é descoberto no início, tem mais chances de cura. Por isso,  acho que as mulheres precisam fazer o autoexame e se cuidarem”. 

Mesmo após ter passado pela cirurgia, ela preserva o autocuidado. “Depois que retirei a parte da mama afetada pelo câncer, fiz sessões de radioterapia”, explicou Daniela, destacando também os exames de rotina que realiza.

“Eu me cuido desde os meus 30 anos. Depois da cirurgia e das sessões de radioterapia, eu continuo em tratamento e faço o autoexame, que é o exame de toque, além dos de imagem. Isso me motiva a continuar com a produção dos pães. Além disso, minha dica para todas as mulheres é: façam o autoexame”.

Mais de 900 casos de câncer de mama por ano no Estado

A cada ano no Espírito Santo, cerca de 970 mulheres são diagnosticadas com câncer de mama, de acordo com a médica oncologista Carolina Conopca.   

Segundo ela, esse tipo de câncer é assintomático e é detectado com a ajude do autoexame, ou seja, o exame de toque, que deve ser feito a partir dos 40 anos. 

“Além dele, a Sociedade Brasileira de Mastologia fala que, a partir dessa idade, mulheres precisam fazer também a mamografia”, explicou.  

A médica disse que qualquer atividade que trabalhe com a mente auxilia no tratamento.  

“Tudo o que a paciente fizer, seja de forma profissional ou apenas por hobby, é muito positivo, pois faz com que a mulher desvincule o pensamento negativo relacionado à doença”, disse Carolina, que detalhou algumas atividades. 

“Produções artesanais e atividades de entretenimento, por exemplo, fazem com que a paciente conviva com a doença de forma mais leve e tranquila, ajudando-a na parte psicológica e social”. 

O médico oncologista Loureno Cezana explica que a paciente pode permanecer inserida no contexto de trabalho, familiar ou desenvolver terapia de reabilitação, através de atividades que vão ajudar a amenizar o sofrimento físico e emocional causado pelo tratamento da doença.

“Os tratamentos, aliados a qualquer atividade ocupacional, trazem benefícios e fazem a mulher se sentir útil e ativa. Além disso, fazem com que ela responda de forma mais positiva ao tratamento e siga com mais responsabilidade as orientações médicas”, explicou.


Daniela Ribeiro: “Faz eu me sentir motivada”


A Tribuna – Quando recebeu o diagnóstico do câncer de mama?

Daniela Ribeiro – Recebi o diagnóstico em 2019, quando eu tinha acabado de completar 50 anos.

Como foi receber a notícia?

Um susto enorme, porque sempre me cuidei muito, fazendo sempre o toque nas mamas. Como minha mãe faleceu com 49 anos devido a um câncer de mama, desde os 30 eu faço todos os exames anuais.

Onde buscou apoio?

Principalmente com os meus filhos, meu marido e toda a minha família, e também em Deus. 

Como está sendo o tratamento?

Eu tenho enfrentado com tranquilidade, na certeza de que estou curada após a cirurgia e as sessões de radioterapia. 

Continuarei ainda por mais três anos com a hormonioterapia, para ficar totalmente curada e sem chances de o câncer voltar.

Como surgiu a ideia de fazer os pães?

Resolvi começar em 2017 tentar fazer o pãozinho, usando uma receita que está na nossa família há 50 anos. 

Meu marido gostou e os filhos e amigos daqui também amaram. 

A partir daí, surgiu a ideia de fazer o “Pão do Anjo”, uma marca que eu mesma criei e que estou incrementando cada vez mais. 

De que forma a produção de pães ajuda no seu tratamento?

Ocupa meu tempo, ocupa minha cabeça e faz eu me sentir útil e motivada. É uma válvula de escape para eu esquecer a doença e também os problemas exteriores.

Além disso, virou uma fonte de renda. Eu acordo cedo para fazer e demoro, pelo menos, umas quatro horas. 

Como é sua clientela?

Tenho uma resposta muito positiva dos meus clientes e são eles que me motivam, por meio de elogios, a produzir mais e mais esses pãezinhos. 

O meu maior sonho é que tenha um “Pão do Anjo” na casa de cada pessoa.  

Pretende continuar com a produção mesmo depois que terminar o tratamento?

Com certeza. Os pãezinhos já fazem parte das nossas vidas. 

A minha ideia é expandir a produção cada vez mais, e melhorar em cada detalhe, levando o melhor pão artesanal aos nossos clientes, garantindo a satisfação de cada um.

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