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Saúde

Alergias graves levam pacientes à UTI e podem até matar

Reação pode começar minutos após contato com alimento ou remédio, por exemplo, e evoluir para falta de ar e parada cardíaca

Picada de abelha: venenos de insetos são alguns dos desencadeadores
Foto de perfil de Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização

Uma reação alérgica pode começar com vermelhidão, coceira ou inchaço e, em poucos minutos, evoluir para falta de ar, queda da pressão arterial, parada cardiorrespiratória e morte. É a anafilaxia, quadro grave que pode levar pacientes à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No Espírito Santo, 18 internações por quadros relacionados a alergias graves foram registradas neste ano, no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, foram 42 e, em 2025, 35.

A alergista Aline Rocha Camporez, da Rede Meridional, explica que a reação pode atingir diferentes órgãos. “A anafilaxia ocorre cerca de minutos até duas horas após a ingestão, administração ou inoculação do alérgeno.”

Entre os desencadeadores estão alimentos, medicamentos e venenos de insetos. “A primeira exposição pode não provocar sintomas, mas pode levar o sistema imunológico a reconhecer aquele medicamento. Em uma exposição posterior, essa resposta pode ser ativada e provocar uma reação, inclusive anafilaxia”, explica a alergista Milena Piana.

A evolução pode ser rápida. O inchaço da garganta pode dificultar a passagem de ar, enquanto a queda da pressão pode provocar choque anafilático. “Reconhecer rapidamente os sintomas e saber usar a adrenalina pode fazer diferença”, afirma Milena.

A analista de licitação Mirilaine Honorato, de 39 anos, vive a preocupação com o filho Lucas, de 7, que tem alergia a ovo, amendoim, castanhas, nozes, avelã e camarão. “Quando ele era bebê, tinha crises alérgicas muito graves, de ficar vermelho e inchado. Hoje, conseguimos ter mais controle.”

Lucas nunca precisou ser internado, mas a família evita alimentos que possam provocar reação e orienta escola e pessoas próximas. O menino também passou a carregar uma caneta de adrenalina.

Segundo o imunologista e alergista Fabrício Prado Monteiro, do Hospital Santa Rita, até o contato acidental pode representar perigo. “Uma vez sensibilizado, cada vez e de forma recorrente seremos mais passíveis de ter mais sintomas com mais risco para o paciente.”

A orientação para quem tem histórico de anafilaxia é manter a adrenalina autoinjetável disponível e seguir um plano de emergência elaborado pelo alergista.

Caneta de adrenalina

Para pessoas com histórico de anafilaxia ou alergia alimentar grave, a caneta de adrenalina pode ser uma ferramenta importante para o atendimento imediato de uma reação. O medicamento é indicado para casos de anafilaxia, que podem evoluir rapidamente para dificuldade respiratória, queda da pressão e choque.

“A caneta de adrenalina é um dispositivo que salva vidas e deve ser carregada pelo paciente que tem indicação”, afirma a alergista Aline Rocha Camporez, da Rede Meridional.

O imunologista e alergista Fabrício Prado Monteiro, do Hospital Santa Rita, também destaca a necessidade de o paciente estar preparado para uma emergência.

“Todo paciente com diagnóstico de risco de anafilaxia deve portar adrenalina autoinjetável e a família deve seguir o plano de ação orientado pelo especialista até chegar ao hospital.”

Segundo Aline Camporez, os dispositivos não possuem registro comercial regular ou fabricação ampla no País e tradicionalmente são importados com receita médica. Ela informou que o valor pode variar de R$ 1 mil a R$ 2,5 mil por unidade.

Saiba Mais 

18 internações no SUS só este ano

Brasil

  • Foram 40 mortes por crises alérgicas graves de janeiro a junho de 2026.
  • Desde 2022, são 499 óbitos.
  • Os atendimentos relacionados a alergias no SUS passaram de 30,9 milhões em 2022 para 44,5 milhões em 2025. Nos seis primeiros meses de 2026, já foram 24 milhões.

Espírito Santo

  • No Espírito Santo, foram 18 internações por quadros relacionados a alergias graves somente neste ano. Em 2024, foram 42 e, em 2025, 35.

Alergia

  • É uma resposta do sistema imunológico a uma substância.
  • Nas reações graves, ocorre liberação generalizada de mediadores inflamatórios, podendo atingir pele, sistema respiratório, gastrointestinal e cardiovascular e levar ao risco de morte.

Causas

Picada de abelha: venenos de insetos são alguns dos desencadeadores
Picada de abelha: venenos de insetos são alguns dos desencadeadores Foto: Magnific
  • Os principais desencadeadores de reações graves citados pelos médicos são alimentos, medicamentos e venenos de insetos.
  • Entre os alimentos estão leite, ovo, amendoim, castanhas e frutos do mar. Abelhas e vespas são insetos associados às reações graves.

Adultos

  • Em adultos, medicamentos e venenos de insetos ganham importância entre os desencadeadores de reações graves.
  • Antibióticos, principalmente os beta-lactâmicos, como penicilinas, e anti-inflamatórios estão entre os medicamentos mais envolvidos, segundo Milena Piana.

Crianças

  • Os alimentos têm papel importante. Leite, ovo, amendoim, castanhas e frutos do mar estão entre os desencadeadores.
  • Segundo Fabrício Prado Monteiro, crianças altamente sensibilizadas podem reagir até a pequenas quantidades ou à contaminação cruzada.

Contaminação cruzada

  • Pequenas quantidades do alérgeno podem desencadear uma reação em pessoas altamente sensibilizadas. Por isso, utensílios, alimentos e superfícies que tiveram contato com o alérgeno também exigem atenção.

Prevenção

  • O primeiro passo é identificar corretamente o alérgeno e evitar a exposição.
  • A recomendação é informar restaurantes sobre a alergia e usar pulseira ou cartão de identificação.
  • Em crianças, a escola, os familiares e os cuidadores devem ser orientados.



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