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Saúde

Excesso de peso vira o principal fator de risco à saúde, aponta estudo

Estudo aponta que a obesidade ultrapassou a pressão alta como maior ameaça. Sedentarismo e má alimentação impulsionam os casos

Excesso de peso vira o principal fator de risco à saúde, aponta estudo
- Excesso de peso ganha destaque entre os riscos à saúde no país
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Excesso de peso ganha destaque entre os riscos à saúde no país
Excesso de peso ganha destaque entre os riscos à saúde no país Foto: Canva

O excesso de peso fez parte de uma trajetória de problemas de saúde enfrentada pela técnica de enfermagem Mércia Karlene Leão Sousa, de 61 anos. Em 2003, ela chegou a pesar 130 quilos, passou por uma cirurgia bariátrica e, depois, teve reganho de peso. Nesse período, descobriu uma arritmia e também que o coração estava aumentado.

O caso de Mércia ajuda a ilustrar um problema que ganhou ainda mais importância entre os brasileiros nas últimas décadas. Segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, o índice de massa corporal (IMC) elevado se tornou, em 2023, o principal fator de risco à saúde no País, ultrapassando a pressão arterial elevada.

De acordo com os pesquisadores, o País conseguiu reduzir as mortes por infarto e por Acidente Vascular Cerebral (AVC), ganho atribuído ao controle da hipertensão e à queda do tabagismo. Mas o sobrepeso e a obesidade não seguem o mesmo caminho.

Para a endocrinologista e delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Mariana Guerra, as mudanças no estilo de vida, como o consumo de alimentos ultraprocessados e pré-prontos, além do sedentarismo, contribuíram para o aumento dos casos de sobrepeso e obesidade.

Mariana alerta ainda que a obesidade provoca uma série de outras doenças. “Ela causa hipertensão, diabetes e esteatose hepática, que causa câncer de fígado. Ou seja, a obesidade é uma doença muito relevante”.

Além de dieta e atividade física, uma das alternativas de tratamento apontadas por especialistas é o uso de canetas antiobesidade, tratamento utilizado por Mércia. No ano passado, ela começou um acompanhamento com uma endocrinologista e já eliminou 32 quilos. Com a perda de peso, exames também mostraram redução do tamanho do coração.

A cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Espírito Santo (SBC-ES), Daniella Motta, destaca que o excesso de peso precisa receber atenção antes que suas complicações apareçam.

Isso não significa, alerta a cardiologista, que a pressão alta tenha perdido importância. “Esses fatores frequentemente estão presentes na mesma pessoa e, juntos, aumentam o risco de infarto e AVC. Precisamos cuidar de todos eles, sem esperar que um problema se agrave para agir. Também é importante lembrar que o IMC não mostra tudo. A medida da cintura e a presença de outras condições de saúde ajudam a entender melhor o risco de cada pessoa”.

“Papai Pig” 

Ex-sedentário

Edson Borges perdeu 48 quilos após mudar os hábitos e se tornou atleta profissional
Edson Borges perdeu 48 quilos após mudar os hábitos e se tornou atleta profissional Foto: Fábio Nunes / AT

Aos 49 anos, o administrador e atleta profissional Edson Borges lembra que já chegou aos 118 quilos, além de ter as taxas de colesterol e triglicerídeos elevadas, devido a uma vida sedentária.

A virada ocorreu em 2012, quando a filha, então com 2 anos, o comparou ao Papai Pig, personagem de “Peppa Pig”. “Às vezes, a pessoa que está na obesidade não se enxerga dessa forma, a mente nos sabota”, relata.

Ele começou a praticar atividades físicas após uma aposta com amigos: quem faltasse ao treino pagaria a mensalidade do outro. “Fiz disso um hábito, além da necessidade de mudar”. Em 12 anos, perdeu 48 quilos sem medicamentos e se tornou atleta, completando 131 maratonas.


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