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Educação

Espírito Santo reduz para 0,5% taxa de abandono no ensino médio

Taxa de abandono no ensino médio estadual caiu de 1,1% para 0,5% no Espírito Santo em um ano

Espírito Santo reduz para 0,5% taxa de abandono no ensino médio
- Amanda Zucateli e Solange Maristane estudam em tempo integral e nunca abandonaram o ensino médio
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

Amanda Zucateli e Solange Maristane  estudam em tempo integral e  nunca abandonaram o ensino médio
Amanda Zucateli e Solange Maristane estudam em tempo integral e nunca abandonaram o ensino médio Foto: Leone Iglesias/AT

Apesar dos avanços na permanência dos estudantes na escola, o abandono ainda é um desafio no ensino médio brasileiro. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que 20% dos alunos de ensino médio não concluem a etapa.

Porém, no Espírito Santo, a taxa de abandono escolar no ensino médio da rede estadual em 2025 chegou a 0,5%, segundo dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informados pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu). Em 2024, o índice era de 1,1%.

A queda faz parte de uma trajetória de redução do abandono na rede. Em 2015, a taxa no ensino médio era de 5,4% e chegou a 0,5% em 2025. No ensino fundamental – anos finais, o índice passou de 2,2% para 0,2% no mesmo período.

Para a gerente de Políticas de Apoio à Permanência e Busca Ativa Escolar da Sedu, Mariza Barros Ribeiro da Vitória, um dos fatores que contribuem para a redução é o acompanhamento mais próximo dos estudantes que começam a apresentar faltas.

As escolas recebem semanalmente informações sobre a frequência dos alunos. Segundo Mariza, mais de duas faltas em uma semana já funcionam como um sinal de alerta para que a equipe procure entender o motivo da ausência e entre em contato com a família.

A rede estadual conta ainda com cerca de 300 agentes de integração escolar, que atuam diretamente na busca ativa. “Quando o aluno está infrequente, eles entram em contato com esses alunos e com a família. E, uma vez que eles retornam à escola, são vistos os motivos, porque, na realidade, a falta nunca acontece por acaso”, explica Mariza.

As estudantes Solange Maristane e Amanda Zucateli, ambas de 18 anos, estão no terceiro ano do ensino médio da rede estadual, estudam em tempo integral e fazem parte dos alunos que nunca abandonaram o ensino médio.

Para a psicóloga e orientadora vocacional Maria Stella Leite, não existe uma única medida capaz de evitar o abandono. Segundo ela, os estudantes têm realidades diferentes e precisam de redes de apoio distintas.

A especialista afirma que políticas de incentivo financeiro, como o Pé-de-Meia, podem fazer diferença para jovens em situação de vulnerabilidade, mas há também estudantes que precisam conciliar estudo e trabalho e, portanto, necessitam de horários e formatos que permitam essa combinação.

Faltam professores de Matemática e Ciências

Professor de Matemática: desafio
Professor de Matemática: desafio Foto: Magnific

Cerca de um em cada 11 professores que atuam no ensino fundamental e médio da rede pública brasileira não atendia, em 2024/25, a todos os requisitos para ser considerado plenamente qualificado para a função.

O percentual era de 9%, próximo à média de 9,1% registrada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo o relatório da OCDE, a escassez de professores não é distribuída de maneira uniforme. O problema tende a ser maior em regiões remotas ou desfavorecidas e em determinadas disciplinas. Matemática e Ciências Naturais estão entre as áreas mais afetadas, enquanto a falta de docentes é menos disseminada em Artes, Estudos Sociais e Educação Física.

Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, o desafio também aparece quando as redes perdem profissionais, precisam contratar docentes sem todos os requisitos ou não conseguem alocar professores nas disciplinas para as quais foram formados.

“Precisamos de uma agenda conjunta de atração, formação, distribuição e permanência na carreira. Reter professores é tão urgente quanto formar novos”.

Segundo ele, 10,3% dos docentes plenamente qualificados das instituições públicas brasileiras deixaram de constar nessas redes no ano seguinte, ante média de 6,4% nos países com dados disponíveis.

“Alguns podem ter migrado, por exemplo, para escolas privadas. Ainda assim, sinaliza um desafio”.

Saiba Mais 

Conclusão do ensino médio

  • No Brasil, 79% dos estudantes que ingressam no ensino médio concluem um programa geral ou profissionalizante até dois anos após o tempo previsto para o fim do curso.

Abandono

  • No mesmo período, 20% não haviam concluído a etapa e também não permaneciam matriculados.
  • As mulheres brasileiras têm 7 pontos percentuais a mais de probabilidade de concluir o ensino médio do que os homens. A diferença é maior que a observada na maioria dos países com dados disponíveis.

Transição para o ensino médio

  • Um ano após concluir o ensino fundamental II, 87% dos estudantes brasileiros estão matriculados no ensino médio ou em outro programa educacional.
  • 4% ainda repetem o último ano do ensino fundamental II, enquanto 8% não estão matriculados em nenhuma modalidade de educação formal.
  • A parcela fora da escola é superior à média de 5% registrada nos 22 países e economias com dados disponíveis.

Professores

  • 9,1% dos professores do ensino fundamental e médio nos países da OCDE não possuem todas as qualificações necessárias.
  • 6,4% de todos os professores do ensino fundamental e médio plenamente qualificados nos países da OCDE abandonaram a profissão durante o ano letivo de 2024/25.
  • Em média, 8,4% dos professores do ensino fundamental II nos países da OCDE são profissionais em segunda carreira, enquanto no Brasil esse índice chega a 11,5%.



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