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Saúde

Novo remédio para câncer de mama é aprovado no País

Liberada pela Anvisa, a novo medicamento identifica a resistência ao tratamento no paciente antes mesmo de o tumor crescer

Novo remédio para câncer de mama é aprovado no País
- Etcamah foi autorizado
Foto de perfil de Pedro Henrique Oliveira

Pedro Henrique Oliveira

Pedro Henrique Oliveira é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (UNIFACHA), no Rio de Janeiro, e pós-graduando em Comunicação Corporativa. Com experiência em cobertura local, acompanha o cotidiano de Guarapari, Anchieta e Piúma, produzindo matérias sobre política, economia, turismo e cultura.

Última atualização

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Etcamah (camizestranto), indicado para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente metastático, ou seja, quando o tumor se espalha para regiões próximas ou para outros órgãos.

Segundo a Anvisa, o novo medicamento é uma alternativa terapêutica para pacientes que ainda não apresentaram sinais de progressão do câncer em exames de imagem, mas que já registraram a presença do gene ESR1 mutante por meio de uma biópsia líquida, na qual é analisado o sangue do paciente.

O remédio, desenvolvido e fabricado pela farmacêutica AstraZeneca, já havia sido aprovado anteriormente por agências reguladoras dos Estados Unidos e da União Europeia. O oncologista clínico do Hospital Santa Rita, Loureno Cezana, explica que o fármaco é uma mudança de paradigma no tratamento do câncer de mama metastático.

“Com essa nova estratégia, podemos identificar, por meio de um exame de sangue chamado biópsia líquida, o surgimento de uma mutação no gene ESR1, que indica resistência ao tratamento hormonal, antes mesmo de o tumor apresentar crescimento nos exames. É um passo importante em direção a um tratamento cada vez mais personalizado e dinâmico do câncer de mama metastático”, explicou.

O médico reforça que utilizar uma terapia adequada a esse cenário amplia as alternativas e permite prolongar o controle da doença.

“Para o paciente, isso significa ganhar mais uma opção terapêutica, com a possibilidade de permanecer por mais tempo com a doença controlada e, potencialmente, postergar a necessidade de tratamentos como a quimioterapia”, complementou.

Segundo a oncologista do Departamento de Tumores Mamários do Hospital de Amor de Barretos, Camila Beatrice de Pádua, o medicamento é uma terapia endócrina que atua como degradador seletivo do receptor de estrogênio, o que reduz o crescimento de tumores dependentes desse hormônio.

“Quando há a mutação do gene ESR1, o receptor permanece ativo mesmo com níveis muito baixos de estrogênio, o que acaba sendo o mecanismo de resistência às primeiras terapias endócrinas. O camizestranto vai atuar bloqueando justamente essa via”, pontuou.

Saiba Mais 

Etcamah foi autorizado
Etcamah foi autorizado Foto: Divulgação
  • A Anvisa liberou o registro do medicamento oral Etcamah (camizestranto), desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca, voltado para pacientes adultos diagnosticados com câncer de mama localmente avançado ou metastático.
  • O fármaco integra a classe das terapias endócrinas que degradam e bloqueiam a atividade do receptor de estrogênio, interrompendo o estímulo de crescimento de tumores dependentes desse hormônio.
  • O tratamento é indicado para casos em que a biópsia líquida, um exame de sangue, detecta a mutação no gene ESR1 antes de qualquer sinal visível de crescimento do tumor nos exames de imagem.
  • Essa alteração no gene ESR1 mantém os receptores ativos mesmo com taxas mínimas de estrogênio no organismo, gerando resistência aos tratamentos hormonais convencionais que o novo remédio consegue neutralizar.
  • Dados do estudo clínico Serena-6 apontam que a medicação reduziu em 56% o risco de progressão da doença ou morte, elevando o tempo médio de controle tumoral de 9 para cerca de 16 meses.
  • Por ter administração por via oral e retardar o avanço da enfermidade, o composto amplia as alternativas terapêuticas e permite adiar o início de abordagens mais agressivas, como a quimioterapia.
  • No Espírito Santo, o Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Santa Rita já havia participado de ensaios clínicos internacionais com a molécula (estudo CAMBRIA-2), inserindo pacientes locais no processo de avaliação da nova tecnologia.



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