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Famílias ganham escrituras de imóveis após 40 anos

No bairro Resistência, 265 famílias receberam os títulos definitivos de seus terrenos após acordo da prefeitura com o governo federal

Famílias ganham escrituras de imóveis após 40 anos
- Luiza e o seu pai João Xavier conseguiram documento após anos de luta. Ele conta que é morador de Resistência desde quando a travessia pelo manguezal era feita por passarelas
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Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

Última atualização

A Prefeitura de Vitória entregou 265 títulos de regularização fundiária para famílias do bairro Resistência. A partir de agora, com o documento, os terrenos passam a pertencer legalmente aos moradores.

A regularização foi possível após a assinatura, em julho deste ano, do contrato de doação com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), envolvendo áreas de marinha existentes no bairro.

Uma área, ou terreno, de marinha corresponde a uma faixa de 33 metros de largura que pertence ao governo federal, medida a partir da linha da maré alta média do ano de 1831 em direção ao continente.

O secretário municipal de Desenvolvimento da Cidade e Habitação, Tullio Ponzi, explica que a mudança traz maior segurança jurídica aos moradores.

“A partir desse momento, ninguém poderá tirar essa pessoa desse terreno. Além disso, o terreno pode se valorizar e até mesmo virar herança de família.”

A conquista, segundo o secretário, chega após anos de luta intensa dos moradores da região.

“Há famílias que esperaram mais de 40 anos por esse momento e, agora, graças à política habitacional, alcançaram esse objetivo.”

Esse é o caso de João Xavier e sua filha Luiza. Ele conta que é morador de Resistência desde quando a travessia pelo manguezal era feita por passarelas.

O processo mais recente de regularização fundiária no bairro começou em 2022 com estudos técnicos, levantamentos e a medição de toda a área. Depois, em 2023, foi instalado um escritório aberto em Resistência para facilitar o atendimento aos moradores.

“É um processo que leva um certo tempo e exige uma equipe qualificada, o que nós com certeza temos”, diz Tullio Ponzi.

Para o secretário, essa ação é mais uma forma de cuidado com as pessoas que vivem em Vitória.

“A política habitacional é também garantir direitos a todas as casas que já existem. Regularização fundiária é segurança jurídica, é dignidade, é cidadania. É permitir que essas famílias, que construíram sua história em Resistência, possam investir na própria casa, acessar crédito e deixar um patrimônio para os seus filhos.”

Fique por dentro

Regularização

  • No Bairro Resistência, 265 famílias receberam títulos de regularização fundiária pela Prefeitura de Vitória;
  • O processo recente de regularização fundiária da região começou em 2022, com estudos técnicos, levantamentos e medição da área;
  • Depois, em 2023, foi instalado no bairro um escritório aberto para o atendimento de moradores;
  • A nova etapa entregue agora foi possível após a prefeitura assinar, em julho deste ano, contrato de doação com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), envolvendo áreas de marinha existentes no bairro;
  • A medida abriu caminho para a legitimação fundiária e para a transferência da propriedade plena aos moradores.

O que muda

  • A escritura dá maior segurança jurídica aos moradores, já que agora ninguém pode tirá-los do imóvel;
  • O terreno passa a poder ser deixado como herança legal para os filhos e o documento pode ser usado para obter financiamentos bancários de reforma com juros mais baixos, o que contribui para a valorização.

Área de marinha

  • Os chamados terrenos, ou áreas, de marinha são faixas de terra pertencentes à União, com 33 metros de largura, medidas a partir da linha da maré alta média registrada em 1831 em direção ao continente;
  • Essa área fica ao longo de toda a costa marítima, além das margens de rios e lagoas que sofrem influência das marés;
  • Dependendo da forma de ocupação, o uso particular de terrenos de marinha ou de seus acrescidos pode gerar cobranças por parte da União, como foro ou taxa de ocupação.

Próximos passos

  • Após o registro da Certidão de Regularização Fundiária (CRF) no Cartório de Registro de Imóveis da 2ª Zona de Vitória, a Prefeitura entrará em contato com cada proprietário para agendar a retirada do documento registrado;
  • A titularidade do IPTU também será atualizada no cadastro imobiliário do município;
  • Já a regularização da casa é uma etapa diferente, feita de forma particular junto à Prefeitura e, depois, ao cartório;
  • As orientações estão disponíveis pelo telefone (27) 3135-1105 e no Manual de Aprovação de Projetos, em sites.vitoria.es.gov.br/manualdeaprovacaodeprojetos.



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