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Polícia

Operação mira traficantes que tentavam controlar internet em Vila Velha

Criminosos ameaçavam empresas de provedores e cobravam taxas para que continuassem a trabalhar nos bairros

Criminosos instalavam câmeras nos postes para monitoramento. Material foi apreendido pela Polícia Civil
Foto de perfil de Nathália Cantarela

Nathália Cantarela

Formada em Jornalismo pela Faesa, Nathália escolheu o curso porque ama escrever. Durante o curso também se apaixonou pelo audiovisual, e estagiou apresentando o jornal da faculdade. Após formada, fez curso de imersão no jornalismo e hoje apresenta o Boletim de Notícias, além de escrever para o site.

Última atualização

A Polícia Civil divulgou nesta sexta-feira (16) os resultados da operação Provedor.Net 2.0, realizada no último dia 09 de outubro, no município de Vila Velha. As ações miram grupos criminosos que tentam controlar a distribuição de internet na região conhecida como Morro da Bomba e nos bairros Vasco da Gama, Cobi de Cima, Cobi de Baixo, Boa Vista e São Torquato. 

Segundo a polícia, os suspeitos são traficantes associados à facção criminosa PCV e estariam interferindo na prestação de serviços de internet à população, coagindo e ameaçando empresas de provedores de internet. 

“Eles ameaçavam de destruir, colocar fogo naquelas caixas onde passa o cabeamento da internet. Em contrapartida, empresários selecionados por eles podiam explorar livremente em troca de dividir os lucros com eles”, explicou o delegado Jordano Bruno.

Durante coletiva de imprensa, a polícia divulgou áudios de um dos líderes do grupo para os empresários. “A partir de hoje a internet é nossa“, afirma ele em uma das gravações. “Todos os comércios vão ter que usar. Se não usar nós vamos mandar ‘sentar tiro'”, diz ainda. 

O traficante foi preso durante as ações da operação e outros mandados foram cumpridos na localidade. Durante a operação também foram encontradas câmeras que estariam sendo utilizadas pela facção para monitorar a população e o trabalho da polícia na região.

“Confirmamos durante as diligências a identificação de uma rede de videomonitoramento que estava instalada nos postes com câmeras que faziam todo o controle da movimentação de veículos e pessoas”, explicou o delegado. “Vigiavam as entradas por onde se chega até o local onde os entorpecentes eram comercializados”.

Agora, a polícia afirma estar em contato com as empresas fornecedoras de internet para evitar que sejam vítimas de novas tentativas de crime. “As empresas vão nos comunicar e a gente vai atuar com rigor, aplicando a lei anti-facção, que prevê penas altíssimas”. Enquanto isso, a polícia garante que os serviços de internet estão restabelecidos na região. 

Criminosos instalavam câmeras nos postes para monitoramento. Material foi apreendido pela Polícia Civil
Criminosos instalavam câmeras nos postes para monitoramento. Material foi apreendido pela Polícia Civil Foto: Divulgação / SESP

Como agiam

O delegado Tarik Halabi Souki detalhou a forma como os criminosos agiam. “Tentam impor o controle territorial e econômico na distribuição da internet. Eles abordam funcionários das empresas e expulsam do local, praticando inclusive agressões e ameaças com arma de fogo e destruindo equipamentos”.

Além disso, os traficantes obrigavam os funcionários a ligarem para os gestores das empresas e cobravam taxas de até 50% do lucro recebido pelas empresas para que pudessem continuar trabalhando nesses locais. Com os crimes, muitas empresas desistiam de atuar nos bairros, o que diminuia a concorrência e aumentava o valor para a população. 

No total, a polícia cumpriu cinco mandados de prisão e apreendeu mais de 10 equipamentos de monitoramento. Outros quatro suspeitos ainda estão foragidos. 



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