- Vitória, ES 26°C

Vitória 26°C

Anúncio
Saúde

Novo Papanicolau para mulheres; saiba o que mudou no exame

O exame de DNA-HPV permite identificar a presença do vírus e pode ajudar a detectar precocemente mulheres com maior risco

Neide Boldrini destaca que o exame de DNA-HPV é feito por meio da biologia molecular e é mais eficaz
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

Um novo exame para detectar o papilomavírus humano (HPV), principal causador do câncer do colo do útero, começa a ampliar as opções de prevenção e diagnóstico da doença.

A tecnologia, que permite identificar a presença do vírus e pode ajudar a detectar precocemente mulheres com maior risco de desenvolver lesões, já está sendo ofertada em alguns municípios e planos de saúde do Espírito Santo.

O teste molecular de DNA-HPV foi implementado pelo Ministério de Saúde no ano passado e passa a substituir gradativamente o Papanicolau, devendo ser realizado em mulheres entre 25 e 64 anos.

O novo exame ofertado pelo Ministério da Saúde é capaz de identificar 14 genótipos do vírus antes da ocorrência de lesões ou câncer em estágios iniciais.

No Espírito Santo, pela rede estadual, desde 2024 já é realizado o teste molecular para a detecção de HPV oncogênico pelo exame PCR, atendendo os 26 municípios da região Sul de Saúde.

O teste ofertado pelo Estado é capaz de detectar 28 genótipos diferentes do HPV.

Por nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) informou que a oferta do exame será ampliada gradualmente para as demais regiões do Estado, de forma escalonada e seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero.

Já a Unimed Vitória informou que o teste molecular de DNA-HPV integra o Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), contando com cobertura pelo plano de saúde conforme as diretrizes regulamentares.

A Unimed informou ainda que o tipo de exame a ser realizado, seja o teste de DNA-HPV ou a Citologia Oncótica (Papanicolau), é definido pela conduta médica após avaliação do histórico e das necessidades individuais de cada paciente.

Marcio Almeida, CEO da Bluzz Saúde, afirmou que a operadora oferta o exame e quem define qual procedimento realizar é o médico que acompanha a paciente.

A São Bernardo Samp e a MedSênior também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da reportagem, se o teste já é ofertado nas operadoras.

Até 5 anos sem repetir o exame

Mulheres que fizerem o novo teste molecular para detectar o papilomavírus humano (HPV) poderão ficar até cinco anos sem precisar repetir o exame, caso o resultado seja negativo.

Segundo Lucia Helena Mello, vice-presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo (Sogoes), quando o teste der negativo, a orientação é repetir o rastreamento em cinco anos.

Já quando há detecção do vírus, a conduta depende do tipo identificado e da necessidade de investigar possíveis alterações no colo do útero.

A médica ressalta que detectar o HPV não significa que a paciente tenha câncer ou necessariamente desenvolverá a doença. A identificação do vírus indica a necessidade de avaliar o risco e definir se são necessários exames complementares.

“Se der um HPV detectado, o 16 e o 18, que são os oncogênicos mais frequentes relacionados ao câncer do colo do útero, essa paciente tem que ser encaminhada direto para a colposcopia”.

Quando o teste identifica outros tipos de HPV oncogênico, pode ser necessária uma citologia reflexa, conhecida como Papanicolau, feita com o material já coletado.

Se o resultado mostrar alterações nas células, a paciente será encaminhada para colposcopia. Se a citologia estiver normal, a orientação é repetir o teste de DNA-HPV em um ano.

Apesar da mudança no rastreamento, o exame citológico tradicional não deixa de ser utilizado. Ele continua sendo uma alternativa nos serviços que ainda não oferecem o teste molecular e também pode ser necessário para complementar a investigação de determinados resultados positivos, explica Lucia Helena.

A presidente da Sociedade de Patologia do Trato Genital Inferior, Neide Boldrini, destaca que o Papanicolau é um exame morfológico baseado na forma das células. “Já o DNA-HPV é por meio da biologia molecular, por isso, é um exame mais eficaz”.

A ginecologista Débora Dalvi, referência técnica de Citopatologia do Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES), explica que o exame avalia a presença do DNA do HPV nas células do útero.

“No exame molecular PCR para HPV, é retirada uma amostra que passa por um processo de extração do DNA. O que chamamos de amplificação para avaliar se naquelas células existe o DNA viral do HPV”, explicou.

Fique por dentro

Exame DNA-HPV

  • HPV PCR é um teste que identifica a presença do vírus HPV no organismo, por meio de amostras moleculares e análise do DNA das células;
  • O HPV é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero. Ter o vírus do HPV não significa possuir doenças como o câncer de colo de útero, mas significa risco para ter essa lesão.

O que é o HPV

  • O HPV (papilomavírus humano) é um grupo com mais de 200 tipos diferentes de vírus e cerca de 40 tipos afetam a região genital;
  • Trata-se de infecção sexualmente transmissível (IST) muito comum que afeta a pele e as mucosas.

Quais os tipos de HPV

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem pelo menos 14 tipos principais de HPV;
  • Os que podem causar câncer de colo de útero são os tipos 16 e 18, considerados de alto risco;
  • Já classe dos 31, 33, 51 são os HPV com alto risco oncogênitos, com potencial para causar alterações nas células. E se não forem acompanhadas e tratadas, podem evoluir para o câncer de colo de útero.

Diferença entre o Papanicolau e o exame de DNA-HPV

  • O papanicolau é um exame morfológico, ou seja, ele é baseado em formas da célula;
  • Já o teste de DNA-HPV, de biologia molecular, é um exame de DNA. Então, se há infecção pelo HPV, o médico dará o diagnóstico de acordo com o DNA da coleta;
  • Ou seja, o Papanicolau se difere do HPV PCR na forma de análise. Um analisa o formato morfológico das células e o outro analisa o DNA.

Quanto tempo até sair o resultado

  • No Espírito Santo, os laboratórios dão resultado com 10 dias, outros com até 15 dias.

Idade para iniciar o exame

  • O teste deve ser realizado em mulheres entre 25 e 64 anos.

Período para repetir o DNA-HPV

  • Se o exame for negativo para o HPV, a paciente só vai repetir o teste 5 anos depois;
  • Se for positivo para o HPV 16 e 18, a paciente vai para a colposcopia. Se ele for positivo para outros tipos, faz a citologia reflexa.



Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.