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Internacional

Zelensky aceita “congelar” front

Presidente da Ucrânia afirmou que concorda com um acordo de paz. EUA estão em diálogo com Putin para definir as condições

Edifício residencial atingido por um drone russo em Kiev, na Ucrânia, na manhã de ontem

Última atualização

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Enquanto o presidente Vladimir Putin negociava os rumos da Guerra da Ucrânia com o enviado de Donald Trump em São Petersburgo, na quarta (21), o rival Volodimir Zelenski afirmou a uma TV dos EUA que um acordo de paz pode ser negociado com o congelamento imediato das linhas de frente no país.

Questionado se toparia parar a guerra “onde ela está” por um repórter da Fox News, o ucraniano respondeu: “Sim. Se tivermos que congelar tudo agora, acho que essa é a verdadeira maneira de acabar com esta guerra”.

O posicionamento ocorre em um contexto de movimentação diplomática intensa, no qual Moscou e Washington tentam avançar em negociações, enquanto Kiev busca manter apoio externo e margem de ação no front.

Dados de monitoramento citados por analistas indicam que a Rússia segue controlando parcelas relevantes do território ucraniano, incluindo áreas ocupadas desde 2014.

Congelamento das linhas de frente entra no debate

Segundo o monitor ucraniano DeepState, Putin ocupa nesta quinta (22) 19,4% da Ucrânia, incluindo os 7,3% que detinha da Crimeia anexada em 2014 e de territórios controlados por separatistas pró-Rússia desde aquele ano, quando o governo aliado do Kremlin foi derrubado em Kiev.

Entre os números citados no monitoramento, estão:

  • 19,4% do território ucraniano sob ocupação russa segundo o DeepState
  • 7,3% referentes à Crimeia anexada em 2014 e áreas sob controle pró-Rússia desde então

A coreografia diplomática descrita ocorreu em um dos piores momentos de Zelenski desde o início da guerra, desencadeada por Putin em 2022.

Pressão de Trump e negociações com Moscou

Há duas semanas, Trump voltou a adotar uma política favorável a Moscou para tentar solucionar o conflito. Fechou um acordo para comprar diesel russo, mirando o efeito da inflação de combustíveis devido à sua guerra no Irã nas chances de manter o controle do Congresso no pleito de novembro, e suspendeu um pacote de sanções contra Moscou.

Tornou intermitente o compartilhamento de informação sobre lançamentos balísticos contra a Ucrânia e a cobertura de satélite militar para as forças de Zelenski, problemas que, em tese, já foram resolvidos.

A autoria do corte na rede Starshield ainda é um mistério: o dono do serviço, Elon Musk, diz que os militares americanos são os operadores. Já a Casa Branca negou ter feito o corte, e o Wall Street Journal publicou reportagem culpando Musk pela ação.

Seja como for, o recado foi dado, até porque Trump foi ainda mais explícito: nos últimos dias, pediu a realização de eleições e a saída de Zelenski, irritado com a manutenção dos disruptivos ataques com drones a refinarias russas. Os parceiros europeus de Kiev assistiram a tudo com um misto de horror e impotência.

Apesar de satisfeitos, os russos sabem que este é o modus operandi negocial de Trump e querem aproveitar o momento de pressão antes que o americano resolva aliviar a situação de Zelenski.

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