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Agir pode salvar vidas

Os dados são preocupantes: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida no ...

Última atualização

Valdir Campos diz que é necessário quebrar o preconceito contra as doenças mentais

Os dados são preocupantes: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida no mundo; por minuto, são pelo menos três tentativas de suicídio em todo o globo.

No Brasil, as mortes podem passar de 13 mil por ano, levando em consideração a subnotificação de casos. Com números tão alarmantes, agir torna-se urgente.

Em 2021, a campanha Setembro Amarelo tem como tema “Agir salva vidas”. O conhecimento de fatores considerados de risco pode ajudar na prevenção.

Para o psiquiatra Valdir Campos, diretor da Associação de Psiquiatria do Espírito Santo (APES), para agir é necessário quebrar o estigma e o preconceito em relação às doenças mentais.

“Mais de 90% das pessoas que se suicidaram tinham alguma doença mental, e a prevenção começa exatamente no tratamento de patologias como a depressão, o transtorno afetivo bipolar, a dependência de álcool e drogas, a esquizofrenia e os transtornos de personalidade”, afirmou.

Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mostram que mais de 98% das pessoas que tiraram a própria vida não eram tratadas corretamente ou não tinham acompanhamento médico. E 96,8% dos suicídios estão relacionados à depressão e ao transtorno bipolar.

“Antes de julgar, coloque-se no lugar daquela pessoa, pratique a empatia. Às vezes uma palavra mal colocada pode acabar com a esperança de alguém”, afirmou o psiquiatra Valdir Campos.

A identificação de risco para o suicídio é uma das diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que tem como objetivo a redução de um terço da taxa global de casos até 2030.

Para o psiquiatra José Luis Leal, as discussões do Setembro Amarelo precisam se estender para todos os meses do ano.

“Além de desmistificar e falar de maneira madura sobre o assunto, precisamos avançar. Levar informação e mostrar para as pessoas que uma outra saída é possível e fundamental. E devemos falar sobre isso o ano inteiro”, frisou.

Para a psiquiatra Regina Shimada, tirar a própria vida é uma decisão que vai além da questão pessoal e por isso a sociedade precisa trabalhar como um todo para acolher quem está adoecido.

“O suicídio é uma solução definitiva para uma questão provisória. É uma questão médica e também de saúde pública e de forma geral é subestimada. Mas tem prevenção: uma vez identificado o risco é necessário abordar, ouvir e proteger a pessoa”, afirmou.

“Uma vez identificado o risco, é necessário abordar, ouvir e proteger a pessoa”- Regina Shimada, psiquiatra

Raio x do suicídio

  • Homens são as principais vítimas, diz pesquisa
  • No mundo uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos

Outras informações

  • A cada 1 segundo, são três tentativas.
  • No Brasil, estima-se mais de 13 mil mortes por suicídio anualmente.
  • Em 2019, entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a 4ª causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal.

Fonte: Detran-ES.


Fique por dentro

Mitos e verdades sobre o comportamento suicida

  • MITO: O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio.
  • VERDADE: Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio.
  • MITO: As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção.
  • VERDADE: A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.
  • MITO: Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tentativa de suicídio está fora de perigo.
  • VERDADE: Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa.
  • MITO: Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.
  • VERDADE: Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.
  • MITO: É proibido que a mídia aborde o tema suicídio.
  • FALSO: A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema e mostrar onde buscar ajuda.

Fonte: Cartilha “Suicídio: Informando para prevenir” – Associação Brasileira de Psquiatria (ABP)

Paciente vítima de depressão

Luta pelo fim do preconceito

Para combater o suicídio é necessário acabar com o estigma que envolve as doenças mentais. A psicofobia ainda é um problema real que atinge pessoas que já estão fragilizadas e que acabam se sentindo envergonhadas, excluídas e discriminadas.

De acordo com o psiquiatra e presidente da Apes, Valdir Campos, o preconceito sofrido por pessoas que possuem transtornos mentais e que são menosprezadas socialmente pode causar problemas maiores do que a própria doença.

“A pessoa não consegue enxergar um espaço seguro onde ela possa viver, diante de tantas pressões e exigências impostas pelo mercado de trabalho e convívio social”, afirma o psiquiatra.

Letícia Mameri: relevância

“Por isso, muitos pacientes acabam escondendo seu diagnóstico, por medo de serem vistos como incapazes”, frisou.

Ninguém está livre de desenvolver um transtorno mental. Somente no Brasil, de acordo com dados coletados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), existem cerca de 50 milhões de pessoas com algum tipo de doença.

Por isso, não é difícil encontrar alguém da sua convivência, seja um amigo ou parente, com algum tipo de problema psicológico.

A saúde mental deve ser tratada com mais relevância pela saúde pública, como afirmou a psiquiatra Letícia Mameri.

“Infelizmente ainda precisamos de pretextos para falar de saúde mental. Setembro Amarelo deve ser todo dia, é o olhar para a saúde mental de forma contínua”.


Saiba mais

Fique atento aos sinais

  • Pessoas que já tentaram suicídio têm de cinco a seis vezes mais chances de tentar novamente.
  • Estima-se que 50% daquelas pessoas que se suicidaram já tinham tentado antes.
  • Na maioria dos casos, a doença mental não é diagnosticada ou tratada de forma adequada.
  • Os transtornos psiquiátricos mais comuns que podem terminar em suicídio são depressão e transtorno bipolar. Alcoolismo, dependência ou abuso de substâncias ilícitas, esquizofrenia e transtornos de personalidade também podem contribuir.
  • Também devem ser levados em conta sentimentos de desesperança, desamparo e impulsividade. Há risco ainda para jovens e idosos que estão vulneráveis a perdas, sensação de incapacidade ou ao abuso.

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