Cuidar. Esse é um dos verbos que marcou o ano de 2020, uma vez que o mundo enfrenta a pandemia da Covid-19, doença que chegou sem avisar e devastou a saúde do planeta. Hospitais lotados, médicos sobrecarregados, porém preocupados em cuidar. Mas quem cuida do médico? Quando esse profissional fica doente, ou enfrenta a iminência de uma enfermidade, quem é que estende a mão?
Acertou quem respondeu, é claro, que são os próprios médicos que cuidam uns dos outros. Esse cuidado, porém, pode encontrar resistência. De acordo com o médico angiologista, cirurgião vascular e presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), Leonardo Lessa, muitas vezes o profissional de Medicina só procura ajuda quando se encontra em uma situação crítica.
“Não é incomum que alguns negligenciem a própria saúde, uma vez que podem conhecer o diagnóstico e entrarem em negação da doença, até por medo do que vão ouvir”, disse Leonardo.
Para o presidente da Ames, o momento que vivemos é de reflexão. “O médico está sempre com o olhar voltado para a saúde do próximo. Precisamos voltar esse olhar para nós mesmos, como seres humanos e nos deixarmos ser cuidados. Devemos confiar no outro, assim como os outros confiam em nós”.
Nesse contexto de valorização do trabalho, da dignidade médica e do cuidado com o profissional, a Ames realizou, neste ano, a entrega de equipamentos de proteção individual (EPIs) em hospitais da Grande Vitória, uma vez que o médico e os demais trabalhadores da saúde são a linha de frente no combate ao novo coronavírus e estão expostos perigosamente à contaminação.
Ao todo, duas mil máscaras protetoras faciais (face shield) e mil kits contendo luvas e máscaras N95 foram entregues em hospitais públicos e privados, tais como Hospital Estadual de Vila Velha, Hospital Dório Silva, Hospital da Polícia Militar, Hospital Santa Mônica, Hospital Meridional, entre outros. A ação foi feita em conjunto com a Associação Médica Brasileira (AMB).
“Na batalha contra o coronavírus é preciso defender a vida de todos e os profissionais de saúde merecem atenção redobrada por estarem expostos diariamente e poderem se tornar os disseminadores do vírus no ambiente hospitalar, caso o contraiam”, ressaltou.
Uma homenagem aos que se foram
Na linha de frente no combate ao coronavírus, muitos médicos e profissionais da área acabam se expondo mais à doença. Infelizmente, centenas perderam a vida no Brasil ao cumprir o papel de cuidar de quem mais precisava: o paciente.
Movidos pela paixão pela profissão e pelo compromisso de ajudar o próximo, esses profissionais, que também eram pais e mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs e, sobretudo, humanos, perderam a luta contra a Covid-19. No Espírito Santo, 18 médicos morreram até agora em decorrência do novo coronavírus.
Entre eles, o ginecologista, obstetra e ex-presidente da Ames Rafael Mussiello, que morreu no dia 3 de junho, aos 76 anos.
Mussiello tinha em seu currículo mais de seis mil partos. Foi pioneiro e fez o primeiro parto no Hospital Evangélico. Neste período não existia ultrassom, a anestesia peridural estava no início e os aparelhos de pré-natal eram precários.
Sua luta pela classe médica foi além da presidência da Ames e de participações em gestões do Conselho Regional de Medicina: em 1999 foi eleito vereador da capital e marcou sua presença na Câmara de Vitória entre 2000 e 2004.
Mussiello também foi auditor do Ministério da Saúde durante 13 anos, sendo capacitado para auditoria de gestão médica, fiscalizando hospitais públicos.
Assim como Mussiello, os profissionais da saúde que morreram enfrentando a Covid-19 também tinham sonhos e aspirações. A todos eles, a Ames tem eterna gratidão.
Associação luta pela valorização profissional
Com valores pautados na transparência, representatividade, inovação, coragem, criatividade, ousadia e parceria, a Associação Médica do Espírito Santo (Ames) defende, desde 1924, a dignidade profissional do médico, sendo a mais antiga entidade a representar os médicos no Estado.
“Com a realização de congressos, jornadas e cursos, a Ames atua em busca do aprimoramento e do desenvolvimento científico dos médicos. Além disso, representa o profissional diante de instituições públicas e privadas”, diz Leonardo Lessa, presidente da entidade.
O associativismo é um instrumento para que a comunidade passe a ter maior expressão social, política, ambiental e econômica. Com isso, não somente o médico é amparado, como também a população é orientada quanto aos problemas da assistência médica, preservação e recuperação da saúde.
Em 2020, com a pandemia da Covid-19, a Ames trabalhou ainda mais focada para se tornar uma referência na luta pela valorização profissional.
Através dos seus associados, divulga diariamente para a sociedade, através dos meios de comunicação e das redes sociais próprias, medidas de prevenção ao novo coronavírus, sem deixar de lado as campanhas de conscientização, como Setembro Amarelo, Outubro Rosa ou Novembro Azul.

