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Psiquiatras alertam para os perigos da psicofobia

Você sabe o que é psicofobia? É um termo que foi criado em 2011 para designar o preconceito contra pessoas com transtornos mentais. A psicofobia ...

Última atualização

Mulher com depressão: mudanças observadas no quadro emocional precisam de acompanhamento médico

Você sabe o que é psicofobia? É um termo que foi criado em 2011 para designar o preconceito contra pessoas com transtornos mentais. A psicofobia exclui, marginaliza, desampara e pode até matar. Por isso, virou crime, assim como o racismo.

Para conscientizar a população sobre o problema, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) definiu 12 de abril como Dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia.

No Estado, a data é endossada pela Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), que também está junto na jornada para acabar com o preconceito.

“Pessoas com ansiedade ou depressão não escolhem seus diagnósticos. Ter um transtorno mental não é sinal de fraqueza, nem de vitimização. A negligência, a indiferença e a falta de tratamento adequado podem levar ao agravamento do quadro, tal como acontece com as enfermidades físicas”, afirmou o médico psiquiatra e presidente da Apes, Valdir Campos.

Diante da psicofobia é comum que muitos pacientes não assumam o uso de medicação, que pode ser necessária e vital para o tratamento. Outros, por medo da reação das pessoas próximas ou por falta de apoio, sequer procuram atendimento médico.

De acordo com o vice-presidente da Apes, o psiquiatra Antônio José Nunes Faria, o preconceito sofrido por pessoas que possuem transtornos mentais e que são menosprezadas socialmente pode causar problemas maiores do que a própria doença.

“A pessoa não consegue enxergar um espaço seguro onde ela possa viver, diante de tantas pressões e exigências impostas pelo convívio social. Por isso, muitos pacientes acabam escondendo seus diagnósticos, por medo de serem vistos como incapazes”, frisou.

Para a psiquiatra Regina Netto Shimada falar sobre a psicofobia é fundamental. Mas o mais importante é o esclarecimento e informação à população.

“Quando esclarecemos que o transtorno mental é uma desordem das emoções e que como humanos podemos nos fragilizar emocionalmente em algum momento, a aceitação ocorre mais fácil.”

Shimada faz um alerta: “O médico psiquiatra é o profissional capacitado para acolher e elaborar isso junto com o paciente. Todos nós, quando percebermos uma mudança no nosso quadro emocional, na nossa funcionalidade, precisamos de acompanhamento médico”.

Atenção com o uso das palavras

Ninguém está livre de desenvolver um transtorno mental. Somente no Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem cerca de 50 milhões de doentes. Por isso, não é difícil encontrar alguém da sua convivência, seja um amigo ou parente, com algum tipo de problema psicológico.

Para a psiquiatra Maria Benedita Reis, transtornos como depressão, ansiedade, déficit de atenção, entre outros, devem ser levados a sério. “Doenças mentais não se curam apenas com a ‘força de vontade’ ou ‘vergonha na cara’. Essas falas só aumentam o estigma, desencorajam a pessoa a buscar pelo atendimento. Com isso, o quadro pode piorar”, disse.

“Antes de julgar, coloque-se no lugar daquela pessoa, pratique a empatia. Às vezes uma palavra mal colocada pode acabar com a esperança de alguém”, afirmou o psiquiatra Valdir Campos.

E em tempos de pandemia, onde estamos frequentemente preocupados, estressados e com a sensação de falta de controle frente às incertezas da situação, o psiquiatra forense Vitor Maia alerta para o fato de que “neste momento estamos mais vulneráveis ao processo de adoecimento mental, por isso, é imprescindível a busca por um profissional capacitado e habilitado para realizar o tratamento”.

Tratamento psiquiátrico é fundamental

“Isso é frescura!”

Quem tem transtorno psicológico luta todos os dias para se inserir na vida em sociedade. Dependendo do grau da doença, levantar da cama já é uma grande conquista. Dizer que a doença é frescura é deslegitimar todo o esforço feito para vencer o problema.

“Você precisa ter fé”

Transtornos psicológicos não têm ligação com a espiritualidade. Quem tem depressão, por exemplo, possui um desequilíbrio de substâncias químicas no cérebro que causam o quadro. A fé ou espiritualidade estão em outro patamar. É possível ser religioso, ter crenças e ainda assim adoecer.

“Você só quer chamar a atenção”

Se a pessoa com transtorno mental pede sua ajuda, tente ajudar. O mais comum é que ela esconda seu diagnóstico, por vergonha.

Médico atende paciente: ajuda

“Já passei por isso, não é grave”

Se você tem ou teve um transtorno mental, sabe perfeitamente como é difícil. Talvez sua experiência não tenha sido muito ruim, mas isso não significa que o outro passa o mesmo que você. Use sua história para ajudar, não para menosprezar.

“Psiquiatra é coisa de maluco”

Aa palavra “maluco” é um termo pejorativo que não deve ser usado. Além disso, o tratamento psiquiátrico é fundamental para a melhora do paciente. Transtornos mentais não se curam sozinhos. Busque ajuda!


Opiniões

“Doenças mentais têm origens concretas como as do corpo e devem receber a devida atenção” - Valdir Campos, psiquiatra e pres. Apes

“Muitos pacientes escondem seus diagnósticos por medo de serem vistos como incapazes” - Antônio José Nunes Faria, psiquiatra


Por que 12 de abril?

Depressão

  • A data foi criada pelo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP, Antonio Geraldo da Silva, após uma entrevista feita em 2011 com o humorista Chico Anysio que, mesmo sendo um ícone do humor nacional, sofria de depressão e fazia tratamento psiquiátrico há 24 anos.
  • Na ocasião da entrevista, percebeu-se a necessidade de um termo para descrever o preconceito sofrido por pessoas com transtornos mentais.
  • A data 12 de abril é o aniversário de Chico Anysio, que nasceu no ano de 1931.

Depoimento

Especialista

“Antes de marcar a consulta, o paciente deve pesquisar se o profissional tem RQE, que é o Registro de Qualificação de Especialista. A informação pode ser obtida no Conselho Regional de Medicina ou no site da Apes. É essencial que o médico tenha RQE. Isso garante a qualidade do atendimento.”

Letícia Mameri, psiquiatra

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