Estudo realizado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) mostra que existem mais de 1,5 milhão de pessoas cegas no Brasil. Desse total, cerca de 1,3 milhão (ou 9 em cada 10 casos) são decorrentes de doenças oculares que poderiam ter sido evitadas, se diagnosticadas e tratadas a tempo. A maioria dessas doenças se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais.
A lupa sobre esses números revela um recorte ainda mais grave: 946 mil dessas pessoas estão em situação de pobreza.
Ou seja, entre os 1,3 milhão de casos evitáveis, aproximadamente 73% atingem pessoas em condição de pobreza. Apenas 27% dos afetados por cegueira evitável não vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica.
ABRIL MARROM
O levantamento reforça a campanha Abril Marrom e busca conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção da perda de visão. A cor marrom foi escolhida por simbolizar o tom de íris mais comum entre os brasileiros.
“Abril Marrom é a campanha de conscientização da população sobre a importância da prevenção e combate às diversas causas de cegueira e, consequentemente, tentarmos reduzir a incidência no Brasil dos principais problemas que podem causar perda de visão”, explica a oftalmologista Hayana Rangel, diretora técnica do Hospital de Olhos Santa Luzia, localizado no Recife-PE.
Entre as causas mais frequentes da cegueira estão o glaucoma, a retinopatia diabética, a catarata, traumas oculares e a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).
Além disso, outras doenças sistêmicas também podem afetar os olhos, como hipertensão, problemas relacionados à tireoide, doenças reumatológicas, toxoplasmose, entre outras”, detalha a médica.
A recomendação dos especialistas é simples: visitas regulares ao oftalmologista, exames de rotina e hábitos saudáveis. Ainda assim, boa parte da população ignora sinais, seja por falta de recursos ou por conta do silêncio inicial das doenças. Muitas, inclusive, só buscam ajuda quando a visão já está comprometida.
EXAMES REGULARES
“Para prevenir a cegueira, é essencial realizar exames oftalmológicos regulares, adotar hábitos saudáveis como não fumar, controlar a diabetes e a pressão arterial, além de proteger os olhos contra lesões e usar óculos de sol com proteção UV”, orienta Hayana.
A oftalmologista também destaca que há dois perfis dentro do grupo de pessoas com deficiência visual: aquelas com baixa visão e as que vivem com cegueira total.
No primeiro caso, ainda é possível utilizar a visão, mesmo que com dificuldades. Já no segundo, é necessário recorrer a recursos adaptativos.
Segundo a oftalmologista, cegueira é o termo usado para perda total de visão, quando a pessoa precisa contar com habilidades de substituição da visão.
Sob o enfoque educacional, cego é aquele que não utiliza a visão para a aprendizagem e que necessita de sistemas Braille ou sistemas que verbalizam textos em computadores.
Baixa visão ou visão subnormal, por outro lado, é o termo usado para a pessoa que tem sua função visual comprometida, mas que usa ou é potencialmente capaz de usar a visão para executar tarefas”, completa Hayana.
VEJA, AGORA, AS PRINCIPAIS DOENÇAS SILENCIOSAS
1.Catarata
Início: Silencioso e gradual.
Como se manifesta: No começo, a pessoa pode perceber apenas um leve embaçamento da visão, como se estivesse vendo através de um vidro fosco.
Também pode haver aumento da sensibilidade à luz ou dificuldade para dirigir à noite. Com a progressão, a visão se torna cada vez mais turva.
🟡 Por que é silenciosa?
Porque não dói, não inflama e não altera a aparência do olho nas fases iniciais. Muitos pacientes acham que precisam apenas de óculos novos.
2. Glaucoma
Início: Altamente silencioso e perigoso.
Como se manifesta:
Não apresenta sintomas nas fases iniciais.
Quando os primeiros sinais surgem, já pode haver dano irreversível ao nervo óptico.
O campo de visão começa a se fechar pelas bordas (visão em túnel), mas o cérebro compensa e o paciente só percebe tarde demais.
🟡 Por que é silencioso?
A perda da visão periférica acontece sem dor e sem sintomas visíveis. É por isso que o glaucoma é chamado de “ladrão silencioso da visão”.
3. Retinopatia Diabética
Início: Assintomática por meses ou anos.
Como se manifesta:
Inicialmente, o paciente não sente nada.
Com o tempo, pode ocorrer visão embaçada, presença de manchas ou pontos escuros, além de dificuldade para enxergar de perto.
Em fases avançadas, pode causar hemorragias, descolamento da retina e até cegueira súbita.
🟡 Por que é silenciosa?
Porque os vasos da retina vão sendo danificados sem dor ou sintomas visíveis, especialmente quando o diabetes está mal controlado. O paciente só percebe quando a lesão já compromete a visão.
4. Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)
Início: Discreto, especialmente na forma seca.
Como se manifesta:
A visão central começa a falhar gradualmente.
Linhas retas podem parecer onduladas, as cores ficam desbotadas e há dificuldade crescente para ler, costurar ou reconhecer rostos.
🟡 Por que é silenciosa?
A forma seca da DMRI evolui lentamente e sem dor. O cérebro se adapta à perda de visão central, o que pode retardar a percepção do problema.
5. Traumas Oculares
Início: Pode ser imediato ou de evolução tardia.
Como se manifesta:
Em traumas leves, as complicações podem surgir dias ou semanas depois, como inflamação, infecção ou descolamento de retina.
Em traumas graves, a perda de visão pode ser instantânea.
🟡 Por que pode ser silencioso?
Porque muitas vezes o impacto parece inofensivo, e a pessoa não procura atendimento imediato. Com isso, o quadro pode se agravar silenciosamente.
Fontes: CBO, Hospital Santa Luzia, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).
Serviço; O Hospital Santa Luzia, que realiza o maior número de cirurgias refrativas no Brasil, mantém a Fundação Santa Luzia, que presta serviços gratuitos de oftalmologia a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social.
Hospital Santa Luzia (Privado): (81) 2121-9191
A Fundação Santa Luzia – chamada agora de Fundação Casa Forte (gratuito): 21219160