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GOLPE

400 consumidores perderam R$ 1 milhão em loja do Estado

Empresa que prometia descontos em vendas pela internet tinha loja física em Vila Velha e deu prejuízo para clientes de 18 estados

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O anúncio que dava desconto para pagamentos à vista, em um site de eletrônicos e eletrodomésticos, chamou atenção de centenas de consumidores do País inteiro. Por boleto bancário ou Pix, tinha-se de 10 a 15% de desconto.

O problema é que o produto nunca chegou na casa dos compradores, e o golpe só foi descoberto quase um mês depois. Teve consumidor que perdeu R$ 17 mil.

Foram mais de 400 vítimas, sendo que 235 registraram ocorrências em 18 estados diferentes, incluindo o Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, e outros. Os consumidores calculam que, ao todo, quase R$ 1 milhão em produtos foram comprados.

A loja física funcionava em Vila Velha e fechou há 15 dias, depois que os consumidores começaram a procurar o local em busca de receber os produtos comprados. Apesar de a empresa ter loja física, a venda com desconto era somente pelo site, que agora também está fora do ar.

O golpe foi descoberto pelo aposentado Antônio Carlos Coelho, de 75 anos. Ele comprou uma máquina de lavar no valor de R$ 780 e, pela falta de entrega, foi atrás e viu que não havia o produto.

“Comecei a desconfiar pela demora em mostrar o status da entrega. Após três telefonemas atendidos e pelas explicações da mulher que me atendeu, vi que se tratava de informações ilógicas. Depois pararam de me atender e só mandavam informação por email”, explicou a vítima.

E continuou: “Fui até a loja física. Depois, encontrei a residência do dono em Vitória. Conversei com ele na portaria do prédio, disse que queria o que eu tinha comprado, e ele sumiu”, disse Antônio.

Segundo o aposentado, a maior indignação é ter feito a ocorrência, denunciado o caso a vários órgãos e até hoje nenhum responsável foi preso ou teve suas contas bloqueadas pela Justiça.

O engenheiro de sistemas Leandro Soares, 42, de Belo Horizonte (MG), pagou quase R$ 17 mil em três placas de vídeo e uma fonte de computador e nunca recebeu os produtos. “Fiz os pagamentos em fevereiro e, devido à demora, pedi o cancelamento no dia 14. Eles diziam que o financeiro estava analisando, analisando, e nunca devolveram o dinheiro, nem recebemos os produtos”.

“Desconfie de preço muito baixo”

Para evitar cair em golpes ao fazer compras pela internet, os especialistas alertam que são necessários alguns cuidados. Entre eles, está desconfiar de preços que estão muito abaixo do mercado e duvidar de muitas facilidades na hora de fazer o pagamento.

De acordo com especialista em Segurança Digital Eduardo Pinheiro, o consumidor precisa ficar atento na hora de usar a internet para realizar suas compras. “O consumidor precisa saber que a internet é o paraíso dos golpistas e eles estão cada vez mais sofisticados em criar sites com  a finalidade de aplicar golpes”.

Ele ainda destacou que, caso não tome certos cuidados na hora de comprar, o consumidor pode ficar sem o produto e sem o dinheiro.

 













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“Se o internauta não estiver muito atento e se deixar levar por ofertas tentadoras e facilidades pode ficar sem o produto e o seu dinheiro. Ao realizar as compras pela internet, é preciso ficar atento a alguns aspectos”, pontuou.

Entre os cuidados que precisam ser tomados, o especialista destacou a utilização de cartões de crédito virtual, que podem aumentar a segurança do usuário.

Ainda de acordo com Pinheiro, o consumidor deve desconfiar sempre de preços que estão muito abaixo do mercado e também de muitas facilidades na hora de pagar. “Busquem referências ou lojas de credibilidade comprovada e cuidado ao clicar em links que direcionem para lojas virtuais. Façam a opção por pagamento parcelado no cartão de crédito”.

Empresa tinha nota positiva nos sites de reclamação

A empresa apontada pelos consumidores como golpista tinha nota positiva em sites de reclamações na internet, e isso levou centenas de pessoas a confiarem na loja. Mas o problema, segundo as vítimas, é que o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da empresa tinha sete anos e antes pertencia a outra pessoa.

O domínio do site da empresa foi comprado no ano passado, segundo os consumidores. “Essa empresa tinha nota 9,3 de confiança no site. Pesquisei sobre a loja, sobre o CNPJ e descobri que tinha mais de sete anos. Pesquisei o domínio e vi que era mais antigo”, conta o engenheiro de sistemas Leandro Soares, 42 anos.

Leandro disse que a mulher dele chegou a ligar para o telefone fixo da loja.

“Conversamos com a atendente da loja física, que nos passou confiança. Havia algumas reclamações de atraso na entrega, mas diziam que o produto chegava, e isso nos passou ainda mais confiança. Mas toda pesquisa feita não foi o suficiente, e caímos no golpe”, disse a vítima.

O advogado Rhadson Monteiro está movendo um processo na Bahia, para que a conta que recebeu os valores depositados seja bloqueada o quanto antes, e o dinheiro, ressarcido para as vítimas.

“Precisamos que, o quanto antes, a conta que recebeu os depósitos das vítimas seja bloqueada. Quando descobrimos o golpe, encontramos centenas de outras vítimas. Temos grupos em aplicativos movendo várias ações contra a empresa”, pontuou o advogado.

E continuou: “Fizemos um formulário de vítimas que já conta com mais de 200 nomes. E temos as informações do proprietário que recebeu todos os depósitos”.

A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Espírito Santo informou que teve ciência do fato e instaurou um inquérito para apurar o crime.

Procurada, a empresa não se manifestou a respeito das acusações feitas pelos consumidores que afirmaram ter sido enganados.

Vítima teve prejuízo de quase R$ 17 mil

Acusação de golpe

– Uma loja online teria enganado diversos consumidores do Brasil, incluindo do Estado. Anúncios eram feitos oferecendo descontos para pagamentos à vista, através de boleto bancário ou Pix. Tinha-se até 15% de desconto, segundo as vítimas.

– Porém, segundo os consumidores que compraram na loja, os produtos nunca chegaram. Teve vítima que perdeu cerca de R$ 17 mil.

– Foram mais de 400 vítimas, sendo que 235 registraram ocorrências em 18 estados diferentes, incluindo o Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, e outros. 

– Os consumidores calculam que ao todo, quase R$ 1 milhão em produtos foram comprados.

– Uma loja física, que funcionava em Vila Velha, fechou há 15 dias, depois que os consumidores começaram a procurar o local em busca de receber o produto.

– A empresa foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou das acusações feitas até o fechamento desta edição.

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