
Nova rotina de estudo e trabalho, confinamento, distanciamento dos amigos e família são algumas das alterações que as pessoas estão sendo obrigadas a aceitar. Para a escritora, palestrante e consultora Branca Barão, é possível passar por este momento sofrendo menos.
Na próxima quarta-feira, a escritora vai fazer palestra sobre o assunto em um evento online da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Estado (ABRH-ES). Informações sobre o evento podem ser obtidas pelo link https://bit.ly/30Yjn3B.
A Tribuna – Tem como evitar o sofrimento que o atual momento causa?
Branca Barão – A mudança que estamos vivendo agora foi imposta de forma mundial. Não tem como a gente correr, porque é o mundo inteiro sofrendo uma transformação por algo que acreditamos ter sido involuntário. É a natureza impondo uma transformação para a gente, que podemos chamar de metamorfose.
É uma mudança que dá medo, que deixa a gente ansioso e apreensivo. E a insegurança e ansiedade têm feito parte da vida das pessoas. A mudança é obrigatória, entretanto, o sofrimento é opcional. Mas temos de explicar que há pessoas morrendo, adoecendo e há também o receio da contaminação. A dor é parte dessa mudança.
Agora, é aí que mora a alternativa que temos: sofrer somente o suficiente, o necessário, para que eu possa aceitar o que está acontecedo para seguir em frente. Fazendo o melhor que posso, com o que a realidade me permite.
Sofrer é uma opção?
Digo que é opcional. Não estou falando de quem perdeu um ente querido e nem do fato de me solidarizar com a dor de alguém. O que digo é que não vale a pena pegar essa mudança que estamos passando como fim para o sofrimento.
Se a pessoa escolheu ficar sofrendo, mesmo que não seja consciente, mas está reclamando e choramingando, ela não consegue agir. Entretanto, posso pegar tudo o que está acontecendo, ver como posso agir e ser protagonista da minha história.
Como fazer isso?
Sabendo separar o que tenho poder de ação e o que não tenho. Em relação ao coronavírus, só me resta aceitar. Mas, há coisas que podemos fazer. A primeira é a aceitação. Saber que não tenho poder de ação perante o vírus e nem para mudar o que está acontecendo.
O segundo passo é me flexibilizar. Preciso descobrir alternativas para me sentir bem, dentro do que hoje é possível fazer.
Por exemplo: posso fazer exercícios dentro de casa e cursos a distância. É fazer o melhor que posso com a realidade que tenho, isso é flexibilização. Se não, ficarei preso àquilo que não é possível fazer agora, porque a vida lá fora mudou. A partir do momento em que me flexibilizo, começo a ter novos aprendizados, descobrir novas formas de responder às perguntas que estão surgindo.
Por que as pessoas têm dificuldade em lidar com as mudanças?
O ser humano, de forma geral, gosta de rotina porque a repetição dá segurança a ele. A rotina para o adulto tem uma relevância. Isso mudou com a pandemia.
Sentimos falta do que fazíamos.
Atualmente, este momento tem sido chamado de novo normal. O velho normal é o que estávamos acostumados antes da pandemia. Já o novo normal é o que está sendo repetido agora, para que as pessoas tenham o mínimo de segurança, conforto e estabilidade.
O que as pessoas vão levar desse “novo normal”?
Temos vivido uma tragédia, tem dor no que estamos passando. Mas, há coisas bacanas que podemos tirar disso. Podemos citar que hoje não precisamos enfrentar trânsito todo dia, já que estamos trabalhando de casa. Podemos também estar mais confortáveis nessa rotina de trabalho, produzindo com pantufa, tendo a companhia, por exemplo, do cachorro.
O momento tem ensinado a viver melhor?
Sim. Estamos tendo a oportunidade de valorizar as pequenas coisas, vendo como é gostoso estar em casa, quietos, vendo um filme, acompanhando uma série, lendo livros, brincando com os filhos, na companhia dos cachorros.
A felicidade está em você e na sua decisão de não ficar sofrendo em cima do que não está funcionando. Desfrutar do que funciona, valorizar as coisas pequenas, como fazer um brigadeiro, pão, crochê.
Se usarmos esse momento de tragédia mundial para aumentarmos nosso nível de autoconsciência, sobre nós e nossos processos, e aquilo que queremos como resultado, veremos que, talvez, não precisamos acumular tanta coisa e nem trabalhar tanto.
As pessoas serão melhores ao fim disso tudo?
Depende da escolha de cada pessoa. Se ela não aprender nada, a pandemia só serviu para fazer essa pessoa sofrer.
Agora, se aprendeu, a pandemia ganhou uma utilidade dentro dela. Mas quem é egoísta e cruel, vai sair ainda pior.
Qual conselho daria neste momento?
O mesmo que disse para mim mesma: fazer deste momento o mais útil possível. Trabalhar o autoconhecimento, consumir coisas boas que possam te edificar, que te tragam fé nas pessoas e esperança, que valorizam seus bons sentimentos. Recomendo também que as pessoas leiam, e aquelas que gostam, cuidem dos bichos. Há também muitas pessoas passando necessidade, e que precisam ser ajudadas. Quem pode, ajude!.