A pandemia do novo coronavírus fez com que as aulas presenciais fossem suspensas em todo o País. Por conta disso, estudantes fazem pressão para que o cronograma das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja adiada.
O Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), definiu os dias 1 e 8 de novembro para aplicação das provas impressas e os dias 11 e 18 de outubro para realização das provas digitais, que serão aplicadas pela primeira vez neste formato.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) disse que, ao manter o cronograma previsto inicialmente, o MEC e Inep não demonstram sensibilidade para o momento que alunos estão vivendo.
“Mantendo a data inicial, cria uma desigualdade entre alunos. Tem aqueles com eletrônicos em casa e os que precisam dos computadores da escola para fazer trabalhos e, até mesmo, a inscrição do Enem”, explicou o presidente da UNE, Iago Montalvão.
Para a estudante do terceiro ano, Júlia Viggiano Fonseca, de 17 anos, o adiamento da avaliação é de extrema importância diante da atual situação que o País vive com a pandemia do coronavírus.
“O ano letivo está prejudicado, mesmo com aulas online, às vezes não é suficiente para todos, pois não era um método que estávamos acostumados.”
A opinião da estudante é apoiada pelos pais, o farmacêutico bioquímico, Paulo Aparecido Fonseca, 57, e a farmacêutica Aida Viggiano Fonseca, 60, que acreditam que a situação vai demorar a ser normalizada.
Laura Rios Rodrigues, 16, aluna do terceiro ano, que está em preparação para o Enem, acredita que deve ser levado em consideração os estudantes que não estão tendo aulas pela internet.
“Acho que adiar é essencial, é questão de pensar no coletivo, solidariedade, sensatez mínima perante a realidade trágica na qual a gente se encontra agora”, comentou Laura.
A estudante Ana Paula Calixto, 17 também acredita que manter a data do Enem afeta não só os estudantes do último ano do ensino médio.
“Afeta quem precisa do computador da escola para fazer o pedido da isenção de taxas. Aqueles que terão que pagar, podem encontrar dificuldades para irem ao banco.”
Projeto no Senado por nova data
O projeto para o adiamento do Enem deve ser votado em sessão remota do plenário na próxima semana. Mas a pauta pode ser adiada caso apareçam medidas que precisem ser votadas em urgência.

O edital foi divulgado no dia 31 de março, quando já tinha sido decretado estado de pandemia por causa do coronavírus.
O senador considera “inoportuna” a publicação dos editais diante da situação da Covid-19, que levou o Brasil a reduzir as atividades escolares. Ele aponta como obstáculos a suspensão das aulas e as dificuldades de acesso à internet para muitos estudantes.
A senadora Daniella Ribeiro (PP/PB) também apresentou Projeto de Lei (PL) que, embora mantenha o edital do Enem, prevê a prorrogação de todos os prazos, a partir do reconhecimento do estado de calamidade por parte do Congresso Nacional.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mostrou apoio ao projeto.
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a prorrogação para as provas, exames e demais atividades de seleção para acesso ao ensino superior é garantida caso exista um reconhecimento de estado de calamidade pública.
