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FESTAS CLANDESTINAS

Bailes com drogas e armas tiram o sono de moradores

Eles pedem socorro à polícia por festas clandestinas que contam com som alto, drogas, bandidos armados e até tiroteios

Festa clandestina durante a pandemia, encerrada após intervenção de policiais militares

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Drogas, bebidas alcoólicas, música alta, armas e até sexo. Esse é o cenário de festas clandestinas, conhecidas popularmente como “bailes do Mandela”, que acontecem em vários bairros da Grande Vitória.

Comandados por traficantes, esses eventos, que não têm autorização da prefeitura para serem realizados, vêm tirando o sono de quem mora próximo ao local, transformando as noites em pesadelos. 

Na capital, segundo policiais militares e denúncias dos próprios moradores, as festas clandestinas acontecem em bairros como São Benedito, Penha, Garrafa, Jesus de Nazareth e Resistência. 

Em Vila Velha, os bailes acontecem nos bairros Ibes e Boa Vista. Já em Cariacica, no Morro do Quiabo, de acordo com as próprias divulgações dos eventos nas redes sociais.

Na Serra, embora não tenham sido apontados eventos promovidos por traficantes, na página de um baile que é realizado em Vitória, criminosos convocavam as pessoas, na semana passada, para participar de um show que seria realizado dentro de uma casa noturna do município. 

Além de não respeitarem as regras impostas pelo governo para conter os casos de covid-19, as festas colocam em risco a vida de quem passa pelo local ou de quem mora nas proximidades dos bailes.

“Não existe controle de som, os veículos precisam desviar suas rotas, já que essas festas são feitas no meio da rua. E sem falar no perigo de quem passa ali perto. E se acontece um tiroteio? Nós ficamos à mercê e precisamos do apoio da polícia”, descreveu um morador do Bairro da Penha, de 43 anos e que não quis ser identificado.

No Morro do Jaburu, em Vitória, as festas ficaram menos frequentes depois de uma ação da polícia, segundo um morador de 53 anos que também não quis se identificar. 

“Mas se a polícia não intervir, com certeza essas festas devem acontecer”, disse. 

Para trazer a tranquilidade de volta para a população, a polícia diz que realiza, constantemente, um trabalho preventivo para impedir a realização destas festas.  

“As informações são levantadas por meio do nosso setor de inteligência. Se descobrimos a existência de alguma, vamos até o local e a impedimos de acontecer”, disse o Comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus.

 













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Criminosos usam as redes sociais para marcar festas

As festas promovidas por traficantes não acontecem somente nas ruas de bairros conhecidos da Grande Vitória. Os bailes também estão sendo levados para estabelecimentos regulares, como clubes e boates.

Em uma rede social de um baile clandestino, conhecido na região do Complexo da Penha, em Vitória, o administrador da página publicou um informativo afirmando que a tradicional festa seria realizada dentro de uma boate que fica na Serra e que contaria, inclusive, com a presença de uma cantora famosa. 

“Fala rapaziada, venho comunicar a todos vocês que dia 5 de março, às 22h, o baile vai ser lá”, diz um trecho da publicação.

Vistoria

Comandante da Polícia Militar no Estado, o coronel Douglas Caus disse que, para inibir esses eventos dentro de locais que teoricamente têm autorização de funcionamento e que se demonstram seguros, a Polícia Militar e os órgãos da prefeitura sempre vão ao estabelecimento e realizam revistas. 

“Fazemos uma vistoria antes de o baile acontecer, verificando todos os alvarás, por exemplo. Caso seja encontrado irregularidade, o local é interditado”, disse.

O comandante da PM frisou que o dono do estabelecimento tem a obrigação de saber quem está locando o espaço. 

“Se chegarmos lá e estiver fora daquilo que estava nos documentos, ele será responsabilizado e pode até ser preso”.

Polícia diz que vai intensificar ações

Para impedir a realização de eventos clandestinos, produzidos, principalmente por traficantes, a Polícia Militar pretende intensificar ações nos próximos dias e meses. É o que afirma o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus.

“Vamos intensificar as ações preventivas dos bailes clandestinos e continuar reprimindo essas festas, usando da força não letal”, disse o comandante.

Caus ressaltou as consequências que este tipo de evento traz para quem vive no entorno dos locais onde eles são realizados. 

“Como não existe autorização de funcionamento, essas festas, que geralmente são feitas ao ar livre, contam com bebidas alcoólicas, venda de drogas e a presença de traficantes. Isso sem falar  que, se é um local onde cabem 500 pessoas, os organizadores colocam o dobro de gente”, disse.

Nos casos onde é necessário o uso de força para dispersar as pessoas em eventos clandestinos, o comandante explica que antes de as equipes irem até o local da festa, é feito levantamento técnico, para não colocar a vida das pessoas em risco. “Se observarmos que teremos condição de intervir, vamos ao local e dispersamos as pessoas”.

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