- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
SAÚDE

Bebê fica 24 horas em corredor de hospital à espera de vaga

Rafael, de 2 meses, ficou 24 horas no corredor à espera de vaga em hospital. Mãe conta que outros bebês estão na mesma situação

-

Última atualização

No último domingo, um bebê de apenas dois meses, com tosse, febre, vômito e diarreia, foi internado em uma  Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e ficou esperando vaga em um leito hospitalar, o que só aconteceu após ficar cerca de  24 horas em um corredor do hospital. 

Na noite da última quarta-feira, veio a notícia  de que Rafael Pereira Carvalho seria transferido da UPA de Riviera da Barra, em Vila Velha, onde estava em um leito de emergência, para o Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), no mesmo município.

Mas o alívio, como descreveu a mãe da criança, a cuidadora de idosos e crianças Fernanda Pereira dos Santos Ferri, de 23 anos, foi substituído por frustração.

O motivo, segundo ela, é que  após a transferência em ambulância, o bebê  deu entrada no Himaba, mas ficou no corredor lotado, inicialmente deitado em uma cadeira.

Ele não foi o único, como observou Fernanda. “Tinha um bebê de 15 dias que estava no corredor há dois. Outro de um mês está há cinco dias. E só está chegando mais gente, bebês, crianças e adolescentes de todas as idades.  Não tem nem mais cadeiras disponíveis”, lamentou, na tarde de ontem.

A mãe do bebê contou que ontem  pela manhã ela conseguiu um berço na maternidade do Himaba para o filho, mas ele continuou no corredor. “Além dele, tem mais três bebês  no bercinho. Se o hospital aceita um bebê, deve internar logo. Não deixar a gente no corredor”. 

Ela destacou que na noite de quinta-feira (03), cerca de 24 horas depois de dar entrada no Himaba e ficar no corredor, o bebê conseguiu a tão sonhada vaga. 

“Chamaram ele agora, pouco mais de 18 horas, para a enfermaria, porém estão tirando a cama e vai continuar no berço. Assim como ele, alguns pacientes conseguiram um leito durante o dia,   receberam alta,  foram para cirurgia, inclusive de apendicite. Outros ainda esperam por vaga”, disse ela, na noite de ontem. 

Mesmo no corredor, a mãe diz que  o bebê recebeu atendimento. “Depois de exames, ainda na UPA, veio o diagnóstico de que ele está com infecção urinária e pneumonia. O tratamento será de 10 dias. Aqui (Himaba), ele segue no soro para evitar a desidratação e está tomando antibiótico”, relatou a mãe.

Fernanda Pereira dos Santos Ferri, mãe do bebê | “Tenho fé que ele ficará bem”

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda: false
Alinhar à direita: false
Alinhar ao centro: true
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:



 

A Tribuna – Quando o seu bebê, de dois meses, começou a passar mal?

Fernanda Pereira dos Santos Ferri – Há três semanas. O levamos cinco vezes à UPA de Riviera da Barra (Vila Velha), pertinho da nossa casa.   Inicialmente, fizeram raio X nele  e foi constatada a pneumonia no pulmão direito. 

Depois, fizeram exame de sangue e urina e meu filho foi  diagnosticado com  infecção urinária. Devido ao quadro, foi necessário transferi-lo para um hospital. Foi aí que começou a nossa saga. 

Ficamos esperando desde domingo até a noite de ontem (quarta-feira) por um leito de enfermaria no Himaba de Vila Velha. Finalmente, hoje (ontem) à noite ele foi para enfermaria.

Está bem agora?

Claro que é melhor do que ficar no corredor,  porém  ele está na enfermaria, mas está junto com as crianças maiores. Ele  é o único bebê que está aqui na enfermaria. 

No meu entendimento, ele tinha que ficar junto com outros bebês ou crianças bem menores, mas pelo menos saiu do corredor do hospital.

Como ele está?

Ele chora, está caidinho, mas temos fé que ele logo ficará bem. Ele se acalma quando o amamento. É muita dor  ver um filho sofrendo e não poder fazer nada. 

Eu e outras mães só estamos pedindo o que é de direito, que é ter direito à saúde.

Infecção pode se agravar e há riscos, diz sindicato


Descrevendo o fato como uma precariedade, o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes), Otto Fernando Baptista, disse ontem à reportagem que o  corpo clínico do Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) entrou em contato com ele denunciando o caso de bebês esperando vaga no corredor.

Otto Baptista, que também é vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), demonstrou preocupação em relação aos casos, sobretudo do bebê de dois meses Rafael Pereira Carvalho, que ficou cerca de 24 horas no corredor do Himaba à espera de vaga de um leito.

“Precisamos de resposta para ontem. A infecção pode se agravar e há risco de septicemia. Dependendo da gravidade de cada caso, há risco até de morte”.

Para ele, isso é um problema de gestão. “Gostaria de saber quais são as providências que estão sendo adotadas pelo governo do Estado e pela direção do Himaba. Por que essas crianças estão em cadeiras indignas no corredor? Por que não providenciaram vagas pediátricas de Norte a Sul do Estado para evitar que isso acontecesse?”.

“A gente está apelando publicamente ao Ministério Público para que medidas cabíveis sejam tomadas o mais rápido possível para evitar que situações  como essas continuem acontecendo”, finalizou.

O outro lado | Hospital alega alta demanda

A direção do Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) esclareceu  que devido à alta demanda registrada por conta de quadros de síndromes respiratórias no Estado, reflexo do período sazonal, o local vem recebendo maior número de pacientes nas últimas semanas, o que impacta no tempo de atendimento.

“No entanto, não há desassistência e falta de leitos na unidade. Vale ressaltar que as crianças que aguardam admissão nas enfermarias estão recebendo toda a assistência necessária da equipe médica e técnica da unidade de saúde. No caso do paciente Rafael Pereira Carvalho, a criança já está no leito de enfermaria pediátrica”, disse, por nota, na noite de ontem.

A direção garante que vem ampliando leitos e contratando profissionais para reforçar o atendimento. “Em maio, mais 21 leitos foram abertos na unidade, sendo oito deles de semi-intensiva. Para este mês, a previsão é expandir ainda mais leitos”, diz a nota.

Em outro trecho, falou sobre investimentos que estão sendo feitos no hospital e que com as melhorias  realizadas nos últimos anos, o Himaba apresenta importante crescimento em seus dados assistenciais, como o aumento de 47% no atendimento/mês ambulatorial e de 106,4% no pronto-socorro.

Já a Secretaria da Saúde informou que o  Himaba, que é gerido por organização social, contrata profissionais por meio de CLT, com a garantia dos direitos trabalhistas. “A unidade mantém o corpo de profissionais completo e apto para atender a toda a demanda assistencial”.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.