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Cidades

Bicicleta elétrica é motivo de brigas nos condomínios

Moradores também entram em conflito por causa de barulho, animais de estimação, e vagas de estacionamento, por exemplo

Juliana Lopes Monteiro é síndica profissional e adota uma abordagem proativa na promoção da boa convivência em condomínios. Ela implementa soluções técnicas para questões como tomadas para carros elétricos, buscando o consenso em assembleias democráticas. Juliana também orienta os moradores a resolverem conflitos, como o barulho durante obras e reuniões em home office, incentivando o diálogo entre vizinhos e estabelecendo uma agenda prévia. Assim, cada um comunica quando fará barulho e quando precisará de silêncio. “Apesar das medidas, o bom senso ainda é primordial. No caso das tomadas elétricas, procuramos soluções técnicas com a ajuda de engenheiros e empresas que oferecem locação de totens. Levamos essas soluções para a assembleia”, ressaltou.

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Junto aos tradicionais conflitos, as entregas de lanches e o uso de bicicletas elétricas também têm motivado brigas entre vizinhos.

O uso de bicicletas elétricas, por exemplo, pode causar problemas de estacionamento e circulação nas áreas comuns, além de riscos de acidentes.

O alerta é da presidente da Comissão de Direito Condominial da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional capixaba (OAB-ES), Leidiane Malini. Ela aproveitou para dar dicas para evitar problemas.

“É importante definir locais adequados para estacionamento e garantir que os usuários respeitem as normas de circulação dentro do condomínio”.

Leidiane Malini ainda elencou outros exemplos que envolvem conflitos por causa de entregas de lanches, sobretudo a questão da segurança e do acesso. Alguns condomínios já possuem sistemas automatizados, com porteiros eletrônicos e locais reservados para o armazenamento de mercadorias, com abertura eletrônica e remota.

Ela também falou sobre aluguel por aplicativo. “Ainda é um tema pouco discutido nos condomínios. Pelas estimativas, menos de 20% se debruçou sobre a matéria. Mas existem alguns casos de conflitos sim, não entre os moradores, neste caso o locador e seus vizinhos, mas entre o proprietário insatisfeito com o aumento da circulação de pessoas e o condomínio”.

Neste caso, ela apontou as principais razões das queixas, que incluem a segurança, desgaste das áreas comuns e desordem.

“A entrada de estranhos no condomínio pode gerar insegurança. Além disso, há a questão do desgaste das áreas comuns, ou seja, maior uso das áreas compartilhadas por pessoas que não são moradores regulares”.

Quanto à regulamentação, ela explica que isso varia, mas em muitos casos, os condomínios têm regras específicas.

“Alguns proíbem e outros, como temos recomendado, criam regras para essa modalidade de locação. É importante que os proprietários verifiquem o regulamento interno. Em alguns lugares, o aluguel de curta temporada é permitido desde que comunicado ao condomínio e seguindo regras específicas para garantir a segurança e tranquilidade dos demais moradores”, concluiu a advogada Leidiane Malini.

A síndica profissional Wanessa Siqueira afirma que a orientação aos condôminos é estabelecer regras claras para o recebimento de entregas, como pontos específicos e horário para a retirada de encomendas.

Fique por dentro

Principais conflitos

– Barulho

Conflitos relacionados ao barulho ocorrem frequentemente em condomínios, seja por festas, obras fora do horário permitido ou atividades cotidianas que perturbam a tranquilidade dos vizinhos.

– Uso das áreas comuns

Disputas pelo uso de piscinas, salões de festas, academias e outros espaços compartilhados.

O uso dos espaços comuns por crianças e adolescentes, bem como brincadeiras dentro dos apartamentos, além de risadas, gritos, corridas, equipamentos eletrônicos com volume alto, também têm causado reclamações.

– Animais de estimação

Discussões sobre a presença de animais, especialmente em relação a barulho, sujeira e segurança.

– Vagas de estacionamento

Conflitos surgem quando as vagas de garagem são insuficientes, desatualizadas para veículos maiores (como SUVs) ou quando há disputas pela utilização das mesmas.

O manejo eficiente das vagas e a clareza nas normas de uso são essenciais para prevenir desentendimentos entre condôminos.

– Obras e reformas

Conflitos relacionados a obras e reformas incluem questões como sujeira e interferência na rotina dos vizinhos. Com o aumento do home office, obras durante o horário permitido podem perturbar a concentração e produtividade dos moradores que trabalham em casa.

É essencial que os condôminos se comuniquem previamente sobre as obras, estabeleçam horários adequados e respeitem as normas de convivência para minimizar os impactos negativos.

– Aluguel por plataformas

Alugar imóveis por curta temporada em plataformas digitais caiu no gosto de muitos brasileiros, mas como o tema é polêmico e divide opiniões, sobretudo no quesito segurança diante da rotatividade de estranhos, condomínios estão mudando normas para proibir locação por aplicativo.

– Inadimplência

Considerado um dos principais desafios encarados pelos síndicos, pois este problema interfere na estimativa orçamentária feita pela administração.

Desta forma, a situação acaba afetando o fundo de reserva do condomínio e dificultando o trabalho do síndico — que tem, nos pagamentos em dia de cada condômino, os recursos para a sua administração.

Exemplos disso são sanar algum problema que pode ocorrer com encanamentos, fazer alguma obra de melhoria prevista, efetuar os pagamentos dos funcionários, luz, água, entre outros gastos calculados.

– Moradores antissociais

São aqueles que têm comportamentos que prejudicam a convivência harmoniosa no condomínio. Exemplos de comportamentos antissociais incluem:

Desrespeito às normas do condomínio: Não seguir as regras estabelecidas, como horários de silêncio e uso das áreas comuns.

Agressividade: Comportamento hostil ou agressivo com outros moradores ou funcionários do condomínio.

Manutenção inadequada da unidade: Deixar a unidade em condições que possam afetar os demais, como odores fortes ou lixo acumulado.

Realização de festas frequentes e barulhentas: Ignorar as regras de convivência e causar perturbação frequente.

Fonte: Advogada Leidiane Malini e pesquisa A Tribuna.



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