Nunca fez tanto calor em Vitória, em janeiro, desde a década de 1990. O primeiro mês de 2019 termina como o mais quente desde 1993, em relação às temperaturas máximas, indica o Climatempo.
A meteorologista Josélia Pegorim comentou que nos meses de verão há formação de muitas frentes frias. No entanto, o ar polar que acompanha esses sistemas e é o responsável por aliviar o calorão está muito fraco e não consegue diminuir muito as temperaturas.
“No caso de Vitória, um sistema de alta pressão atmosférica está atuando na costa do Sudeste. O que inibe a formação de nuvens carregadas e impede que as frentes frias que chegam no Sul avancem ao Sudeste. O nome é bloqueio atmosférico. Com isso, a sensação de calor só aumenta”, explicou.
O advogado Luciano Gabeira, de 33 anos, que o diga. Os 35 graus que fizeram ontem na avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, em Vitória, levaram ele até usar a água mineral para refrescar o rosto. “É um calor incomum, dá para perceber. Fazia tempo que não esquentava tanto assim.”
“Eu trabalho de terno e gravata, então é mais sofrido do que para o resto dos trabalhadores. Ainda bem que o Tribunal de Justiça baixou uma portaria que dispensa o uso de gravata e paletó – o que dá uma aliviada. Mas, em casa, é ar-condicionado na maioria dos cômodos possíveis”, disse.
Pelas medições do Instituto Nacional de Meteorologia, a média das máximas registradas de 1 a 30 de janeiro deste ano foi de 33,7°C.
Com previsão de 34°C para ontem, esta média poderá ser confirmada. O recorde anterior de maior média de temperatura máxima no período de 1993 a 2018 era de 33,6°C, em janeiro de 2010.
Questionada se o calor ainda vai aumentar nos próximos dias, Josélia disse que é difícil afirmar com certeza, porque meses mais quentes e secos ou meses mais chuvosos e frios se alternam em determinados ciclos, que estão relacionados com as variações na temperatura da água do mar nos oceanos.
“Este ano observamos um aquecimento no oceano Pacífico Equatorial, com tendência de formação de um episódio do fenômeno El Niño, que não está completamente configurado. Vitória já teve meses mais quentes do que janeiro de 2019, como fevereiro de 2016”.

