Fera dentro e fora das quadras, o capixaba Alessandro Casé, de 47 anos, é uma estrela do basquete e dá show de responsabilidade social.
Com 34 anos de paixão pelo esporte, sendo 23 como atleta de alto rendimento e 11 na categoria master, hoje ele é articulador de um projeto social que ajuda a transformar a realidade de cerca de 300 crianças e adolescentes de bairros de Vitória, com ensinamentos sobre o esporte e sobre viver em sociedade.
O projeto Basquete na Praça foi idealizado, pensado e criado em 2016, com o intuito de ocupar espaços e mudar a realidade de crianças e adolescentes, levando ensinamentos sobre o esporte e tudo o que envolve a vida de um atleta, como trabalhar em equipe, por exemplo.
“O projeto começou no Jabour, em uma quadra que precisava ser ocupada. O tráfico estava dominando e eu queria fazer algo pela comunidade. Sempre tive também o intuito transformar a realidade de crianças e adolescentes, ampliando os horizontes e ensinando habilidades como o trabalho em equipe”, contou Casé.
Hoje, o Basquete na Praça acontece em três quadras. No Bairro República, em Goiabeiras e em Jardim Camburi. “Podem participar do projeto crianças de 6 a 18 anos. É gratuito, mas a criança precisa estar estudando”.
“Aqui no projeto nós cobramos isso e cobramos também dos pais que se façam presentes na vida escolar do aluno e que o acompanhe de perto nas notas e no desenvolvimento social. Sempre falo que ‘bom de bola é bom na escola’. Então, eu falo para o pai: se estiver ruim na escola, não precisa nem trazer. Só me avisa”, explicou.
Master
Alessandro Casé, ou simplesmente Casé, carrega no peito a paixão pelo basquete e na bagagem muita história, além de coleções de títulos no basquete tradicional e também pela seleção brasileira master 3×3.
“Há 11 anos faço parte da seleção brasileira master 3 x 3 e 5 x 5. Quando estava encerrando minha carreira profissional, em 2012, fui convidado pela Federação Brasileira de Basquetebol Master (FBBM) para participar do meu primeiro mundial, na Grécia, na categoria 35+, onde me consagrei campeão mundial. De lá para cá, já são três títulos mundiais, um campeonato Pan-Americano, três brasileiros e dois sudeste”.
Casé contou ainda que esteve recentemente no México para uma disputa na categoria 40+.
“Eu, com 47 anos, jogando com meninos de 40, é uma diferença enorme. Mas fui campeão mundial e me consagrei o melhor atleta master da minha categoria e também campeão mundial. Neste campeonato ficamos em quinto lugar”.
Saudáveis e longe da criminalidade
Além de ensinar uma nova modalidade de esporte às crianças e aos adolescentes que participam do projeto, o Basquete na Praça busca ser um agente de socialização, com o objetivo de manter as crianças longe das drogas e da criminalidade.
“Eu cobro o acompanhamento escolar das crianças pelos pais e mantemos um diálogo sobre o desenvolvimento social de cada um dos filhos deles. Além do esporte, nós ensinamos lições que eles levarão para o resto da vida”, diz Alessandro Casé, criador do projeto.
Na modalidade aprendida em quadra, a regra é clara. O jogo só acontece com trabalho em equipe e confiança nos colegas que estão em quadra.
O nome 3×3 ou 5×5 se deve ao número de jogadores em quadra. No 3×3, são três jogadores de cada time. Assim como no 5×5 são cinco jogadores de cada time.
Ele explica que esse é um jogo muito rápido. “São 10 minutos ou 21 pontos. Então, quem estiver na frente em 10 minutos, ganha o jogo; assim como quem fizer 21 pontos primeiro. O objetivo é fazer com que a bola entre na cesta”, ressalta.
Casé explica ainda que a ideia é que, futuramente, o projeto cresça cada vez mais, se expandindo para outras comunidades. Mas, para isso, ele observa que é necessário ter condições.
“Iniciaremos um projeto itinerante de basquete 3×3 que a cada mês vai estar em uma comunidade. É um evento. Quero levar o basquete 3×3 para dentro das comunidades, levando uma esperança”, revela.
A primeira edição vai acontecer no dia 25 deste mês (sábado que vem), na praça de São Pedro, na nova orla, em Vitória, e uma vez por mês se fazendo presente nos diversos bairros da cidade.
“Essa é a ideia. Trazer jovens, adultos, meninos, meninas, mulheres, para participar. E, claro, com isso você traz também a família. Crianças vendo crianças jogando e se inspirando. Jovens vão ver jovens jogando. O intuito é levar isso para dentro das comunidades”.