Aos 4 anos, o pequeno Kauan Tesch já venceu muitas batalhas. Com um problema congênito chamado de artrogripose, que provoca má formação nas articulações, ele já teve diversas fraturas nos braços e nas pernas, a primeira delas quando ainda tinha duas semanas de vida.

De acordo com a mãe, ele também passou por uma osteomielite (infecção nos ossos por bactéria), que o levou a ser hospitalizado em junho. Foi no tratamento, em que teve a oportunidade de passar por uma cirurgia de reconstrução dos membros inferiores, que nasceu a esperança dos pais de ver o filho dar os primeiros passos no futuro.
A cirurgia foi realizada no Meridional Cariacica, no dia 30 de julho e, segundo o ortopedista Diego Sant Anna Faria, ela foi a primeira do tipo no Estado, para tratamento da síndrome congênita rara, da fratura de fêmur e da osteomielite crônica.
O médico ressaltou que, apesar de o procedimento não ser novo, é pouco conhecido no Estado.
“Ele foi feito através de um fixador externo circular pelo método de Ilizarov, baseado na medicina regenerativa óssea”.
O médico explicou que o autor do método desenvolveu o modo de se obter uma formação de novo seguimento ósseo em um foco de fratura controlado e induzido pelo cirurgião.
De acordo com o ortopedista, o método consiste na reconstituição dos membros, colocando um aparelho fixador externo circular, que passa por regulagem através de mecanismo de motores e dobradiças. “Isso possibilita correção gradual e indolor das deformidades. Mas isso ainda demanda um tempo de tratamento”.
A mãe Kauan está confiante. “Só um pai e uma mãe sabe o sofrimento que é ver o filho passar por tudo o que ele passou, as diversas fraturas nos braços e pernas”, disse Indiara.
“Nunca perdi a esperança de ver meu filho andando e bem”, Indiara Mãe de Kauan
A Tribuna – Quando percebeu o problema de Kauan?
Indiara Tesch Salomão – Quando ele nasceu, eu saí do hospital com um laudo dizendo que ele tinha nascido com dois pés tortos congênitos.
Fomos transferidos para o Hospital Infantil de Vila Velha e, após exames, tivemos o diagnóstico da artrogripose. Foi um baque grande, pois não conhecia nada, não tinha informação.
A Tribuna – Como foi o crescimento dele?
Indiara Tesch Salomão – Ele tem os joelhos rígidos e pés tortos. Os bracinhos também não esticam totalmente.
Ele se locomove se arrastando, mas não anda. Já teve diversas fraturas nos dois braços e oito fraturas na perna direita. Kauan é um menino muito esperto e inteligente
A Tribuna – Como conheceu a equipe que fez a cirurgia ?
Indiara Tesch Salomão – Kauan foi internado em junho e lá conheci os profissionais. A médica que conheci primeiro disse que iria me apresentar médicos que mudariam nossas vidas. Eles se comoveram com a história, explicaram e falaram na possibilidade da cirurgia.
Eu nunca perdi a esperança de ver meu filho andando e bem. Tem a possibilidade, mas o caminho é longo.