O despertador mais antigo e natural – os raios solares – está adiantado e tem tirado as pessoas mais cedo da cama. A partir das 4h30, o clima já é de verão na praia, com o céu claro.
Mesmo sem o horário de verão, o dia fica iluminado mais cedo. É que o sol nasce mais cedo nesta época do ano, segundo especialistas. Com o fim do horário de verão, essa luminosidade fica ainda mais presente no cotidiano.
Se antes aproveitava-se a tarde prolongada, agora é a parte da manhã que está em destaque, principalmente para atividades físicas. Quando havia o horário de verão, o anoitecer ocorria entre 19h e 19h30. Agora, a noite cai por volta de 18h.
Esse é o caso da médica Daisy Rojas, de 65 anos. Às 4 horas, ela já está de pé. Após se arrumar, faz alongamentos e caminha cerca de 3 km no calçadão de Camburi, em Vitória. Além do sol, há outro fator que faz Daisy manter essa rotina: a longevidade. “Quero chegar aos 80 anos, com saúde e me sentindo bem”. A advogada Célia Rozemar De Brito, 68, também faz questão de levantar cedo. “Quando o sol brilha, eu já estou saindo de casa”.
As duas utilizam a Academia Popular da Pessoa Idosa (Appi) de Jardim Camburi. Já a estudante Milena Kirmse Comério, de 20 anos, faz treinamento funcional na areia da praia, às 6 horas. “É uma forma de aliviar o estresse do dia a dia e ainda cuidar da saúde física e mental”.
O professor de Educação Física Pedro Muniz disse que os primeiros horários de aula são os mais disputados. “Fazer um exercício pela manhã deixa a pessoa mais disposta. Aumenta até a sensação de bem-estar e a atenção no ambiente de trabalho”.
Segundo o Climatempo, todos os anos, na primavera, são registrados dias mais longos e noites mais curtas. A proximidade do verão explica o fato de o dia nascer mais cedo. No dia 22 de dezembro, quando começa o verão, o sol vai nascer às 4h58 e se pôr às 18h20.
O diretor técnico-científico do Planetário de Vitória e professor do Departamento de Física da Ufes, Sérgio Bisch, ressaltou que, como acontece todo ano, os dias vão continuar amanhecendo cada vez mais cedo.
Isto vai ocorrer até o “solstício de verão”, quando o Sol atinge o máximo deslocamento ao Sul, marcando o início oficial do verão no Hemisfério Sul, entre 21 e 22 de dezembro.
ELES ACORDAM CEDO

A autônoma Ana Luiza Almeida, de 28 anos, sai de casa às 5 horas e vai pedalando da altura da Pedra da Cebola até a Ilha do Frade. Ela pratica canoa havaiana há dois meses e leva o remo na cestinha da bicicleta.
O percurso pelo mar dura cerca de uma hora. “Dizia que jamais ia acordar cedo para fazer atividade física. Hoje, não só acordo, como estou amando. Faço questão de sair mais cedo. Ver o sol nascer é um verdadeiro privilégio”, contou.
“O sol é minha energia”
Às 4h30, Francisco Carlos Fernandes, 59, já está de pé. “Não tenho preguiça. Caminho até a academia popular e me exercito mais lá. Faço até barra e flexão”.
Ele contou que há 60 dias mantém a mesma rotina e já percebeu vários benefícios. “Estava com a pressão alta e, depois que comecei a me exercitar, melhorou muito. As vantagens são físicas e mentais. O sol é a minha energia. Sempre faço vídeos da paisagem para incentivar os amigos”.
“Faz bem para o corpo todo”
O instrutor de canoa havaiana André Luiz Casotti, de 37 anos, disse que a primeira canoa sai da praia de Camburi às 5h20.
Ele revelou que os alunos preferem remar mais cedo devido às condições climáticas e também para não se atrasarem no trabalho.
“É um exercício que faz bem para o corpo todo. As pessoas acham que a atividade movimenta apenas o braço, mas também força as pernas ao impulsionar. É um trabalho em conjunto. Já o percurso é definido no dia pela turma e dura em torno de uma hora”, explicou.
CAMINHADA

A servidora pública Andressa Di Cavalcanti, 52 anos, e o economista Marcos Di Cavalcanti, 53, acordam cedo. Acompanhado do cão Chico, o casal caminha todos os dias.
“Saímos cedo para conseguirmos caminhar tranquilos, porque é quando o calçadão está menos movimentado. É o único horário em que nós dois conseguimos nos exercitar juntos”, explicou Andressa.




