- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Cidades

CPI vai investigar morte de cachorro em varanda de apartamento

Um cachorro da raça bulldog francês, com um ano, morreu após ficar preso durante três horas na varanda ensolarada de um apartamento localizado no ...

Última atualização

Um cachorro da raça bulldog francês, com um ano, morreu após ficar preso durante três horas na varanda ensolarada de um apartamento localizado no bairro Jardim da Penha, em Vitória, no último domingo.

Vídeos que circulam na internet mostram o cachorro imóvel no local e vão servir de prova para a investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa, presidida pela deputada Janete de Sá (PMN).

A deputada confirmou que foi feita uma denúncia ao Legislativo e que até a próxima terça-feira os envolvidos serão ouvidos.

“A partir de amanhã (hoje) será endereçada a convocação para o proprietário do imóvel, o tutor do animal e o secretário de Meio Ambiente de Vitória prestarem depoimento. Também vamos ouvir os protetores que fizeram o resgate e vizinhos, para tentar identificar se houve crime de maus-tratos”, informou a deputada.

Segundo Janete, se for identificado o delito, o caso será enviado ao Ministério Público Estadual.

A primeira pessoa a chegar até o animal foi a jornalista Regi Marques. Ela contou que recebeu o vídeo em um grupo do WhatsApp e correu ao local, com o intuito de socorrer o cachorro. Ela disse que chegou por volta das 15h30.

“Eu moro perto, então não pensei duas vezes, cheguei lá pronta para arrombar a porta do apartamento, mas ela estava aberta, só a da varanda que estava trancada. Já encontrei o cachorro morto, com a língua roxa para fora”, explicou.

Regi relatou que enrolou o animal em lençóis e toalhas que pegou no próprio apartamento e desceu com ele até o seu carro, nisso uma prima do tutor chegou ao local e percebeu o que estava acontecendo, então ligou para ele.

“Ele (dono do cachorro) chegou tremendo e perguntando ‘o que aconteceu? cadê meu cachorro?’ e começou a gritar e chorar muito, foi quando percebemos que ele gostava do cachorro e que aquilo foi uma fatalidade”, explicou.

“Ele é um rapaz tranquilo e educado, e me ligou hoje (ontem) agradecendo por eu ter ido até lá, pois podia ter salvado o Bartolomeu”, finalizou.

Vizinhos dizem que pediram ajuda ao Corpo de Bombeiros

Vizinhos do prédio onde o cachorro estava contaram que acionaram o Corpo de Bombeiros e a Prefeitura de Vitória em busca de socorro, mas não obtiveram ajuda.

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que recebeu um chamado para resgate às 15h40 de domingo. “Segundo os moradores, o proprietário não estava presente no local e deixou o animal sozinho. A equipe de plantão retornou o contato para o solicitante desta ocorrência para confirmar o fato, mas não obteve sucesso, sendo assim, o chamado foi encerrado.”

De acordo com a Corporação, a equipe sempre valida os chamados recebidos para verificar a veracidade dos casos, prevenindo trotes, e que, nesses casos, é recomendável, com autorização da síndica, que a porta seja aberta por um chaveiro profissional.

Outra orientação citada na nota é que o cidadão pode contatar o Centro de Controle de Zoonoses.
O subsecretário de Qualidade Ambiental e Bem-estar Animal da prefeitura, Ademir Barbosa Filho disse que não houve contato através do Fala Vitória (156) ou do Ciodes (190). “Não temos registro de chamada para esse caso”, afirmou.

Dono diz que foi fatalidade

“Fiquei desesperado, a ficha ainda não caiu. Foi uma fatalidade e eu estou sofrendo até ameaças”. A declaração é do universitário e dono cachorro, que pretende deixar Vitória e abandonar a faculdade por conta da repercussão do caso.

Pedindo para não ser identificado, ele contou que trancou a varanda achando que o animal estivesse dentro de casa, como de costume.

“Saí para almoçar às 12h40 e, quando terminei, recebi a ligação da minha prima, dizendo que o cachorro havia falecido. Chorei muito, era o meu xodó e eu amo ele eternamente. Sei que errei, mas foi uma fatalidade”, afirmou o dono do cachorro, que é natural do interior do Estado.

A irmã do universitário disse que a família está assustada com o julgamento feito pelas pessoas na internet.

“Estão falando coisas que não são verdade. Meu irmão amava o cachorro e tinha até uma tatuagem dele no braço. Está faltando empatia no mundo, todo mundo quer julgar sem conhecer o que o outro passa”, disse.

Ela revelou que eles sempre conviveram com animais e, após ter se mudado para a capital para estudar, o jovem se sentia muito sozinho e por isso ganhou de presente o cachorro da mãe.

Ela teme que o irmão entre em um quadro de depressão por causa da perda do cachorro e dos comentários que estão sendo feitos na internet.

“Ficamos com medo de alguém fazer algo com ele ou dele próprio tentar se machucar, então preferimos buscar ele para voltar para casa”, disse.

Veterinárias alertam para riscos

Veterinárias ouvidas pela reportagem foram unânimes ao explicar que a dificuldade na troca de calor e o desequilíbrio térmico foram fatores preponderantes para a morte do cachorro.

A médica veterinária Melissa Ferreira disse que pode-se considerar que o cão teve uma hipertermia por intermação ou insolação.

“O excesso de salivação sem a reposição de líquidos promove desidratação. Com a continuidade da exposição vão se desenvolvendo alterações mais profundas nos sistemas respiratório, cardíaco e vascular levando à morte por choque hipotensivo”, disse.

De acordo com Melissa, é preciso ter todo cuidado com os pets, “pois qualquer situação de estresse que leve o cão a ficar super excitado, pode levar a esse quadro, até excesso de brincadeiras, passeios em horários quentes do dia e confinamento”.

A também veterinária Luisa Quintela destaca que os cães, ao contrário dos humanos, não possuem glândulas sudoríparas pelo corpo. Sendo assim, fisiologicamente não conseguem suar em grande quantidade como nós.

Os sinais de hipertermia são fáceis de identificar. Segundo a veterinária, o cão fica prostrado, muita salivação (que facilita a desidratação), fica muito ofegante na tentativa de diminuir sua temperatura, a pele dele fica hiperemica (vermelha) e quente.

“Todos os animais estão suscetíveis a hipertermia. Porém, tem raças que são mais sensíveis ao calor. Sensíveis no sentido fisiológico de não conseguirem equilibrar sua temperatura com o meio de forma tão eficiente como outras raças, como no caso dos cães que têm focinho curto, que não conseguem fazer essa troca tão bem.”

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.