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Crea aponta 14 mil obras irregulares no Espírito Santo

Número se refere a autos de infração notificados nos últimos dois anos, o que representa 20 registros feitos diariamente

Engenheiros do Crea-ES durante fiscalização em Vitória: 98% das autuações são devido à falta de supervisão de profissional ou empresa habilitada

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O número de obras irregulares no Espírito Santo já chama a atenção: segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), somente nos últimos dois anos, 14.635  autos de infração foram emitidos no Estado, o equivalente a 20 registros realizados por dia.

A maioria das infrações está relacionada às construções e reformas de obras e serviços de Engenharia, Agronomia e Geociências sem a supervisão de profissional ou empresa legalmente habilitados para o exercício dessas atividades.

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“Cerca de  98% das autuações são em cima da  falta de anotação de responsabilidade técnica, falta de um responsável técnico pela obra e  empresas que não são registradas no Crea”, explica o presidente do Crea-ES, engenheiro Jorge Silva. 

Outras questões são contratos feitos em condomínios, “utilizando reformas, ou construções de imóveis também sem o registro técnico”, conforme explicou o presidente. 

Jorge Silva comentou ainda sobre as consequências que essas obras irregulares podem trazer para os responsáveis. 

“Além de não respeitar as normas técnicas, os construtores não dão segurança à sociedade  e, às vezes, as pessoas, de modo geral, adquirem esses imóveis  com esses  problemas e passam a ter muitas ‘dores de cabeça’, inclusive colocando suas vidas em risco”, ressaltou Jorge Silva. 

Para o órgão, a comunidade exerce um papel fundamental para a fiscalização do conselho, tendo como compromisso realizar as denúncias de possíveis irregularidades. 

Para isso, o órgão conta com o site (https://portal.creaes.org.br/),  onde qualquer cidadão pode comunicar atividades suspeitas, exercício ilegal da profissão ou qualquer outra demanda que necessite da intervenção do Crea-ES.

“Qualquer pessoa pode entrar em contato com o órgão no nosso  site, por meio do canal Denúncia On-line, e contribuir para a segurança de todos”, informou o presidente.

Quem descumpre  as regras de construção previstas pela lei e pelo Crea-ES pode sofrer  penalidades, entre elas a financeira, por meio de multas. 

Os profissionais que foram  denunciados por participação em processos irregulares de construção também podem responder interinamente pela participação.

“Nós temos o nosso código de ética, que vai analisar a conduta desse profissional. Eles podem ser penalizados com advertências e até a cassação do registro”, disse o presidente.

Multa para reformas sem registro

Quem construir ou fizer  reformas em prédios, casas ou qualquer tipo de obra sem o registro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) pode sofrer  consequências financeiras.

De acordo com o órgão, a multa para esse tipo de infração pode ultrapassar  R$ 7 mil.

“Varia de R$ 700 até mais de R$ 7.000. Em casos de repetição, essas multas dobram. Normalmente, são empresas que não têm registro, preparo, capacidade e profissional técnico para atuar no mercado”, explicou o presidente do Crea-ES, engenheiro Jorge Silva.

Para ajudar a reduzir o número de irregularidades em obras no Estado, o presidente informou que o órgão tem investido em tecnologia, fazendo uso de drones e até satélites para monitorar obras que estão em risco.

“Monitoramos  pontos e bairros, tanto pelo satélite quanto  pelos drones. Em razão de garantir a segurança das pessoas, temos utilizado essas ferramentas”, disse.

O presidente informou  ainda que o Crea-ES está contando com  uma parceria, feita com diversos órgãos públicos e privados, para fornecer engenharia pública e social.

“Estamos lançando um novo  programa, em convênio com as  prefeituras, para fornecimento de profissional técnico para elaboração de projetos, para aqueles que não têm condições de contratar e de pagar”.


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Os números no Estado

14.635 autos de infração foram emitidos ao todo no Estado, de   1º de janeiro de 2021 até o dia 6 de março deste ano. O número  equivale a 20 registros feitos por dia.

Sem supervisão

A maioria das infrações está relacionada às construções e reformas de obras e serviços de Engenharia, Agronomia e Geociências sem a supervisão de profissional ou empresa legalmente habilitados para o exercício dessas atividades.

A  falta de registro de profissionais e empresas; inexistência de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) relacionadas a esses trabalhos e empresas atuando sem responsáveis técnicos também foram algumas das infrações encontradas.

A atual gestão do Conselho adotou a prática de uma fiscalização orientativa, porém, rígida e técnica, que valoriza o profissional e protege à sociedade.

Para o  presidente do Crea-ES,  Jorge Silva, o   resultado mais latente do aumento de ações fiscais é a segurança da população. Obras com falhas de protocolo, ausência de projetos ou de empresas e profissionais qualificados e habilitados representam riscos diretos à comunidade. “Ao realizarem os autos, a atividade ilegal e danosa é inibida”, diz.

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