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TRAGÉDIA

“Era meu herói e agora eu o perdi”, diz filho de idoso soterrado em Cariacica

Robnilson perdeu o pai na tragédia, junto com sua casa e todos os pertences

Robnilson: “Não tenho mais nada”

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O filho de José Laurindo Filho, de 79 anos, chegou do trabalho e viu uma multidão na sua rua. O coração acelerou. Ele saiu da moto e foi se aproximando, até perceber que a casa dele, antes com três andares, estava toda no chão. 

Robnilson Marciano Laurindo, funcionário público, de 51 anos, perdeu o pai na tragédia, junto com sua casa e todos os pertences. Ele conversou com a reportagem do jornal A Tribuna, na manhã desta quinta-feira, 31, e detalhou o drama vivido pela família no final da tarde de quarta-feira, 30.

A Tribuna – Como  soube da tragédia?

Robnilson Laurindo – Quando cheguei na curva vi um bocado de gente e já fiquei logo apreensivo. Dessa vez foi um acidente na minha casa. Deixei minha moto na rua, e vi o vazio aqui. Tentaram falar comigo, mas onde eu trabalho não pega telefone. Saio 19 horas e nem olho o celular. 

Sorte minha que não olhei. Se eu tivesse olhado, seria pior. Viria do trabalho pilotando, como estaria minha cabeça? Como já está a minha cabeça agora? Perdi meu pai, meu herói. Que bom que eu não fiquei sabendo. 

Você morava com seu pai?

Eu morava na casa debaixo. Eram três andares: duas casas e um terraço. 

A minha sorte é que eu estava trabalhando. Se tivesse acontecido depois das 19h30, eu estaria aí embaixo também. Na casa de cima morava meu pai, a mulher e a irmã dela.

Como era seu pai?

Como pai, não tem o que dizer, era meu herói. Uma grande perda, meu maior bem se foi. 

No último dia 9 de março ele fez 79 anos e agora está descansando. Muito triste do jeito que ele foi, mas infelizmente, é a nossa vida. Hoje nós estamos aqui, amanhã, não. 

E agora, como vai ser?

Agora é tentar arrumar força, pedir muita força a Deus. Perdi meu bem mais valioso, que era meu pai. Hoje eu não tenho mais nada, mas tenho minha vida e meu uniforme de trabalho. 

A roupa que estou usando é emprestada do meu irmão. Mas dá para começar tudo de novo. Tenho força de vontade e Deus no coração.

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