- Vitória, ES 22°C

Vitória 22°C

Anúncio
CIDADES

Estado tem 1.231 à espera de transplante de rim

Pressão alta e diabetes são as principais causas da insuficiência renal, condição na qual os rins perdem a funcionalidade

A estudante Simone Brito dos Santos comemora com a mãe, Silvani Brito, o fim da espera pelo rim

Última atualização

O rim é o órgão que hoje, no Estado, há mais pacientes aguardando por uma doação. Das 1.939 pessoas inscritas no Cadastro Técnico Único (TCU), esperando por transplantes,  1.231 estão na espera por um rim.

Entre as principais causas da insuficiência renal, condição na qual os rins perdem a capacidade de efetuar suas funções básicas, estão a pressão alta e o diabetes.

O nefrologista e responsável técnico do transplante de rim da Rede Meridional, Lauro Monteiro Vasconcellos Filho, explica que quando os rins não têm recuperação é necessário o transplante.

“Quando o paciente tem na família alguém que possa doar o rim, preparamos para que seja feito direto o transplante, sem precisar passar pela hemodiálise”, explica.

Quando o paciente fica na espera do doador, é feita a terapia renal substitutiva com a hemodiálise, segundo explica o médico. 

De acordo com o nefrologista, exames de urina e de creatinina ajudam a rastrear a doença. 

“Pela creatinina podemos saber se o rim está funcionando e qual a porcentagem  de funcionamento. São exames que deveriam ser pedidos de rotina”.

O médico alerta ainda que vários medicamentos são tóxicos para os rins, podendo levar à insuficiência renal aguda, como os anti-inflamatórios.

A nefrologista Luciana de Assis Borba, do Hospital Evangélico de Vila Velha, destaca que   há uma baixa oferta de doação de órgãos, por isso a quantidade de pessoas na fila é grande. “Há um desconhecimento da população sobre o que é doação, como é o processo”.

A médica explicou ainda que a doação só pode ser feita quando há morte cerebral.

Para chamar a atenção para a importância da doação de órgãos,  amanhã se inicia a campanha   “Setembro Verde”. Segundo o coordenador da Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES), Leonardo Santiago, muitas famílias têm receio de fazerem a doação porque não conhecem a vontade do doador.

“A família é que autoriza a doação. Muitas têm medo que o corpo fique deformado durante o velório, mas isso não acontece”, garante.

“Ganhei uma nova vida”, diz jovem

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda: true
Alinhar à direita: false
Alinhar ao centro: false
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Conteúdo Sensível:
Estilo:


  

A intenção da estudante Simone Brito dos Santos, de 17 anos, era tratar as cólicas menstruais, mas a ingestão de remédios acabou provocando a perda da função renal.

“Normalmente, quando ela estava com cólica menstrual, tomava o remédio indicado, mas quando a dor não passava, acabava tomando outro anti-inflamatório mais forte”, conta a mãe da adolescente, a dona de casa Silvani Brito dos Santos, 36.

Há dois anos, a adolescente foi parar no hospital, após ter episódios de vômitos, e descobriu a doença renal.

“O remédio sobrecarregou os rins dela. A vida dela e a nossa parou. Ela só podia tomar 500 ml de água por dia. Nós sofríamos com ela”, lembra Silvani.

Por conta das sessões de hemodiálise, Simone não pode mais ir à escola e teve de estudar de casa.  

Porém, este mês, no dia 2, após quatro meses e meio na fila de espera por um rim, a adolescente conseguiu um doador. 

“Na época que descobri a doença sofri muito, mas quando me disseram que tinha conseguido este rim, foi só felicidade. Ganhei uma nova vida. Essa cirurgia devolveu a minha felicidade. Apesar das cicatrizes em meu corpo, nenhuma delas se compara com a nova vida que ganhei”, celebra Simone.

“A cirurgia é recente e ainda tenho restrições, mas já consegui até brincar no quintal e posso beber mais de dois litros de água. Agora vou poder voltar para escola e no ano que vem até procurar um emprego”, completa.

Quem pode doar

Em casos de morte

– Podem doar pacientes diagnosticados com morte encefálica (cerebral), que pode ocorrer por um tumor, trauma craniano ou um acidente vascular cerebral (AVC).

– Se a família autorizar a doação, esse paciente passa a ser um doador.

– Nos casos de mortes que levem à parada do coração, só é permitida a doação de córnea.

Em vida

– Pode ser doador qualquer familiar até quarto grau. 

– Em caso de um amigo do paciente optar por ser um doador, ele só pode fazer se houver uma autorização judicial.

Desejo

– O coordenador da Central Estadual de Transplantes do Espírito Santo (CET-ES), Leonardo Santiago, explicou que é importante que as pessoas conversem em casa sobre o tema, manifestando a vontade de ser doador ou não, em vida, pois grande parte das recusas familiares está relacionada ao desconhecimento desse desejo do doador.

Pandemia

– Durante a pandemia de covid-19, foram criados novos protocolos sanitários para triagem do doador e receptor de órgãos e tecidos, bem como critérios para avaliação da realização dos transplantes. 

– Um deles é a exigência do teste de covid-19 para todos os processos de doação, a fim de garantir um procedimento seguro.

Serviços no Estado

– No Espírito Santo são realizados os transplantes de coração, fígado, rim, córnea e medula óssea.

– Existem no Estado sete serviços habilitados para realização desses procedimentos, sendo cinco deles por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e quatro particulares (transplante de córneas).  No entanto, todo o processo de notificação, captação e doação de órgãos é feito pelo SUS.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa).

SAIBA MAIS

Números

– 1.939 pessoas estão inscritas no Cadastro Técnico Único (TCU) aguardando por um transplante.

– 1.231 aguardam por um rim

– 683 aguardam por córnea 

– 18 aguardam um fígado  

– 07 por um coração.

Rim

– Entre as principais causas da insuficiência renal, quando os rins perdem a capacidade básica, estão a  pressão alta e o diabetes.

– Vários medicamentos também são tóxicos para os rins,  podendo levar à insuficiência renal aguda, como anti-inflamatórios e antibióticos.

– Exames de urina e de creatinina ajudam a rastrear a doença.  

Prevenção

– Algumas medidas podem prevenir o aparecimento de doenças, como  dieta,  evitar o excesso de sal e de peso;  fazer exercícios; não fumar; controlar a pressão arterial e o diabetes.

Fonte: Sesa e Ministério da Saúde.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.