Será que existe alguma fonte de juventude para o cérebro? Se você quer mantê-lo jovem e evitar as doenças da idade, como as demências, estudar é uma das atividades que podem ajudar, de acordo com os médicos.
No Estado, 6.953 pessoas acima dos 50 anos de idade voltaram a estudar para manter a mente ativa ou mudar de profissão.
São, pelo menos, 3.826 alunos cursando uma graduação, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC). Outros 3.127 estão matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede estadual de ensino e das redes municipais da Grande Vitória.
Segundo a geriatra Fernanda Damiani, estudos já demonstraram que estudar aumenta a capacidade da memória, criatividade, concentração e até mesmo melhora a habilidade de aprender.
“Ou seja, quanto mais a pessoa se dedica ao aprendizado, mais fácil fica adquirir novos conhecimentos. Por meio dos estudos, o cérebro é exercitado e, assim, é protegido da degeneração natural e de doenças, como o Alzheimer”.
O geriatra Heitor Spagnol, do Hospital São José, frisa que o estudo é importante em todas as fases da vida.
“Nos pacientes idosos, é necessário que seja mantido porque permite que o cérebro esteja sempre em atividade. A manutenção dessa atividade cerebral é capaz de melhorar a reserva cognitiva, que é a capacidade que temos de executar atividades do dia a dia, de forma clara e consciente”.
O médico destaca que a reserva cognitiva pode ser maior em algumas pessoas, seja pela questão genética, mas, principalmente, por manterem o hábito de estudo.
“Alguns estudos mostraram que pacientes que aprendem um novo idioma, mesmo depois de idosos, têm um aumento dessa reserva cognitiva. Esses pacientes apresentaram uma diminuição, bastante significativa, no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas”, diz.
A psiquiatra e psicogeriatra Maria Benedita Reis frisa que jogos de memória e música também ajudam a exercitar o cérebro. Maria pontua como o modo de enxergar a maturidade tem mudado, para quem tem mais de 50 anos.
“Antigamente, essas pessoas se aposentavam e se recolhiam. Hoje, elas estão sendo orientadas que estudar faz bem para o cérebro, além de fazer bem conviver com outras pessoas, ter outras demandas e ter uma vida própria, e não apenas viver a vida dos filhos e netos”.
O psicólogo e terapeuta cognitivo comportamental André Zonta acrescenta que ter novas experiências, como o estudo, gera bem-estar.
“Também traz felicidade, porque a pessoa está fazendo algo que vai agregar conhecimento, aumentar a capacidade de memória e concentração. A população está ficando mais velha e tem buscado mais qualidade de vida”.
Além de todos os benefícios para a saúde, o estudo acima dos 50 anos tem outro impacto, segundo o doutor em Educação e professor da Educação de Jovens e Adultos, Rinaldo Pevidor. “Diminuição do número de analfabetismo do público com mais de 50 anos é a primeira consequência da volta às salas de aulas”.
Alguns benefícios dos estudos
Capacidade da memória
Criatividade
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Estudar aumenta a capacidade da memória, da criatividade, concentração e, até mesmo, melhora a habilidade de aprender.
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Quanto mais a pessoa se dedica ao aprendizado, mais fácil fica adquirir novos conhecimentos. Por meio dos estudos, o cérebro é exercitado e, assim, protegido da degeneração natural e de doenças, como o Alzheimer.
Autoestima
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Ao estudar algum assunto de interesse próprio, a pessoa tende a se sentir mais feliz e realizada, melhorando a sua autoestima. Sentir-se engajado e com propósito de vida é de grande benefício mental.
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Muitas vezes, as pessoas aposentadas entram em depressão por não possuírem mais desejos e objetivos.
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Estudar é um estímulo tanto como fonte de aprendizado, como para realização de um sonho: se especializar para ter o próprio negócio.
Socialização
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O ambiente de sala de aula é um terreno propício à criação de laços afetivos. Retomar os estudos pode promover amizades, até mesmo com os mais jovens.
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O conhecimento e a experiência de vida de quem tem mais de 50 anos, quando compartilhados, são de grande aprendizado e crescimento, para toda e qualquer faixa etária.
Promove independência
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Por se sentirem mais confiantes, essas pessoas acabam deixando de precisar de outras para realizarem atividades do dia a dia, como pagar uma conta.
Elimina o analfabetismo
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O retorno às salas de aula por quem tem mais de 50 anos reduz o analfabetismo desse público.
Fonte: Especialistas consultados e pesquisa AT.
