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COOPERATIVISMO

Família lança primeiro azeite de abacate do ES

História, memória e inovação identificam dois integrantes de uma família que há mais de quatro décadas se dedica a produção de abacate no Estado

Azeites capixaba de abacate

Última atualização

 













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História, memória e inovação. Três palavras que identificam dois integrantes de uma família que há mais de quatro décadas se dedica a produção de abacate. Irmãos, Jean e Maico Peterle, de 41 e 37 anos, lançaram, no início deste ano, uma agroindústria que produz o primeiro azeite capixaba de abacate em Venda Nova do Imigrante, região serrana do Espírito Santo.

A Fábrica de Azeite Irmãos Peterle é administrada pelos dois, que contam com a ajuda das esposas Débora e Carla Peterle na gestão administrativa das duas empresas da família. Antes de iniciar com o azeite pioneiro, eles já eram donos da empresa Irmãos Peterle Comércio de Frutas. 

 







Juntos, os dois casais sempre conversavam sobre como aproveitar ao máximo a produção do abacate que sobrava da primeira empresa, que correspondia a 10% do que eles comercializam. Preocupados com o descarte da fruta, eles resolveram aproveitar a sua polpa para extrair o azeite.






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“A ideia surgiu da internet. A gente nunca tinha visto nem ouvido falar do azeite de abacate. Era algo novo no mercado. A conversa começou com minha irmã, e eu logo apresentei para a família”, contou Débora, de 40 anos, esposa do Jean. 

Após isso, a mãe de Jean e Maico Peterle, Penha Altafim Pertele e  eles procuraram o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Venda Nova do Imigrante, para desenvolver o projeto.

A família contratou a empresa Júnior do Ifes, que desenvolveu todo o projeto cientifico e comercial do produto, consequentemente ouve a contratação da cientista de alimento para nos auxiliar na condução dos trabalhos a serem desenvolvidos.

Por se tratar de uma pesquisa complexa, foram necessários cinco anos de estudo e intercâmbio com Minas Gerais, onde já existe o azeite de abacate, segundo eles.

Nesse período, os irmãos construíram a agroindústria de quase 700 m² numa área antes dedicada ao cultivo de abacate na propriedade da família, em Alto Bananeiras, zona rural do município. A obra durou um ano e o espaço ganhou equipamentos de extração e tanques, os mesmos usados na produção do azeite de oliva. De acordo com Jean, o investimento foi de mais de R$ 2 milhões. 

O azeite ficou decantando um mês nos tanques e foi envasado em embalagens de 250 ml, como são comercializados para supermercados de todo o Estado. 

Atualmente, a Fábrica de Azeite Irmãos Peterle opera com um terço da sua capacidade – média de mil litros por mês-, considerando um único turno de produção. De acordo com Jean e Maico Peterle, são necessários 12,5 mil quilos de abacate para fabricar essa quantidade, numa proporção de 5 kg de polpa para cada 250 ml de azeite.

 













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Novas mudanças

Depois de experimentar o gostinho da inovação, os Irmãos Peterle revelaram que seguem com o objetivo de aproveitamento total dos abacates. O caroço, por exemplo, eles já vendem para alguns produtores e viveiros, para que possam virar novas mudas de abacateiro.

A polpa, que parte já vira azeite, ainda pode ser aproveitada de outras formas, segundo eles, e a família estuda novos parceiros para ampliar esse aproveitamento total, incluindo as áreas de cosméticos e alimentos. Enquanto a casca é aproveitada, principalmente, para fertilizar o solo de suas plantações.

 







““O Ifes nos procurou novamente, e eles vão fazer mais três anos de pesquisa para que possamos desenvolver novos produtos em cima do abacate. Além de melhorar ainda mais a qualidade do azeite que temos, acrescentando o desenvolvimento de um estudo sensorial para avaliar o produto final””
Débora Peterle






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Os novos passos ainda incluem, por exemplo, um melhor aproveitamento no processo de extração do óleo do abacate.

“Cada garrafinha de 250 ml gasta-se cinco quilos da polpa do abacate. Então vamos estudar algumas formas de como extrair mais, além de aproveitar mais o que hoje ainda é descartado. Já estamos em estudo, e o nosso objetivo é aproveitar tudo”, explicou ela.

“As cooperativas financeiras têm um importante papel”

Para o diretor-executivo do Sistema OCB do Espírito Santo, Carlos André Santos de Oliveira, as cooperativas financeiras têm um importante papel no desenvolvimento do estado. 

“As cooperativas financeiras têm um importante papel no desenvolvimento do nosso estado, nas cidades e nos campos. Por meio delas, pequenos produtores que teriam dificuldade em acessar formas de crédito nas instituições financeiras tradicionais encontram condições especiais e muito mais justas, com alta qualidade nos produtos e serviços e taxas menores. Com isso, eles conseguem processar o alimento, gerando maior retorno financeiro e entrega de valor para os consumidores. Essas são características inerentes ao modelo de negócio cooperativista, que gera impacto para esse produtor, para a sua família e para toda a sociedade onde está inserido com o fortalecimento desses negócios e a movimentação da economia local”.

 













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