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Famílias do ES mantêm tradição na venda de produtos da roça

Queijos, biscoitos, cafés e uma série de itens artesanais feitos por capixabas são destaques dentro e fora do Espírito Santo

Famílias do ES mantêm tradição na venda de produtos da roça
- Anderson Hollunder e Daniela, de Marechal Floriano, criaram uma queijaria artesanal e se destaca
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Beatriz Brandão

Beatriz Brandão é estudante de jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo e é repórter multimídia no jornal A Tribuna. Tem experiência em assessoria de imprensa, rádio e jornalismo digital.

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Anderson Hollunder e Daniela, de Marechal Floriano, criaram uma queijaria artesanal e se destaca
Anderson Hollunder e Daniela, de Marechal Floriano, criaram uma queijaria artesanal e se destaca Foto: Leone Iglesias/AT

Entre queijos, cafés, biscoitos e outros produtos artesanais, famílias capixabas mantêm viva a tradição de produzir e vender alimentos feitos na roça.

Histórias assim se encontraram na 21ª Feira da Agricultura Familiar e Reforma Agrária do Espírito Santo (Feafes) e na 8ª Feira Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais (Femtru), no último fim de semana, em Vitória.

Uma delas é a da família de Daniela e Anderson Hollunder, de Marechal Floriano. Eles já viviam da agricultura familiar, com a produção de hortaliças, quando a pandemia os obrigou a buscar uma nova fonte de renda.

Foi então que decidiram comprar uma vaca. “Eu não sabia fazer queijo, não sabia tirar leite. Mas fui pesquisando, aprendendo e trocando conhecimento com outros produtores”, conta Daniela.

O que começou como uma tentativa de reinvenção virou a queijaria artesanal do Sítio Hollunder, que hoje envolve também o filho Estêvão e a sogra Ilsa.

Depois de estudar técnicas, testar receitas e aperfeiçoar os produtos, eles já colhem frutos com diversas premiações em concursos nacionais e mundiais, e produtos inovadores, como um queijo feito com café que faz sucesso.

“Tudo que estamos conquistando é um sonho realizado que eu nem sabia que tinha”, diz Daniela.

Outra família que mantém a tradição da produção rural é a de Rakiely Martins e do seu pai, Oliveira Teodoro, do assentamento Ouro Verde, em Muniz Freire.

Após estudar Agronomia, Rakiely, que cresceu acompanhando os pais na produção de café, decidiu que era o momento de investir na qualidade do produto.

“Tomar café sempre foi um momento em família. Até que, na pandemia, começamos a tomar cafés especiais em casa e percebemos a diferença. A partir disso, começamos a investir nesse ramo”. A aposta deu origem ao Café Mãos de Ouro, que hoje reúne o conhecimento de diversas gerações da família.

Show de criatividade para inovar no campo

A cada edição da Feira da Agricultura Familiar e Reforma Agrária do Espírito Santo (Feafes), novos produtos e formas de agregar valor ao que é produzido nas propriedades rurais ganham espaço.

O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fetaes), Clébio Brambati, diz que essa diversidade é uma marca do evento.

“É interessante ver que os produtores ficam motivados a trazer um produto novo ou alguma inovação na produção a cada ano”.

E essa renovação acontece sem perder de vista a origem dos produtos e das famílias. “Cada produto tem uma história do avô, da avó, da família e da propriedade”.

Além da variedade, a feira também tem impacto econômico. A estimativa da Fetaes é que mais de R$ 1 milhão tenham sido movimentados durante o evento. “Além do lado econômico, das pessoas comercializarem e fazerem novos clientes aqui, tem também um ganho da marca”, destaca.

Experiências 

“É um mundo novo”

Carol Carvalho trocou as vendas pela agroindústria familiar e hoje produz biscoitos, bolos e pães
Carol Carvalho trocou as vendas pela agroindústria familiar e hoje produz biscoitos, bolos e pães Foto: Leone Iglesias/AT

Há dois anos, Carol Carvalho trocou a carreira em vendas de decoração para casa pela agroindústria familiar.

Ao lado do marido, assumiu a produção da Vó Tânia, marca de biscoitos criada pela sogra e que hoje leva seu nome como homenagem. “É um mundo novo, não é fácil, mas a gente está vencendo um dia de cada vez”, conta.

Hoje, Carol mantém receitas da família e também cria novos produtos, como biscoitos, bolos e pães. Entre os destaques estão o casadinho e o biscoito de limão-siciliano, seu “xodó”.

Talento de gerações

Beatriz e Andraci mantêm no artesanato uma tradição familiar que atravessa gerações
Beatriz e Andraci mantêm no artesanato uma tradição familiar que atravessa gerações Foto: Leone Iglesias/AT

As irmãs Beatriz Melo e Andraci Vieira Lima mantêm no artesanato uma tradição de trabalhos manuais que atravessa gerações da família. O avô trabalhava com madeira, enquanto a avó e a mãe eram costureiras. Hoje, as duas produzem peças artesanais juntas, mas cada uma mantém seu próprio estilo.

“Os nossos trabalhos conversam entre si, mas cada uma tem a sua pegada. São peças que lembram casa de vó, o que chama a atenção de muita gente”, conta Beatriz.

Memória afetiva

Marcelo Thompson resgata memórias da infância na produção de linguiças artesanais
Marcelo Thompson resgata memórias da infância na produção de linguiças artesanais Foto: Leone Iglesias/AT

Há cerca de 10 anos, Marcelo Thompson, de Piúma, começou a produzir linguiças artesanais, uma atividade que tem ligação com a própria infância.

“Eu comecei fazendo para mim e aos poucos comecei a vender, sempre com carne de porco. Até que me lembrei que isso era algo que a minha avó fazia na sala de casa”, contou.

Agora essas memórias inspiram a Linguiça Thompson, com versões tradicionais e sabores como queijo, alho-poró e café. “Tem gente que passa pelo estande e começa a chorar porque lembra do pai, do avô. Eu trabalho também com isso da memória afetiva”.



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