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NOVO AUMENTO DE PREÇOS

Famílias pegam empréstimos para comprar remédios

Aposentados até choram ao contar sobre dívidas e pedem ajuda a agiotas

Última atualização

Os preços dos medicamentos devem ser reajustados em até 10,89%, de acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) a partir desta quinta-feira, 31. O resultado da alta é sinônimo de mais preocupação para muitas famílias que, para arcarem com os gastos na compra de remédios, estão recorrendo até mesmo a empréstimos.

Essa realidade foi constatada nesta quarta-feira, 30, pela reportagem, que, em 20 minutos dentro de uma financeira no centro de Vitória, conversou com três idosos e presenciou até choro durante um relato de uma aposentada de 71 anos, ao falar das suas dificuldades.

Em um dos casos, após ser ameaçado por um agiota, um aposentado de 72 anos busca empréstimo de R$ 3 mil em financeira para comprar remédios. “Pegar dinheiro com agiota é mais fácil, só que é perigoso. Não quero mais cair nessa cilada”, contou o idoso, cujo nome está sendo preservado para evitar represálias.

De acordo com os responsáveis pela Rede Autoriza Soluções Financeiras, dos 200 atendimentos mensais para emprestar dinheiro, 80% são para idosos. “Desses, 60% relatam que os medicamentos estão pesando no bolso e dificultando arcar com todas as contas mensais”, contou a supervisora da unidade, Jennifer Schulz.

 













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Presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos no Estado, Janio Araújo, confirma que, sempre que há um aumento nos preços de medicamentos, ocorre um grande impacto na vida financeira das pessoas.

“Os idosos já sabem que vão ter de sacrificar alguma coisa se quiserem continuar tomando sua medicação, pois o reajuste do seu benefício não acompanha o custo de vida da pessoa idosa. Já tivemos relatos de aposentados pegando empréstimos ou recorrendo a agiotas para não ficar sem sua medicação”.

Isso, segundo ele, sem contar que o aposentado, em decorrência da pandemia de covid-19, voltou a ser o “arrimo” de família, em consequência do desemprego de filhos e netos, em muitos casos. Alguns estão até abrindo mão de tomar remédios, devido ao custo elevado.


PREOCUPAÇÃO















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Gasto de R$ 800 todo mês

Na luta contra o câncer de pele há mais de 20 anos, a aposentada Anézia Fernandes, de 71 anos, gasta por mês cerca de R$ 800 com remédios. Ela conta que também tem problema na coluna, além de artrose e hérnia de disco.

Ao contar a sua história e dos desafios do tratamento, que inclui até cirurgia, ela não se conteve e chorou.

“Trabalhei muito no sol, como ajudante de pedreiro. Naquela época, não se falava em protetor solar. Usava boné, mas não protegia meu corpo”. 

Pela primeira vez, ela buscou a contratação de um empréstimo nesta quarta-feira, 30, com a atendente Roberta Figueira, da Rede Autoriza Soluções Financeiras. 

Com o dinheiro, ela pretende pagar uma dívida na farmácia, de R$ 300, comprar uma geladeira e roupinha para um netinho ou netinha que está a caminho.

 













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Doze medicamentos

Convivendo com uma cardiopatia grave, o aposentado Eliel Fontes Bezerra, de 72 anos, toma 12 medicamentos diferentes todos os dias. No final do mês, os remédios somam R$ 1 mil e estão entre os itens que têm pesado no orçamento. 

Para complementar a renda, ele recorre a empréstimos consignados. À medida que vai pagando parcelas, ele renova o valor, somando nove empréstimos. “Estou aguardando a liberação da quantia que ganhei em uma de isenção do Imposto de Renda, por causa da doença. Vou quitar os empréstimos”.


ENTENDA


Reajuste

  • Deve ser publicado nesta quinta-feira, 31, no Diário Oficial da União o percentual do reajuste anual máximo dos medicamentos, definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).
  • A partir da publicação, as farmácias estarão autorizadas a aumentarem os valores.  
  • A previsão é de que o reajuste fique em 10,89%.

Como é feito o cálculo

  • O cálculo para atualizar os valores é feito uma vez por ano e tem como base a inflação acumulada em 12 meses até fevereiro no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou em 10,54%.
  • Além da inflação, a Cmed também leva em conta outros três fatores, que analisam questões como produtividade, competitividade e aumento de custos específicos para o setor.
  • Dois desses fatores já foram divulgados e não vão interferir no cálculo. Já quanto ao último fator, o impacto é de 0,35%, de acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), totalizando 10,89%.

Aumento não é automático

  • Após a publicação do percentual, fabricantes e revendedores poderão subir os preços dentro da nova margem definida.
  • No entanto, o reajuste não será automático, nem imediato, pois há concorrência entre as empresas. Por isso, o consumidor pode pesquisar nas farmácias e drogarias as melhores ofertas.
  • O Sindusfarma explicou que, dependendo da reposição de estoques e das estratégias comerciais, o aumento pode demorar a acontecer.

Diferença

  • Ao contrário do que acontecia em anos anteriores, não devem ser anunciados três níveis de reajuste, que eram definidos conforme o tipo de remédio. Ou seja, todos deverão ter aumento autorizado de 10,89%.
  • Até então, a prática era de autorizar um aumento maior para os que têm maior concorrência, como é o caso dos genéricos. Em 2021, os aumentos autorizados foram de 10,08%, 8,44% e 6,79%, por exemplo.

Fonte: Agências Folha e Estado.

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