No Brasil, é muito comum ver pessoas relacionarem as festividades de Carnaval à época na qual há maiores chances de gerar filhos. No entanto, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que um número maior de crianças é concebido durante o inverno.
Nos últimos quatro anos, foram os meses de março, abril e maio que lideraram a quantidade de nascimentos pelo País. No Espírito Santo, também é nesse período que mais nascem bebês.
Apesar de não existir comprovação científica unânime, ainda, profissionais da saúde destacam algumas hipóteses que podem influenciar na ocorrência do fenômeno.
A psicóloga e sexóloga Marcelle Paganini entende que o aumento de nascimentos nessa época tem relação com mudanças de comportamento, influenciada pela chegada do tempo mais frio, comum do inverno.
“O nosso clima tem sofrido alterações significativas de alguns anos para cá e podemos observar também alterações comportamentais nas pessoas”, diz.
Uma das mudanças perceptíveis é na área sexual. Segundo Paganini, “estando mais em casa, a quantidade de relações sexuais aumenta, e isso proporciona maiores chances de gravidez”.
Outro fator a ser considerado para a ocorrência do fenômeno é o emocional.
“Em épocas mais frias, observamos uma movimentação emocional do externo para o interno. Pensamos mais em nós mesmos, saímos menos, preferimos o aconchego de casa. As pessoas ficam até um pouco mais melancólicas no frio”, explica a especialista.
A enfermeira obstetra Ana Paula Rossetto acredita que, além desses fatores, o inverno coincide com a época de férias, momento no qual há maior conexão entre os casais.
“As férias escolares, que acontecem no mês de julho, podem ser um fator de influência, devido ao fato de o casal sair da rotina, viajar, mudar de ambiente. Tudo isso promove um clima de descontração e harmonia que pode justificar o aumento das relações sexuais”, explica.
Rosseto enfatiza que são apenas hipóteses. “Tudo isso são hipóteses, pois essa é uma questão ainda em aberto e pouco desbravada”.
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aLEGRIA
A advogada Verônica Louzada, de 32 anos, não esconde a alegria com a chegada de Maria Cecília Louzada Severiano, nascida no dia 2 de março deste ano.
A pequena, que tem apenas três meses de vida, faz parte da estatística revelada em estudo que indica um aumento nos registros de nascimento entre os meses de março e maio, no Brasil.
Verônica conta que, além da filha, a avó materna da criança, Maria Elza Louzada, de 56 anos, também faz aniversário no mês de março. A advogada revela que não tinha conhecimento do fenômeno. “É a primeira vez que ouço falar sobre esse dado”.
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Gerações de março
Na família da advogada Thalita Bittencourt, de 40 anos, foram três gerações nascidas durante o mês de março. Começou com a mãe Tânia Intra, de 70 anos, nascida no dia 27, seguida dela, no dia 31 e, agora, com a chegada da filha caçula Sara Bittencourt, no dia 19 de março.
Apesar de ser mãe de quatro, apenas a caçula está inserida dentro dos meses de maior número de nascimentos no País.
Quando questionada sobre a existência desse fenômeno, a advogada disse ser uma surpresa.
sAIBA mAIS
Registro Civil – Brasil
– O Brasil é um dos casos com maior sazonalidade de nascimentos conhecida no mundo, segundo cientistas.
– Último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre emissão de registro civil no Brasil reuniu dados de 2016 a 2020.
– Março foi o mês com o maior número de nascimentos em 2019 e 2020.
– Em 2016, 2017 e 2018 ficou em segundo lugar.
– Abril ficou em terceiro lugar no número de nascimentos em 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
– Juntos, os meses de março, abril e maio somam o período com mais nascimentos entre 2016 e 2020.
– No Espírito Santo, o mesmo fenômeno pode ser notado entre os anos do último levantamento de nascidos vivos no Estado.
– Abril foi o mês com o maior número de nascimentos em 2016, 2017 e 2018. Nos dois últimos anos, ficou em segundo lugar.
– Março ficou em primeiro lugar, com maior frequência de natalidade em 2019 e 2020. Nos anos anteriores, foi o segundo lugar, seguido do mês de abril.
– Em 2022, já foram registrados 47.537 novos nascimentos.