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Fita VHS e disco de vinil viram viagem no tempo e diversão em família

Telefone de disco, fax, máquina de escrever, disco de vinil, disquete e fita VHS são alguns objetos familiares para quem nasceu até a década de 1990, ...

Pais apresentam aos filhos itens que fizeram parte da sua infância e juventude, como fax, disquete, disco de vinil e telefone de disco

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Pais apresentam aos filhos itens que fizeram parte da sua infância e juventude, como fax, disquete, disco de vinil e telefone de disco (Foto: Dayana Souza/ AT)

Telefone de disco, fax, máquina de escrever, disco de vinil, disquete e fita VHS são alguns objetos familiares para quem nasceu até a década de 1990, porém causam estranhamento nos nascidos nos anos 2000.

A reportagem de A Tribuna propôs a famílias a fazer uma viagem no tempo, com os pais apresentando aos filhos itens que marcaram a sua infância e juventude.

Enquanto a experiência despertou nos adultos boas lembranças, os mais novos tiveram a oportunidade de conhecer um pouco das histórias de seus antepassados.

O analista de TI Roger Rodrigues Gomes, 34, e a coordenadora de projetos Vânia Borchardt Ribeiro Gomes, 33, apresentaram ao filho Matheus Borchardt Gomes, 9, alguns doces que fizeram parte da infância do casal, como maria-mole, suspiro e pirulito de chupeta.

“Hoje esses doces quase não são encontrados. Meu filho achou muito diferente, mas gostou. Eu lembrei da minha infância e veio na minha memória o contato com os amigos na escola. Foi como voltar ao passado”, contou.

Para o pequeno Matheus, o que mais atraiu atenção foi a consistência da maria-mole. Já Roger, só de ver os doces lembrou do passado.

“Antigamente não tinha tanta variedade de doces. Lembro de quando eu e meu primo comprávamos doces na padaria e sentávamos na calçada para comê-los”, disse o pai.

A psicóloga e psicoterapeuta de casais e família Débora Monteiro Coelho explica que “temos gravadas experiências de sucesso e de fracasso em nossa memória. Só precisamos de um gatilho para que o nosso inconsciente faça um rastreamento e as traga à tona”.

As lembranças também podem ser resgatadas por músicas, aromas e sabores ou então lugares que marcaram algum período da vida.

O psicólogo clínico e professor da Ufes Adriano Pereira Jardim observa que as novas gerações muitas vezes se veem conectadas com a tecnologia e com valores que remetem a um mundo futuro.

“Não é incomum, no entanto, que sintam a necessidade de se conectar com a forma como seus pais e avós viviam. Apresentar aos jovens um modo de vida passado pode criar um lastro histórico que irá fundamentar um pensamento crítico muito mais complexo por parte das novas gerações”, acrescenta Adriano.

Filhos conhecem histórias dos pais

Quem cresceu com as facilidades da vida moderna muitas vezes tem dificuldade de compreender os desafios que os mais velhos precisaram enfrentar no passado.

Por exemplo, os estudantes atualmente conseguem fazer modificações em seus trabalhos acadêmicos com apenas alguns cliques no computador. Na época em que os textos eram redigidos em máquinas de escrever, um erro significava reescrever uma página.

Ter de esperar dias para receber uma mensagem é inconcebível para a geração que cresceu com a comunicação instantânea através dos smartphones.

Para especialistas, a possibilidade de fazer uma “viagem no tempo” permite aos mais jovens entender que nem sempre as coisas foram tão simples quanto parecem ser hoje. Isso possibilita compreender melhor seus antepassados.

O psicólogo Alexandre Vieira Brito destaca que esse momento de encontro entre gerações – pais apresentando aos filhos elementos da sua história – possibilita aos mais novos se aproximar da realidade de seus genitores. Geralmente são os adultos que buscam proximidade com a realidade dos filhos.

“Não deve ser um conflito de gerações, dizendo que as coisas eram melhores antigamente, e sim uma sucessão de gerações. Os pais são o acúmulo de tudo que viveram e esse compartilhamento da sua história permite que as crianças conheçam uma realidade diferente da que vivem”, esclarece o psicólogo.

Além dos objetos que remetem a vivências nas décadas passadas, os sabores de receitas antigas estimulam lembranças mesmo em quem não viveu no período em que pratos e sobremesas estavam em alta.

O professor do curso de Nutrição do Unesc Felipe Bichi Strela explica que as receitas refletem condições e hábitos da época em que foram criadas. Ele explica que os preparos continham ingredientes disponíveis em fartura associados à carga histórica.

Com o tempo, o desenvolvimento industrial modificou receitas e criou novas que fizeram parte da infância das diferentes gerações.

“Para quem é pai ou avô, a oportunidade de compartilhar como foi sua infância com os mais jovens faz parte de um aspecto muito importante da nutrição, que é o social e familiar das práticas alimentares”, defende Felipe, que alerta para a moderação no consumo.


MOMENTOS INESQUECÍVEIS


Lembranças das amigas

Ao mostrar o telefone de disco para a filha Mirela Rodrigues Vargas, de 2 anos, a dona de casa Silvia Chagas Rodrigues, 33, lembrou que sempre ligava para uma amiga que morava na mesma rua.

“Nós tínhamos esse aparelho e sempre conversávamos. A gente chegou até a ficar de castigo por causa do alto valor da conta”, lembrou.

Ela disse ainda que a filha ficou encantada com o aparelho.

“Ela ficava tentando girar os números, mas não conseguia. Mostrei a ela como fazíamos, aí ela conseguiu chegar até o número 2”, contou.

Diversão de mãe e filha

A consultora de moda e imagem Emanuelle Prado, 40 anos, contou que ao vestir roupas de dança com a filha Juliana Prado Nalli, de 6 anos, lembrou das peças que vestia nas décadas de 1980 e 1990.

“Lembrei de apresentações de dança que fazia na escola e de algumas matinês. Foi muito divertido compartilhar essas memórias com minha filha”, salientou.

A pequena Juliana disse que se divertiu bastante e adorou fazer parte deste momento com a mãe.

Músicas que marcaram história

A assistente administrativa Ester Maria Gonçalves Ferreira Roberto, de 43 anos, lembrou das músicas que marcaram sua adolescência enquanto mostrava alguns discos de vinil para a filha, a estudante Luíza Ferreira Roberto, de 17.

“A música faz parte da nossa vida e foi muito gratificante ver o interesse dela em conhecer algo que não é da sua geração. Fiquei emocionada, pois me remeteu a boas lembranças da minha vida”.Já a estudante disse que gostou tanto da experiência que chegou a comprar um disco de vinil do grupo Legião Urbana de lembrança.

“Gostei muito da experiência e de conhecer um pouco da realidade que era da minha mãe”.

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