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“Foi tudo muito rápido”, diz médica e mãe de criança com nova varíola

Segundo a mãe da criança, os primeiros sintomas foram dores no corpo

“Foi tudo muito rápido”, diz médica e mãe de criança com nova varíola
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Fazendo um alerta sobre a monkeypox, a nova varíola, a médica Thays Rangel, de 29 anos, falou sobre o filho, o estudante Bernardo Araújo Pinto Rangel, de 8 anos, que foi diagnosticado com o vírus e está em isolamento. 

Os primeiros sintomas foram dores no corpo, mas inicialmente ele e a família chegaram a acreditar que seria por excesso de brincadeira do final de semana. 

O alerta acendeu quando a criança reclamou de muita coceira nas pernas. As lesões na pele impressionaram não só a mãe, mas todos os profissionais que ela encaminhou o filho, e não suspeitaram sobre a doença. Foi a própria mãe que desconfiou do diagnóstico. 

A Tribuna – Como veio a suspeita de que poderia ser infecção por varíola? 

Thays Rangel – Percebi que as lesões evoluíram de forma muito rápida. Foi quando eu tive o alerta que poderia ser monkeypox, conhecida como a “varíola dos macacos”. Os médicos também me questionaram como eu vi na lesão o vírus monkeypox. 

Respondi que não foi pelo tipo da lesão, mas pela rápida evolução das lesões. Da noite para o dia tinha o dobro de lesões, e isso seria algo diferente, e pelo fato do vírus monkeypox ser algo novo, que não conhecemos muito ainda.  

Antes de descobrir o vírus monkeypox, ele foi diagnosticado com outras doenças?

As lesões pareciam picadas de insetos. O pediatra disse que poderia ser impetigo (infecção de pele altamente contagiosa), o dermatologista falou de picadas mesmo, e o clínico acreditava que seria sarna (infecção de pele também contagiosa). Mas as lesões confundem mesmo. Eu cheguei a perguntar se ele viu ou sentiu algum bicho picá-lo, se teria sentado em formigueiro, mas ele disse que não.  

Notificou a vigilância epidemiológica?

Isso. E foi tudo muito rápido. Houve a coleta dos exames e já entrou em isolamento. O resultado saiu no 13º dia de isolamento, na última segunda-feira. Deu positivo nos três exames, o de sangue, o swab naso-orofaríneo e da crosta, que é a coleta por raspagem da ferida que ele tem na pele. 

Os sintomas dele foram somente as lesões na  perna?

Primeiro teve a dor no corpo e depois as lesões na pele. Hoje (ontem) ele acordou com dor na garganta, dor no corpo e lesões orais. Passou por um infectologista pediátrico em Vitória, que orientou manter o isolamento até completar os 21 dias.

Ele precisou ser medicado?

Somente com medicação sintomática, que foi o remédio para dor no corpo. Nesta quarta ele começou com o antialérgico, porque a coceira nas pernas está causando feridas, ao retirar as casquinhas.

A infectologista preferiu passar o antialérgico para evitar a coceira e as feridas cicatrizarem. O isolamento é por 21 dias, ou quando caírem todas as crostas. Se ele ficar coçando, as feridas não vão cicatrizar. 

Não há até agora uma suspeita de como ele pode ter sido infectado?

O aparecimento das lesões foi depois que voltamos de um final de semana na roça, mas antes disso viajamos para minha cidade no Dia dos Pais, em Itaperuna (RJ). 

O Bernardo faltou aula por causa da viagem, mas foi à escola na terça-feira, um dia antes da suspeita do vírus. Então, não fazemos ideia de como ele foi infectado. 

Comunicou às pessoas que ele teve contato?

Eu comuniquei à escola, às mães da sala dele, e como médica tenho responsabilidade sobre a saúde pública. Jamais podemos permitir esconder casos como esses. Mesmo que possa gerar a preocupação, não podemos deixar de falar. É para ficar preocupado mesmo. A covid matou milhares de pessoas, e no começo era algo comum para muitas pessoas. 

Fui criticada por falar e alertar, mas preferi seguir meu coração e explicar o que está acontecendo. Se tivéssemos enfrentado como uma doença simples, ele estaria contaminando outras pessoas enquanto circulava.

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